O Congresso e o Palácio do Planalto, em Brasília; a
sede da Globo, em São Paulo; a Assembleia Legislativa, no Rio; com
violência pontual ou em paz, estudantes, na grande maioria, fazem
história na noite desta segunda-feira 17; o poder como um todo é
questionado; "Destravou", resumiu ao 247 o deputado federal Ivan Valente
(PSOL); "O povo tomou gosto pela rua e não vai sair tão cedo"; após o
grosso das manifestações se dispersar, aumentou a tensão em cidades como
Rio de Janeiro, Porto Alegre e Brasília, onde manifestantes mais
exaltados entraram em confronto com policiaisPor volta das 21h, uma parte da marcha que caminhava por São Paulo chegou ao portões do Palácio do Governo de São Paulo. Estudantes chegaram a empurrar as grades, repetindo uma cena de décadas atrás, quando professores em greve derrubaram parte da proteção. Uma pequena bomba chegou a ser jogada nos jardins da sede do governo.
Ao mesmo tempo, naquela altura, a Avenida Paulista estava tomada pelas passeatas, assim como a Rua Augusta. À medida que a noite avançava, a tensão crescia. Os estudantes que se dirigiram ao Palácio dos Bandeirantes foram chamados pela midia tradicional de dissidência.
Em Brasília, o vice-presidente do Congresso, André Vargas (PT-PR), resolveu, também depois das 21h, ir pessoalmente ao Congresso Nacional. Era uma tentativa de dialogar com os estudantes. Durante tentativa de invadir o prédio do Congresso, a polícia usou gás de pimenta contra os manifestantes.
No Rio de Janeiro, os estudantes conseguiram chegar à escadaria da Assembleia Legislativa, de onde lançaram bombas e morteiros na direção da Policia Militar, que respondeu com gás. Cinco policiais saíram feridos. Mas foi Porto Alegre a capital onde a marcha estudantil mais entrou para o terreno do vandalismo.
A partir das 18h, os porto-alegrenses tomaram a principal avenida da cidade, João Pessoa. Em seguida, houve quebra-quebra. Uma loja de motocicletas foi invdida e toda mercadoria, derrubada. A Polícia Militar precisou da cavalaria para enfrentar as barricadas montadas pelos estudantes. Tiros com balas de borracha foram disparados às dezenas. O centro da cidade ficou parcialmente destruído. Contêineres de lixo focram queimados. A situação era um verdadeiro tumulto às 22h.
Protestos
O que começou como marchas de protesto contra aumentos nas tarifas de ônibus se ampliou, agora, na forma de passeatas de protesto contra o establishment – conjunto de instituições que compõe o poder formal. Não estava combinado, por exemplo, que a marcha em Brasília deveria se dirigir ao edifício do Congresso Nacional, primeiro, e ao Palácio do Planalto, em seguida, mas foi o que se deu, com milhares de jovens gritando contra a corrupção.
Em São Paulo, a marcha que deveria sair de Pinheiros para a Avenida Paulista se dividiu de modo a um grande grupo de manifestantes rumar em direção à sede da Rede Globo, fechando no trajeto a avenida Marginal e, desse modo, asfixiando o trânsito pesado da hora do rush. No alto da ponte Estaiada, mirando dali a sede da Rede Globo, milhares de jovens pararam para cantar o Hino Nacional.
Noutra frente, com palavras de ordem diversas, pelo menos 60 mil estudantes tomavam pacificamente a Avenida Faria Lima, uma das mais elegantes da capital, e subiam para a Avenida Paulista, por volta das oito da noite. Lá, no endereço que representa o poder financeiro do Estado mais rico da federação, tudo poderia acontecer. A tropa de choque da PM estava mobilizada para entrar em ação ao primeiro sinal de tumultos.
No Rio, quando cem mil jovens tomavam a Avenida Rio Branco, no centro da cidade, a violência estourou também por volta das oito horas. As escadarias da Assembléia Legislativas foram ocupadas e, deibaixo das pilastras do prédio histórico, fogo foi ateado. Antes, um automóvel fora explodido.
O que está sendo questionado é o poder e as instâncias que o representam.
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