quinta-feira, 1 de março de 2012

Alemanha e França aumentam estoque de petróleo, diz ‘FT’ 01/03/2012

Países vêm comprando petróleo e produtos refinados desde o início do ano


Renan Carreira, da Agência Estado
LONDRES - A Alemanha e a França vêm comprando petróleo e produtos refinados de petróleo para suas reservas estratégicas desde o início do ano, de acordo com uma reportagem desta quinta-feira do jornal Financial Times, que cita executivos da indústria e a agência estatal francesa de armazenamento.
A Agência Nacional de Armazenamento de Petróleo da Alemanha recebeu uma carga de 600 mil barris de petróleo do Mar do Norte em janeiro. Já a agência de armazenamento da França fez uma oferta para comprar 2,3 milhões de barris de diesel em fevereiro, segundo o FT.
A medida para aumentar os estoques em meio à alta do petróleo pode ser um sinal de que a França e a Alemanha estão se preparando para possíveis interrupções do fornecimento pelo Irã, disse o jornal, citando analistas.

O Irã exporta cerca de 20% de seu petróleo, em torno de 600 mil barris por dia, para a União Europeia (UE), a maior parte para Itália, Espanha e Grécia.

As informações são da Dow Jones.

Irã aceita pagamento em ouro em exportações de petróleo 01/03/2012




TEERÃ – Sofrendo com as sanções impostas pelos EUA e pela União Europeia, o Irã decidiu aceitar ouro como pagamento pela exportação de seu combustível. A informação foi confirmada pelo presidente do Banco Central iraniano, Mahmoud Bahmani, em entrevista nesta quarta-feira à agência de notícias estatal do governo de Teerã, a IRNA.
- Em transações com outros países, o Irã não se limita ao dólar americano. Nosso parceiro pode pagar com sua própria moeda e, se o país desejar, ele pode pagar até em ouro. Nós iremos aceitar ouro sem nenhum problema – reforçou Bahmani.
A UE e os EUA impõem sanções econômicas ao Irã com o objetivo de fazer o país desistir de seu programa nuclear, que estaria investindo na criação de armas, segundo as potências ocidentais. No entanto, Teerã afirma que as intenções de suas pesquisas são pacíficas e resiste à pressão. As sanções do Ocidente incluem a proibição gradual da importação de petróleo do Irã, que os EUA, a UE e aliados como Japão e Coreia do Sul irão implementar até julho.
China e Índia, os maiores compradores do petróleo iraniano, não aderiram ao boicote. Mesmo assim, o valor da moeda corrente iraniana, o rial, caiu, gerando uma forte inflação dos preços gerais em todo o país.
Agência O Globo

Venezuela enviou 600 mil barris de petróleo à Síria 01/03/2012



O ministro venezuelano de Petróleo e Mineração, Rafael Ramírez, confirmou na quarta-feira que a Venezuela enviou 600 mil barris de petróleo para a Síria no fim do ano passado e início de 2012, e acrescentou que o país está disposto a continuar a abastecer a nação árabe.
"A Síria nos pediu em duas oportunidades carregamentos de diesel e nós demos, 300 mil barris em cada uma, e se voltarem a nos solicitar, enviaremos mais", afirmou Ramírez aos jornalistas durante um percurso pelas instalações da Faixa Petrolífera de Orinoco.
"A Venezuela é um país soberano, temos uma grande quantidade de acordos com a Síria, e de fato estamos fazendo uma refinaria conjunta", disse Ramírez.
O ministro e presidente da estatal Petróleos de Venezuela (PDVSA) ressaltou, além disso, que a Síria é um país que está sendo "fustigado pelo imperialismo" e "potências europeias" que querem "derrubar" o atual governo.
Ramírez também advertiu na segunda-feira que a Venezuela não suprirá o petróleo que o Irã eventualmente deixe de vender a seus compradores tradicionais devido às nações contra o país árabe.
"A Venezuela não tem intenção de suprir nenhum tipo de falta de provisão da República Islâmica do Irã", indicou o ministro. Os dois países são membros da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep).
Em 16 de fevereiro, o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, evitou responder se a Venezuela teria enviado combustível à Síria. "Essa é a resposta que te dou: somos um país livre", disse na ocasião.
A Síria está submetida a sanções econômicas por parte dos Estados Unidos e da União Europeia (UE) como consequência da repressão do regime de Bashar al Assad contra a população civil.
No final de janeiro, a UE aprovou sanções nos setores energético, financeiro, bancário e comercial em coordenação com os EUA. O embargo atinge 74 pessoas, vinte companhias e o petróleo sírios, embora não existam sanções contra quem enviar esse produto para o país árabe.
EFE

São Paulo é campeão em conflitos fundiários 01/03/2012

Nos últimos nove anos, São Paulo foi o estado com mais zonas de conflitos fundiários urbanos. Segundo o Ministério das Cidades, foram 32 casos desde 2003. No Rio de Janeiro, foram 26. O emblemático caso do Pinheirinho, em São José dos Campos, ilustra o processo que, segundo Guilherme Boulos, coordenador nacional do Movimento dos Trabalhadores e Trabalhadoras Sem-Teto, tem base na especulação imobiliária. No Brasil, foram 192 casos.
Destroços do assentamento Pinheirinho, em São José dos Campos, que sofreu reintegração de posse no início do ano. Foto: Murilo Machado
Para atrair empreendimentos imobiliários de classe média, comunidades sofrem ações de despejo cotidianamente. Pelo seu tamanho e excesso de violência, o caso do Pinheirinho ganhou destaque na mídia nacional e internacional. Mas, segundo o líder, o processo de desocupação é cotidiano. “Lamentável é que foi preciso ocorrer algo como Pinheirinho para que esse problema recebesse atenção”, afirma Boulos.
Ele observa que as regiões metropolitana de São Paulo, Campinas e São José dos Campos são as que mais sofrem com ordens de despejo. “A zona sul de São José [onde ocorreu o Pinheirinho] concentra mais de 50% dos novos empreendimentos na cidade”, observa Boulos. Matéria de CartaCapital mostrou que o valor do terreno do assentamento cresceu 25 vezes desde o início da ocupação.


Municípios que eram cidades dormitório assistem uma invasão brutal do capital imobiliário, transformando bairros operários em bairros de classe média. É o caso, conta Boulos, de Taboão da Serra, município da grande São Paulo. Morador da região, ele conta que, em 2010, um pequeno construtor entrou na Justiça para pedir a reintegração de posse de uma área de interesse social. Locais com essa classificação têm um custo inferior. Assim que foi feita a reintegração de posse, o terreno foi vendido à construtora Cyrela.
O curioso, nesse caso, é que, segundo ele, o comandante da Polícia na época, o Tenente-Coronel Adilson Paes agiu de modo a só realizar a reintegração quando os moradores do assentamento já tivessem em mãos o aluguel social e, portanto, não ficassem desabrigados como no caso Pinheirinho.
Em oposição, os movimentos por moradia no Brasil chegam a 200 mil filiados, segundo levantamento do jornal O Estado de S. Paulo. Segundo Boulos, o perfil do morador que reside em assentamento é aquele de trabalhadores, muitas vezes desempregados, ou com condições precárias de emprego. Segundo o último levantamento da Fundação João Pinheiro, 90% dos assentados recebem entre 0 e 3 salários mínimos. “Muitos têm de fazer a escolha entre pagar o aluguel ou comprar o leite do filho e acabam sendo despejados de suas casas”, comenta. Integrante do movimento desde 2002, Boulos afirma que, nos últimos anos, houve uma diminuição de moradores desempregados, ao mesmo tempo em que aumentou o número de pessoas com uma inserção precária no mercado de trabalho – terceirizados, ou sem emprego fixo – e sem acesso à moradias.
É natural que os conflitos se centrem nas cidades”, oferece Boulos. Outro fator, que, segundo ele, foi decisivo nos últimos cinco anos para o aumento dos conflitos por terras é o aumento do investimento público no setor imobiliário. Programas como o PAC, Minha Casa, Minha Vida e empréstimos do BNDES fortalecem as construtoras e incorporadoras. “O nível de inserção de dinheiro público agora é outro”, explica. “A ocupação é uma expressão política necessária para que o direito a moradia seja garantido.
Sobre a possibilidade de negociações com o governo, Boulos comenta que encontra dificuldade, tanto na esfera federal quanto com governos estaduais. No caso de São Paulo, diz, é ainda mais difícil. “O PSDB tem um comprometimento umbilical com esse setor do capital”, argumenta. Já o governo federal, do PT, diz, senta à mesa para discutir. Mas as conversas, quase sempre, são infrutíferas. “Há uma diferença de perfil do governo federal. Mas do ponto de vista da efetividade política de enfrentamento da especulação, democratização do solo urbano, isso não existe no estado brasileiro.”


Fonte:Carta Capital

Setor público tem superávit primário recorde de R$ 26 bi em janeiro 29/02/2012

Esse foi o melhor resultado para o mês de janeiro desde o início da série em 2001


Adriana Fernandes e Fernando Nakagawa, da Agência Estado
BRASÍLIA - As contas do setor público fecharam o mês de janeiro com superávit primário de R$ 26,016 bilhões, segundo dados do Banco Central. Enquanto as contas do Governo Central tiveram superávit de R$ 20,233 bilhões, os governos regionais (Estados e municípios) tiveram um saldo positivo de R$ 5,236 bilhões. Esse desempenho favorável das contas dos Estados e municípios ajudou a aumentar o resultado em janeiro.
O superávit é recorde. Esse foi o melhor resultado para o mês de janeiro desde o início da série em 2001. Esse resultado favorável foi obtido não só por um esforço fiscal maior do Governo Central, obtido graças ao anúncio da arrecadação, mas também por conta de um desempenho muito forte dos Estados, que registraram superávit primário de R$ 4,624 bilhões. Os municípios tiveram um saldo positivo de R$ 612 milhões.
O resultado primário superou as estimativas mais otimistas dos analistas consultados pelo AE Projeções. As 13 instituições do mercado financeiro consultadas detinham estimativas para o dado de janeiro que variavam de R$ 22,7 bilhões a R$ 25,4 bilhões.
As empresas estatais, por outro lado, também registraram um superávit de R$ 547 milhões. Enquanto as empresas estatais federais tiveram um superávit de R$ 186 milhões, as empresas estatais estaduais registraram um resultado positivo de R$ 454 milhões. Já as municipais registraram déficit primário de R$ 92 milhões.
Em 12 meses até janeiro, o superávit primário das contas do setor público consolidado subiu de 3,11% para 3,30%, o equivalente a R$ 136,978 bilhões.
Resultado nominal
O setor público consolidado encerrou janeiro com superávit nominal de R$ 6,355 bilhões. O valor mostra reversão quando comparado a igual mês de 2011, quando o setor público amargou déficit nominal de R$ 1,532 bilhão. Entre os componentes para o resultado do mês passado, os governos regionais responderam pela maior fatia do resultado, com saldo nominal positivo de R$ 3,749 bilhões, sendo que a maioria dessa cifra foi obtida pelos governos estaduais, que terminaram o mês passado com o desempenho positivo de R$ 3,536 bilhões.
No acumulado em 12 meses até janeiro de 2012, o setor público amarga déficit nominal de R$ 100,076 bilhões, o equivalente a 2,41% do PIB. O porcentual é inferior do que o resultado em dezembro de 2011, quando correspondia a 2,61% do PIB.
Dívida
A dívida líquida do setor público voltou a subir em janeiro e alcançou o equivalente a 37,2% do Produto Interno Bruto (PIB) no mês passado. Segundo o Banco Central, o valor é superior aos 36,5% registrados em dezembro de 2011. O aumento do indicador no mês passado aconteceu especialmente graças à variação cambial de 7,3%, o que aumentou o indicador em 1 ponto porcentual, e à apropriação de juros, que somou outro 0,5 ponto à dívida. Segundo o BC, a dívida líquida em janeiro equivalia a R$ 1,544 trilhão. 
Juros
As despesas com juros do setor público somaram em janeiro R$ 19,661 bilhões. O valor é um pouco maior do que os gatos com juros em janeiro do ano passado, que somaram R$ 19,281 bilhões. Em 12 meses até janeiro, os gastos com juros somam R$ 237,054 bilhões, o equivalente a 0,71% do PIB.
O chefe do departamento econômico do Banco Central, Túlio Maciel, informou que a conta para pagar juros da dívida pública no mês passado é o maior resultado da série histórica.
Em entrevista para comentar o desempenho das contas públicas em janeiro de 2012, Maciel informou que, a despeito desse recorde, a perspectiva para a conta de juros é de queda nos próximos meses. Segundo ele, a despesa acumulada em 12 meses deverá recuar do patamar atual correspondente a 5,71% do PIB para 4,3% até o fim do ano.
Entre os fatores que devem contribuir para a redução dessa conta, está o efeito acumulado da redução do juro básico da economia, a taxa Selic, desde agosto do ano passado e a esperada desaceleração dos índices de inflação, como o IPCA e IGP-M, que também remuneram parcela importante da dívida pública.
Governos Regionais
Um dos destaques das contas públicas no mês de janeiro foram os governos regionais, especialmente os estaduais. Segundo o chefe do Departamento Econômico do Banco Central, Túlio Maciel, a economia feita para o pagamento de juros da dívida, o chamado superávit primário, em janeiro pelo conjunto dessas instâncias - Estados e municípios - e também a realizada exclusivamente pelos governos estaduais foram as maiores da série.
Maciel explicou que o crescimento da economia favorece os números e ajuda na arrecadação de impostos. Ele citou, por exemplo, que a arrecadação com o ICMS tem crescido a um ritmo próximo de 13% nos últimos meses. "Isso tem ajudado bem", disse. Maciel informou que os dados registrados até agora não mostram aumento expressivo nos repasses federais aos governos regionais, o que, em tese, também poderia ajudar essas instâncias.
No acumulado em 12 meses, o superávit primário dos governos regionais também é o maior da série, informou Maciel.

Reservas rendem R$ 43,3 bilhões ao País em 2011 29/02/2012


BC gastou R$ 30,6 bi para manter ativos internacionais, mas câmbio mais que compensou essa perda


Renata Veríssimo e Eduardo Cucolo, da Agência Estado
SÃO PAULO - O custo de manutenção das reservas internacionais em 2011 foi de R$ 30,6 bilhões, segundo o balanço do Banco Central (BC) aprovado hoje pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).

No entanto, o diretor de administração do BC, Altamir Lopes, disse que a depreciação cambial de 12,6% no período fez com que o BC tivesse um ganho de R$ 43,3 bilhões com as reservas. A correção cambial rendeu ao BC R$ 73,9 bilhões no ano passado.
Somente no segundo semestre, a depreciação cambial foi de 20,17%. Por conta disso, o BC terá que transferir ao Tesouro nos próximos dez dias úteis R$ 90,240 bilhões a título de equalização cambial das reservas no segundo semestre de 2011. O número é a diferença entre um ganho cambial de R$ 105,14 bilhões no segundo semestre e um custo com as reservas de R$ 14,9 bilhões no mesmo período.
No primeiro semestre, o BC teve um prejuízo de R$ 46,199 bilhões com a manutenção das reservas, incluindo o custo e a variação cambial. Esse valor dos primeiros seis meses de 2011 já havia sido coberto pelo Tesouro no início deste mês. (Renata Veríssimo e Eduardo Cucolo)
 

"Operação na Europa faz BC intervir no mercado de câmbio" 29.02.12



A expectativa de o Brasil receber parte dos 529 bilhões de euros emprestados pelo Banco Central Europeu (BCE) para instituições financeiras forçou uma rodada dupla de intervenções do BC brasileiro ontem no mercado de câmbio local. A operação feita na Europa fez com que o dólar abrisse o dia em firme tendência de queda. Com a moeda na casa do R$ 1,68, o BC voltou a agir. As operações deram resultado e a moeda encerrou os negócios em alta de 0,82%, a R$ 1,7160, maior valor em duas semanas.Poucas horas após o BCE anunciar que injetou mais de meio trilhão de euros nos bancos, os negócios abriram no Brasil com forte demanda pelo real. O interesse pela moeda brasileira era, segundo analistas, apenas uma amostra da avalanche de recursos que podem ingressar no País na esteira da superinjeção de liquidez nos bancos europeus. Isso porque parte dos recursos emprestados pelo BCE pode rumar para mercados emergentes atrás dos juros. Para evitar o derretimento das cotações no câmbio brasileiro, o BC anunciou hoje, antes das 10h, uma intervenção no mercado futuro com a oferta de contratos de swap cambial reverso - operação que equivale à compra de dólares. Na operação, o BC comprou o equivalente a US$ 1,52 bilhão. Pouco antes do meio-dia, nova intervenção, desta vez no mercado à vista."A tendência é de que o BC fique ainda mais atuante. Acho que a frequência das ações do governo deve voltar ao que era no primeiro semestre do ano passado com, por exemplo, compras mais próximas à frequência diária", diz o economista da Rosenberg & Associados, Rafael Bistafa.Para o Brasil, o transtorno causado pela operação europeia é que muitos agentes tomam emprestado o dinheiro barato oferecido por Frankfurt para, além de resolver problemas de liquidez, investir em ativos rentáveis, já que o dinheiro extra aumenta a propensão ao risco. Nessa escolha por rentabilidade, aplicações brasileiras têm sido uma opção frequente.Além disso, em uma segunda etapa, o aumento de dinheiro "sobrando" nas mãos de investidores tende a elevar o preço das commodities, o que também beneficia o ingresso de dólares via valor das exportações, explica Bistafa.Dados apresentados ontem pelo BC mostram que a entrada de dólares no Brasil em fevereiro, até sexta-feira passada, ultrapassou as saídas em US$ 5,25 bilhões. O movimento das últimas duas semanas, porém, foi inverso: a remessa para o exterior superou o ingresso em US$ 2,37 bilhões. "A superlativa presunção de que estão sobrando dólares e que o BC está em uma queda-de-braço com o mercado para sustentar o preço da moeda perde fundamento quando se verifica essa saída", diz o diretor-executivo da NGO Corretora de Câmbio, Sidnei Nehme.Operadores, porém, argumentam que a saída recente de dólares coincide com os dias antecedentes e posteriores ao Carnaval. Portanto, o movimento pode ser considerado atípico e boa parte do mercado prevê a retomada do ingresso mais forte de dólares, exatamente como visto no início do mês.