Os partidos políticos e os donos do poder receberam o
recado: não pensem que vão ficar discutindo todos os assuntos somente
entre si
por Janes Jorge
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publicado
19/06/2013 11:10
As manifestações de protesto contra o aumento
da tarifa do transporte público em São Paulo demonstram a força que o
ideário de esquerda tem na cidade.
A grande comoção causada pela brutalidade da ação policial contra os jovens, na quinta feira, 13 de junho, foi, sem dúvida, o principal fator que transformou a escala do movimento, que se multiplicou por 10, talvez 15, e ganhou legitimidade social incontestável, engolindo políticos e empresas jornalísticas que antes o atacavam ou procuravam ignorá-lo.
O que foi essa comoção e, depois, a solidariedade nas ruas e nas casas, se não um repúdio à tentativa de se encerrar o debate público com violência? Não tivesse ocorrido esse repúdio forte e decidido não haveria mais espaço para manifestações públicas em terras paulistas. Seria voltar aos piores tempos do século XX.
É evidente que, atos abertos, tiveram de tudo um pouco do ponto de vista ideológico, desde palavras de ordem direitistas aos sonhos comunistas. De certo modo o movimento é catarse, da esquerda à direita. Revolta difusa acumulada contra "os políticos" e o “poder”, cada qual escolhendo os seus alvos. Mas também é evidente que os líderes do movimento e sua própria concepção organizativa são formados em uma cultura de esquerda.
Não há dúvida que se subestimou a revolta que a Copa do Mundo, antecipada na Copa das Confederações, causaria no imaginário coletivo. Transformada em festa para os ricos, a Copa do Mundo ergueu estádios belíssimos (menos alguns), com dinheiro público, para divertir uma clientela de alto poder aquisitivo (vide preço dos ingressos) e garantir altos lucros para as empresas envolvidas com os negócios do futebol e vida nababesca aos jogadores, dirigentes e alguns jornalistas esportivos. E tudo isso sendo noticiado de forma exaustiva. Lembremos que os jovens acompanham o futebol de perto.
Os partidos políticos e os donos do poder receberam o recado: não pensem que vão ficar discutindo todos os assuntos somente entre si, se importando pouco com a voz das ruas. Esse Brasil não existe.
Juntando tudo temos um movimento social que promoveu atos pelo direito à cidade, pedindo mais subsídios para o sistema de transporte público e menos lucros das empresas que operam o serviço. Reprimido com brutalidade, agregou uma ampla massa, que se mobilizou contra a tentativa de conter os movimentos sociais e o debate de forma violenta, contra a corrupção e o capitalismo no futebol, exigindo mais transparência e participação popular nas estruturas de poder.
Ou seja, no essencial, o que se tem é uma pauta de esquerda.
Janes Jorge é professor do Departamento de História da Unifesp
A grande comoção causada pela brutalidade da ação policial contra os jovens, na quinta feira, 13 de junho, foi, sem dúvida, o principal fator que transformou a escala do movimento, que se multiplicou por 10, talvez 15, e ganhou legitimidade social incontestável, engolindo políticos e empresas jornalísticas que antes o atacavam ou procuravam ignorá-lo.
O que foi essa comoção e, depois, a solidariedade nas ruas e nas casas, se não um repúdio à tentativa de se encerrar o debate público com violência? Não tivesse ocorrido esse repúdio forte e decidido não haveria mais espaço para manifestações públicas em terras paulistas. Seria voltar aos piores tempos do século XX.
É evidente que, atos abertos, tiveram de tudo um pouco do ponto de vista ideológico, desde palavras de ordem direitistas aos sonhos comunistas. De certo modo o movimento é catarse, da esquerda à direita. Revolta difusa acumulada contra "os políticos" e o “poder”, cada qual escolhendo os seus alvos. Mas também é evidente que os líderes do movimento e sua própria concepção organizativa são formados em uma cultura de esquerda.
Não há dúvida que se subestimou a revolta que a Copa do Mundo, antecipada na Copa das Confederações, causaria no imaginário coletivo. Transformada em festa para os ricos, a Copa do Mundo ergueu estádios belíssimos (menos alguns), com dinheiro público, para divertir uma clientela de alto poder aquisitivo (vide preço dos ingressos) e garantir altos lucros para as empresas envolvidas com os negócios do futebol e vida nababesca aos jogadores, dirigentes e alguns jornalistas esportivos. E tudo isso sendo noticiado de forma exaustiva. Lembremos que os jovens acompanham o futebol de perto.
Os partidos políticos e os donos do poder receberam o recado: não pensem que vão ficar discutindo todos os assuntos somente entre si, se importando pouco com a voz das ruas. Esse Brasil não existe.
Juntando tudo temos um movimento social que promoveu atos pelo direito à cidade, pedindo mais subsídios para o sistema de transporte público e menos lucros das empresas que operam o serviço. Reprimido com brutalidade, agregou uma ampla massa, que se mobilizou contra a tentativa de conter os movimentos sociais e o debate de forma violenta, contra a corrupção e o capitalismo no futebol, exigindo mais transparência e participação popular nas estruturas de poder.
Ou seja, no essencial, o que se tem é uma pauta de esquerda.
Janes Jorge é professor do Departamento de História da Unifesp
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