Do sexto andar da prefeitura de São Paulo, o
jornalista Marco Damiani, diretor de redação do Brasil 247, acompanhou o
cerco a prédio; do início pacífico até a tentativa de invasão da sede e
a queima do carro de TV da Record; "com a massa na rua, ninguém segura,
e agora vai se culpar o Estado, dizer isso e aquilo de Dilma Rousseff,
de Geraldo Alckmin, de Fernando Haddad, de 'tudo o que está aí'. É um
retrocesso danado. Como se tivéssemos avançado tanto, desde lá o regime
militar, para chegarmos ao descontrole. Que cheiro de queimado. Que
lixo!"Não identifiquei motivo para a queima do carro, nem mesmo para a quebra dos vidros da sede municipal. Também não se entende porque forçaram as portas do segundo andar. O que gostariam de fazer aqui dentro? Quebrar as pernas de quem está trabalhando? Apertar o pescoço do prefeito? Pendurar guardas municipais na ponta das grades usadas como arietes? Ridículo, triste.
O prefeito Fernando Haddad pode ter perdido, sim, uma oportunidade de revogação no aumento de R$ 0,20 na tarifa. Isso foi dito a ele durante a reunião com o Conselho da Cidade, iniciada às 9h30, e os representantes do Movimento Passe Livre. Haddad preferiu fazer contas que indicam a necessidade de R$ 1,4 bilhão em subsídios para atender a demanda de congelamento das passagens em R$ 3,00. E isso só esse ano. Pode-se considerar que ele deveria ter deixado para fazer contas mais tarde e, de imediato, ceder à pressão dessa gente que está lá embaixo. Mas ceder adiantaria mesmo? O que iria se pedir a partir de então? O socialismo?
Políticos do PSOL, do PSTU e até o futuro Rede Sustentabilidade, ainda na versão estudantil, mas políticos sim, dizem comandar esse movimento. Coisa nenhuma. Com a massa na rua, ninguém segura, e agora vai se culpar o Estado, dizer isso e aquilo de Dilma Rousseff, de Geraldo Alckmin, de Fernando Haddad, de “tudo o que está aí”. É um retrocesso danado. Como se tivessemos avançado tanto, desde lá o regime militar, para chegarmos ao descontrole. Que cheiro de queimado. Que lixo!
Leia, abaixo, reportagem sobre o cerco à Prefeitura:
SP247 - O entorno da prefeitura de São Paulo se transformou em palco de vandalismo depois que um grupo tentou invadir a sede do Executivo muncipal. Enquanto um grande número de manifestantes seguia pacificamente pela Avenida Paulista, radicais depredavam os arredores do prédio. Um caminhão de link da TV Record e um posto policial localizado na área foram queimados. Também foram quebrados vidros de estabelecimentos próximos à prefeitura.
A manifestação corria pacífica até um grupo de jovens tentar invadir o prédio. Os guardas municipais que faziam a segurança, defendendo a entrada do prédio, acabaram cedendo e entraram, para se proteger atrás das portas. Após a tentativa de invasão, alguns manifestantes chegaram a recolocar as grades de proteção que estipulam o acesso até onde os manifestantes devem ir. Mas, enquanto alguns manifestantes recolocam as grades, outros voltam a derrubá-las. Às 20h, um grupo de 20 estudantes começou a jogar pedras e bombas na unidade de transmissão da TV Record, que acabaria reduzida a cinzas.
Todas as vidraças da entrada principal da prefeitura foram quebradas pelos manifestantes. Às 19h10, a bandeira da cidade de São Paulo foi tirada do mastro e rasgada diante da prefeitura. Em seguida, os manifestnes gritavam "tira a do Brasil, tira a do Brasil", buscando também tirar a bandeira brasileira. Várias pequenas brigas aconteceram entre a multidão, que queimou um bonecos que representavam o prefeito Fernando Haddad e o governador Geraldo Alckmin.
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