quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Minha Casa, Minha Vida já contratou 1,3 milhão de unidades habitacionais 30/11/2011

Balanço do programa Minha Casa, Minha Vida, divulgado hoje (30), revela a contratação de 1,3 milhão de unidades habitacionais desde 2009, quando foi lançado. Segundo o presidente da Caixa Econômica, Jorge Hereda, este número representa 45% da meta total do programa de construir 3 milhões de casas populares até 2014. E quase metade do total contratado já está concluída.
Após reunião com a presidenta Dilma Rousseff no Palácio do Planalto, Jorge Hereda informou ainda que o Minha Casa, Minha Vida deve encerrar 2011 com a contratação de 400 mil unidades habitacionais.
“A ordem é acelerar. Fizemos todas as revisões e algumas mudanças no programa, como a construção de casas com acessibilidade. Mas, para o primeiro ano, estamos indo bem”, disse o presidente da Caixa.
Segundo ele, a maior parte das contratações está concentrada na faixa de renda entre R$ 1,6 mil e R$ 3,1 mil. O objetivo é reforçar as contratações das unidades habitacionais voltadas para a faixa até R$ 1,6 mil

Brasil distancia-se de China e Rússia e reforça pressão contra Síria na ONU 01/12/2011

Sob pressão. Itamaraty apoia convocação de uma reunião do Conselho de Direitos Humanos


JAMIL CHADE, CORRESPONDENTE / GENEBRA - O Estado de S.Paulo
GENEBRA - O Brasil afastou-se ontem da posição de China e Rússia e deu apoio oficial à convocação de uma reunião de emergência da ONU em Genebra para condenar o regime de Bashar Assad na Síria. No início da semana, uma comissão independente da ONU, liderada pelo brasileiro Paulo Sérgio Pinheiro, apresentou o resultado de uma investigação sobre a violência na Síria e concluiu que o regime sírio cometeu crimes contra a humanidade.
Lixo acumulado na cidade de Homs, na Síria - Reuters
Reuters
Lixo acumulado na cidade de Homs, na Síria
O Itamaraty promete elevar o tom das críticas no encontro, que ocorre amanhã no Conselho de Direitos Humanos da ONU, em Genebra. Uma resolução apresentada pela UE, à qual o Estado teve acesso, pede que a reunião sirva para aprovar uma condenação generalizada do regime.
A resolução tenta criar condições para que o tema seja alvo de uma nova ação do Conselho de Segurança, em Nova York. O documento, assinado por mais de 20 países, pede que o Conselho atue. Europeus e americanos esperam que isso leve ao endurecimento de posições contra a Síria e a uma nova rodada de sanções.
A resolução pede a entrada de observadores da ONU na Síria para avaliar a situação e frear as mortes. Exige ainda que um investigador permanente acompanhe a situação no país e pede que a ONU "atue para proteger a população", sem especificar como isso ocorreria.
A proposta tem o apoio dos países árabes, de todos os europeus, dos EUA e dos países latino-americanos que fazem parte do Conselho de Direitos Humanos - México, Uruguai e Chile.
China e Rússia reforçaram que serão contra a condenação de Assad amanhã em Genebra. Moscou chegou ontem a sugerir a diplomatas de outros países que as conclusões de Pinheiro não passariam de uma manobra para justificar uma ação internacional contra Damasco.
Mesmo fora do Conselho - em razão da rotação entre países da região -, o Brasil optou por aderir ao pedido de convocação da reunião de emergência. Isso não quer dizer que apoiará tudo que está na resolução. Em Genebra, diplomatas brasileiros admitem que a ordem do Palácio do Planalto é a de elevar o tom de críticas contra a Síria amanhã. O governo brasileiro insiste que é contra uma ação militar e contra o uso das violações de direitos humanos para politizar o debate.
O Brasil defendeu no início do levante que a comunidade internacional não isolasse Damasco, sob o risco de ver a crise se aprofundar. O País absteve-se em votações na ONU que iam nesse sentido. A decisão de Damasco de manter a repressão fez o Brasil optar por um posicionamento mais duro.
Alerta. A Organização da Conferência Islâmica (OCI) advertiu o regime de Damasco de que uma reunião ontem na Arábia Saudita seria "a última oportunidade para resolver o conflito" no país. O ultimato foi lançado pelo secretário-geral da organização, Ekmeleddin Ihsanoglu, durante seu discurso de abertura na reunião com os ministros de Relações Exteriores, à qual compareceu o chanceler síria, Walid al-Moualem. Ele viajou à cidade saudita de Jeddah, apesar da proibição de viagens imposta pela Liga Árabe no domingo.

Contra crise, governo reduzirá imposto para incentivar consumo 01/12/2011

Medidas valem a partir de hoje até março de 2012; mercado de capitais e construção civil também serão beneficiados


SÃO PAULO - As medidas de estímulo à economia do governo incluem a redução de imposto na linha branca, diminuição do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) e mudanças na construção civil e no mercado de capitais, afirmou há pouco o ministro da Fazenda, Guido Mantega. O compromisso dos setores beneficiados, segundo ele, é não demitir e repassar ao consumidor a redução dos impostos.

IPI da geladeira será reduzido de 15% para 5% - Daniel Teixeira/ AE
Daniel Teixeira/ AE
IPI da geladeira será reduzido de 15% para 5%
Mantega anunciou que o IOF no financiamento ao consumo cairá de 3% para 2,5%. Segundo ele, a redução do IOF se deve ao custo elevado do imposto atualmente. Vale lembrar que em abril deste ano, a Fazenda dobrou a alíquota do IOF, de 1,5% para 3%, como parte do esforço para moderar o consumo, na época muito aquecido. As medidas valem a partir de hoje até março de 2012.
O Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) da linha branca também será reduzido. O ministro citou alguns exemplos: no fogão cairá de 4% para zero, na geladeira de 15% para 5%, na máquina de lavar de 20% para 10% e no tanquinho de 10% para zero.
Na construção civil, as habitações populares do programa "Minha Casa Minha Vida" terão desoneração. A alíquota do Regime Especial de Tributação (RET) incidente nos imóveis que fazem parte do programa "Minha Casa Minha Vida" cairá de 6% para 1%.
No mercado de capitais, o investimento em ações para estrangeiros terá redução do IOF de 2% para zero. O IOF de debêntures para estrangeiros cairá de 6% para zero. Mantega disse que o governo quer que a Bolsa de Valores continue a captar recursos, mas se houver algum movimento especulativo o IOF voltará a subir.
O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior Fernando Pimentel e Mantega chegaram pouco depois das 10 horas para a coletiva de imprensa. Pimentel disse que o Diário Oficial trará a regulamentação do Programa Reintegra. O programa devolve 3% do valor exportado de produtos manufaturados. Já estão listados 8.500 produtos.
As desonerações do trigo, farinha e pão serão renovadas. Mantega calcula que a desoneração dos três produtos some R$ 528 milhões. O pacote de bondades anunciado nesta manhã pelo governo também prevê imposto zero para as massas alimentícias. Medidas estão sendo preparadas para o setor têxtil.
Mantega disse que o governo está atento à indústria, o setor mais afetado pela crise, e fez um apelo para que os empresários invistam e, assim, não haja falta de produtos.
Crescimento
Segundo Mantega, o governo não deixará que a crise contamine o Brasil. "Nos preparamos para alta do PIB de 5% em 2012. Esta é a nossa meta", disse. O governo quer continuar estimulando o investimento, afirmou.
O ministro acredita que com a inflação sob controle as medidas irão aquecer a economia. O aumento do consumo não deve afetar a subida de preços. Ele disse que o País terá taxas menores de inflação já no fim do ano. Mantega disse considerar o endividamento das famílias normal e sustentável.
A desoneração de IOF no crédito somará R$ 130 milhões. Na linha branca, a soma é de R$ 164 milhões. Mantega ressaltou que o governo deverá freiar os gastos já que a arrecadação irá diminuir

Blackstone e Bain querem comprar Yahoo por US$ 25 bi 01/12/2011

DA REUTERS
O Blackstone Group e a Bain Capital estão preparando, com sócios asiáticos, uma oferta de compra integral do Yahoo, em uma transação que avalia o site em cerca de US$ 25 bilhões, informou uma fonte próxima da situação, no final da quarta-feira.
A potencial oferta do consórcio, que incluiria o chinês Alibaba Group, e a japonesa Softbank, ainda não está finalizada, disseram a fonte e duas outras pessoas que conhecem o assunto.
O Alibaba, gigante chinês do comércio eletrônico cujo interesse primordial é a recompra dos 40% de participação acionária que o Yahoo detém em seu capital, está mantendo suas opções em aberto e disse que não decidiu ainda se participará de uma oferta pela aquisição integral do Yahoo.
"O Alibaba Group não tomou ainda qualquer decisão de participar de uma oferta pela íntegra do Yahoo", afirmou o porta-voz da companhia, John Spelich, em comunicado distribuído via email.
As ações do Yahoo, que fecharam em US$ 15,71 na Bolsa de Nova York quarta-feira, subiram em 6,4%, para US$ 16,72, depois do fechamento do pregão, o que confere à empresa valor de mercado superior a US$ 20 bilhões.
"O Alibaba definitivamente deseja recomprar a participação que o Yahoo detém na empresa, e portanto o que quer que permita que eles o façam será algo que tentarão", disse Dick Wei, analista do JPMorgan em Hong Kong, acrescentando que o Alibaba pode financiar a transação assumindo maiores dívidas ou encontrando um comprador estratégico.
O Alibaba, dirigido pelo bilionário Jack Ma, fundador e presidente-executivo do site, tem ligações com alguns dos mais conhecidos fundos mundiais de capital privado, e um grupo de investidores que inclui o fundo Silver Lake adquiriu participação acionária de 5% na companhia em dezembro, por US$ 1,6 bilhão.
Uma oferta de mais de US$ 20 por ação do Yahoo significaria valor de transação de US$ 25 bilhões, tomando por base o 1,24 bilhão de ações em circulação, o que faria da transação a maior aquisição alavancada dos últimos anos.
Blackstone, Bain e Softbank não quiseram comentar, e não foram localizados representantes do Yahoo para comentário imediato.

Expectativa de vida sobe 11 anos em três décadas, diz IBGE 01/12/2011

A expectativa de vida ao nascer alcançou 73,5 anos no Brasil em 2010, segundo pesquisa divulgada nesta quinta-feira pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).


A divulgação da pesquisa Tábua Completa de Mortalidade ocorre anualmente desde 1999, atendendo a um decreto federal que exige sua publicação no "Diário Oficial da União". O levantamento mostra a expectativa de vida ao nascer e em cada idade até os 80 anos.
Além de ser um indicador da qualidade de vida da população, os dados têm sido usados pela Previdência Social como um dos parâmetros do fator previdenciário usado no cálculo das aposentadorias.
A pesquisa é uma projeção com base na mortalidade calculada em anos anteriores, a taxa de mortalidade infantil e as estatísticas de óbitos.
Em 1980, a expectativa calculada pelo IBGE foi de 62,5 anos, o que aponta um crescimento de 11 anos em três décadas. Na última década, o crescimento proporcional entre 2000 e 2010 foi de 4,26%.
Ano Expectativa de vida ao nascer Crescimento sobre ano anterior
1980 62,5 -
1991 66,9 -
1998 69,7 -
1999 70,0 0,43%
2000 70,5 0,71%
2001 70,7 0,28%
2002 71,0 0,42%
2003 71,3 0,42%
2004 71,7 0,56%
2005 71,9 0,28%
2006 72,3 0,56%
2007 72,6 0,41%
2008 72,9 0,41%
2009 73,2 0,41%
2010 73,5 0,41%
Fonte: Tábuas Completas de Mortalidade e "Projeção da População do Brasil" - IBGE
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'Sede de Justiça' reflete sobre os países do sul 01/12/2011

 
Por Assis Ribeiro

Do swissinfo.ch

"O mundo desenvolvido vive às custas do Sul"
Por Rosa Amelia Fierro, swissinfo.ch
A criação de uma Corte Penal Internacional do Meio Ambiente seria um passo para a justiça ecológica. Puniria os responsáveis pelos danos à natureza, que até hoje são impunes.
A proposta, agora publicada em livro, é do pacifista argentino Adolfo Pérez Esquivel na Conferência Mundial dos Povos sobre a Mudança Climática e os direitos da Mãe Terra, realizada na Bolívia em 2010. A proposta inclui ainda a criação de tribunais regionais

Esse discurso do Prêmio Nobel da Paz 1980 é publicado pela primeira vez em Sede de Justiça, perspectivas para a superação da fome. Neste livro, vinte personalidades latino-americanas e europeias, inclusive suíças, refletem sobre as questões atuais.
A publicação também apresenta a ABAI, organização de ajuda fundada há 30 anos no Brasil pela suíça Marianne Spiller-Hadorn. "Sede de Justiça, resulta de um movimento mundial de resistência contra um modo de vida e de economia que só cria pobreza, concentra riqueza e destrói as bases fundamentais da vida", explica à swissinfo.ch.
Desenvolvimento não é só crescimento econômico
A mudança climática é a prova mais clara de que a Terra está ferida e doente. "Enquanto os países do norte são em grande parte responsáveis da atual crise alimentar e climática, os países do sul carregam o maior fardo", denuncia Pérez Esquivel no livro.
Ele também critica os governos dos países do sul por não terem uma política própria, independente dos centros de poder econômico e político e questiona o conceito de desenvolvimento. "Muitos o reduzem à dimensão econômica, ao crescimento ilimitado da produção e do consumo. Porém este modelo capitalista e neoliberal converte o desenvolvimento em pura exploração do sul pelo norte, dentro de uma ordem econômica injusta."
Para sair desse paradigma, Pérez Esquivel propõe "se inspirar na cosmovisão dos povos indígenas que internalizaram o vínculo com a Mãe Terra."
Os direitos da natureza foram reconhecidos na Constituição do Equador em 2008. O presidente boliviano Evo Morales lançou a iniciativa para redigir a "Declaração Universal dos Direitos da Mãe Terra", que Pérez Esquivel incita a apoiar.
Protocolos e soluções falsas
Uma consequência do culto ao consumo é a mudança climática. Aqui o norte tem uma dívida com sul, mas não está disposto a pagar, como demonstram os Protocolos de Copenhague, Rio e Kioto, afirma Pérez Esquivel.
"O objetivo do norte é explorar todos os recursos para manter seu nível de vida e consumo. Nenhum desses países cumpre os objetivos do Protocolo de Kioto. Um exemplo extremo é Estados Unidos."
Esses países promovem ainda soluções equivocadas como o mercado de CO2, mecanismo que só estabeleceu o direito de poluir. O norte não reduziu seus níveis de poluição. Estes supostamente seriam compensados com o financiamento de projetos no sul, que ao final só criam novos problemas sociais e catástrofes ambientais, sublinha.
É por isso que o Nobel da Paz insiste em criar uma Corte Internacional do Meio Ambiente. "Os povos devem ter a possibilidade de agir diretamente nessa instância. Com ela acabaria a impunidade das multinacionais que se apoderam de bens comuns.
‘Swissness’ na cooperação
Existe alguma particularidade (swissness) na forma como a Suíça apoia projetos de cooperação internacional? Richard Gerster, consultor em questões norte-sul e ex-diretor da ong Aliança Sul considera que sim e cita três elementos: "A escolha de aspectos essenciais baseada no que a Suíça conhece bem – sua tradição federalista, sua sociedade civil, sua formação profissional prática – sua preferência por regiões montanhosas e seu compromisso com questões financeiras e ambientais."
 
Swissness também significa colocar a parceria no centro, dar-lhe prioridade e promover suas capacidades pessoais e profissionais. Dar destaque a valores como precisão e escrúpulos, ponderar o caminho até atingir a meta, o processo, segundo Gerster.
Ponto fraco é a coerência
No entanto, segundo Gerster, falta coerência à Suíça em sua política para América Latina, África e Ásia. "É incoerente ajustar a política exterior a vantagens econômicas a curto prazo."
Nos anos 1990, o governo suíço definiu cinco objetivos fundamentais de sua política externa: proteger e promover a paz e a segurança; impulsionar os direitos humanos, a democracia e o Estado de direito; fomentar o bem-estar; reduzir as desigualdades sociais e proteger os fundamentos de vida natural. Esses objetivos foram abandonados no recente informe sobre política exterior, critica Gerster.
O caso do cacau ilustra o papel ambíguo e contraditório da Suíça: Gana é o maior exportador do grão, mas não processa o cacau. O grão não processado não tem barreiras alfandegárias. Um chocolate produzido em Gana, paga um imposto de mais de 50 francos por 100 quilos. Por um lado, limita-se a indústria de Gana; por outro, a cooperação ao desenvolvimento tenta contribuir a criar trabalho e faturamento.
O fato de que neste livro se exprimam personalidades do norte e do sul indica que devemos falar mais uns com os outros, afirma seu editor, Thomas Gröbly.
"É injusto quando alguém vive à custa dos outros", destaca o professor de ética. "Uma injustiça que impera na relação norte-sul e em toda sociedade. Por isso, levar a sério a sede de justiça significa instituir uma economia e condições de comércio justas, sociais e ecológicas, mesmo que quando isso vai contra nossos interesses."

A Europa de hoje e os EUA de ontem 01/12/2011

 
Por raquel_

Do Wall Street Journal

A Europa de hoje será pior para a economia global que os EUA de 2008?
Por DAVID WESSEL
Será que os líderes europeus vão hesitar, tropeçar, distorcer a realidade e ignorar o perigo iminente ao ponto de prejudicar a economia mundial ainda mais que os Estados Unidos em 2008?
Ninguém no comando da Europa tem a intenção de fazer isso. Mas quando assistimos às suas conferências agora frequentes — em que sempre prometem chegar mais perto da solução que na reunião anterior — surge uma preocupação crescente de que a Europa não fará o que é preciso a tempo.
Os alarmes têm soado cada vez mais altos nos últimos dias. O ministro das Relações Exteriores da Polônia declarou em Berlim que "temo menos o poder alemão do que começo a temer a inação alemã". O presidente do banco central do Japão alertou para um "ciclo vicioso" em que a falta de confiança nos governos europeus "aumentou os temores de instabilidade no sistema financeiro, o que por sua vez começou a afetar a atividade econômica" em lugares tão distantes quanto a Ásia.
A vice-presidente do Federal Reserve, o banco central americano, disse que "aumentaram significativamente os riscos de crise na economia mundial", principalmente devido à "intensificação do estresse no sistema bancário e nos mercados de dívida soberana da Europa". E o principal economista da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico também já avisou: "Os políticos não estão enxergando como é urgente realizar uma ação decisiva".
Os bancos americanos ficaram em maus lençóis em 2008 e foram resgatados pelo governo. Na Europa, são os governos que estão em apuros, embora os bancos também não estejam em melhor estado, pois aplicaram demais em títulos de dívidas governamentais. Os participantes da ciranda que têm dinheiro — a Alemanha e o Banco Central Europeu — reclamam dos pacotes de resgate, determinados a manter a pressão nos devedores para mudar o modo como agem.
É difícil ter uma perspectiva de acontecimentos que ainda estão se desenrolando. As coisas pareceram péssimas no colapso do Lehman Brothers em 2008. Não sabíamos que o Fed iria resgatar a AIG e os que tinham apostado no seu cassino. Também não sabíamos que o Congresso iria [relutantemente] dar US$ 700 bilhões ao Tesouro para injetar nos bancos, que um novo presidente conseguiria a aprovação de um pacote substancial de estímulo, e que o Fed compraria centenas de bilhões de dólares em Treasurys. Não sabíamos que lá para meados de 2009, a economia dos EUA já estaria crescendo, embora lentamente.
Tudo que sabemos sobre a Europa atualmente é que o realizado até agora foi insuficiente, a maioria dos economistas já coloca a zona do euro em estado de recessão — e há uma conferência amanhã e na sexta-feira.
A Europa em 2011 difere dos EUA em 2008. O Estado americano estava sólido em 2008 e a sobrevivência de sua moeda era inquestionável. A Europa se parece mais com os EUA de 1777 a 1789, época dos Artigos da Confederação, uma negociação cheia de falhas entre a centralização e a descentralização que deu lugar à Constituição e a um governo federal mais forte.
O mundo não pode ficar esperando que os arquitetos desenhem seus planos de uma Europa nova e melhorada. Mark Rutt, o primeiro-ministro da Holanda, me disse esta semana que a Europa pode apagar esse incêndio e impedir o próximo. O economista David Mackie, do J.P. Morgan, questiona isso.
"Os políticos da zona do euro vêm tentando descobrir como sair da crise atual e criar uma estrutura institucional adequada", diz ele. Infelizmente, acrescenta, "a tentativa de alcançar esses objetivos simultaneamente [...] contribuiu para piorar a crise".
A economia mundial agora também está em risco. A Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico, uma coalizão de países ricos sediada em Paris, afirma que sua melhor previsão é que a economia vai "passar de raspão". O crescimento nos EUA vai se desacelerar, o que manterá o desemprego bem acima de 8,25% até o fim de 2013. A recessão na Europa manterá o desemprego da região acima de 10%.
A OCDE delineou esta semana um cenário mais pessimista que pode ocorrer se houver uma moratória "desorientada", ou não-negociada, de um governo da zona do euro. Ela prevê que os juros da dívida dos maioria dos governos europeus vão subir ainda mais, investidores e bancos do mundo inteiro terão prejuízos, as bolsas mundiais vão cair e haverá fuga em massa do risco. O que viria depois seria uma recessão mundial, com declínios substanciais nos EUA e no Japão e "uma recessão profunda e prolongada na zona do euro". Os mercados emergentes não ficariam imunes, já que cairiam as exportações e o preço das commodities.
Os bancos europeus — que já enfrentam problemas para tomar dólares emprestados, exigências de reservar mais capital e aplicações em títulos de dívida soberana que podem não valer o que foi contabilizado — estão liquidando ativos e recuando dos mercados emergentes.
De maneiras significativas o mundo talvez esteja menos resistente que em 2008.
A China e outros grandes países emergentes estão se desacelerando. Metade das economias dos países ricos tem tanta dívida que não pode arcar com mais uma rodada de estímulo fiscal, afirma a OCDE; em várias outras, há forte resistência política. As autoridades do Fed acreditam que os remédios que ainda podem ministrar não são muito potentes. O Congresso proibiu que o Tesouro faça como 2008 e garanta fundos mútuos do mercado monetário ou permita que a Federal Deposit Insurance Corp., a agência de seguro-depósito do país, cubra passivos bancários que não são depósitos. O Fundo Monetário Internacional não chega nem perto de ter dinheiro suficiente para resgatar a Europa.
As autoridades americanas estavam despreparadas para setembro de 2008 e não acertaram em todas as decisões posteriores. Mas elas reagiram com o que chamam de "força esmagadora", e a economia mundial se beneficiou disso. Agora é a vez da Europa