sexta-feira, 29 de junho de 2012

Comboios militares da Turquia seguem para fronteira com Síria 29/06/2012

Soldados e veículos militares turcos se dirigiram nesta quinta-feira para a fronteira com a Síria, depois de o primeiro-ministro Tayyip Erdogan ordenar que suas forças reajam a qualquer ameaça feita pela Síria.
A mobilização militar ocorre depois de a Síria ter abatido um caça da Força Aérea turca, na sexta-feira. As relações entre os dois países, outrora aliados, já atravessavam uma fase ruim por causa da proteção dada pela Turquia a rebeldes que combatem o regime do presidente sírio, Bashar al Assad.
“Posso confirmar que há tropas sendo mobilizadas ao longo da fronteira na província de Hatay. A Turquia está tomando precauções depois de seu jato ser abatido”, disse um funcionário do governo turco, pedindo anonimato.
Ele disse não saber quantos soldados ou veículos estavam sendo envolvidos, mas acrescentou que também há baterias antiaéreas sendo instaladas nas localidades fronteiriças de Yayladagi, Altinozu e Reyhanli.
A agência turca de notícias Dogan mostrou um comboio saindo de um quartel na cidade de Gaziantep com direção à fronteira. Estradas foram interditadas para a passagem do comboio.
A imprensa turca também mostrou na quarta-feira outro comboio saindo da cidade litorânea de Iskenderun e se instalando perto da fronteira, a 50 quilômetros de distância.
Na quinta-feira, um repórter da Reuters na mesma área viu outro caminhão grande, levando um canhão antiaéreo.
Erdogan disse que qualquer elemento militar tido como ameaçador e que vá na direção da fronteira com a Turquia será declarado um alvo militar válido. A preponderância de armas antiaéreas no comboio sugere que a Turquia está se preparando para a possível aproximação de aviões e helicópteros sírios.
A agência estatal de notícias Anatólia noticiou mobilizações de veículos blindados também em Sanliurfa, no meio da fronteira sírio-turca, e Hatay, província litorânea turca que se projeta no território sírio.
Detalhes específicos das novas regras turcas de abordagem militar não foram divulgadas.
Ancara diz que o incidente com seu caça F4, na semana passada, aconteceu sobre águas internacionais, mas Damasco alega que o avião penetrou em seu espaço aéreo.
A região turca na fronteira com a Síria abriga atualmente mais de 33 mil refugiados do conflito interno sírio, além de elementos do grupo rebelde Exército Sírio Livre. (Reportagem adicional de Jonathon Burch em Ancara)

Chávez: "Um dia histórico" 29/06/2012


Chávez: Foto: Carlos Garcia Rawlins/Reuters

Presidente venezuelano comemorou o ingresso do seu país no Mercosul, avisou que isso terá “ressonância geopolítica” e deixou claro que falará grosso com o atual governo paraguaio, que estaria causando “grande dano” à América Latina



247 – O presidente venezuelano Hugo Chávez acaba de conceder uma entrevista à rede estatal teleSUR, em que celebrou o ingresso do seu país, como membro pleno, do Mercosul, tratado de livre comércio que incluía, nesta condição, apenas Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai, os países do Cone Sul. “Estávamos esperando por essa decisão havia muitos anos”, disse Chávez. “É um dia histórico, que celebra uma vitória da ética, da justiça e da integração”, disse ele.
Em sua entrevista, o presidente venezuelano considerou ainda a decisão como uma “lição de política para os enclaves autoritários, que são herdeiros de ditaduras políticas”, num claro recado endereçado ao Paraguai. Eram justamente os parlamentares paraguaios que vinham vetando o ingresso da Venezuela no Mercosul – e a decisão de aceitar o país de Chávez ocorreu no mesmo dia em que o Paraguai foi suspenso do bloco. “Essa trava do Congresso paraguaio vinha causando grande dano à América Latina e ao próprio Paraguai”, disse o presidente venezuelano. Ele afirmou que vinha lutando há vários anos, mas enfrentava barreiras colocadas por “enclaves autoritários”.
Chávez destacou ainda que o ingresso do seu país no bloco terá grande ressonância geopolítica. A Venezuela é um dos maiores produtores de petróleo do mundo, membro da Opep e próxima a regimes como os de Teerã, de Mahmoud Ahmadinejad, e da Síria. O país também tem sido um dos principais compradores de armas da Rússia nos últimos anos.
O ingresso definitivo da Venezuela ocorrerá no dia 31 de julho, num encontro do Mercosul no Rio de Janeiro. “Adotamos de comum acordo esta decisão, que nos honra e que é também uma grande responsabilidade”, disse a presidente argentina Cristina Kirchner, ao anunciá-la.

Mercosul suspende Paraguai e anuncia adesão da Venezuela 29/06/2012

Apesar de suspensão até abril, Paraguai não sofrerá sanções econômicas; anfitriã da cúpula, presidenta argentina diz que Venezuela se tornará membro pleno em 31 de julho

iG São Paulo

Os presidentes do Mercosul anunciaram nesta sexta-feira a suspensão do Paraguai do bloco de comércio até que se celebrem as eleições de abril de 2013, mas sem a imposição de sanções econômicas. As medidas são uma retaliação à destituído, há uma semana, de Fernando Lugo.


EFE
Presidentas da Argentina, Cristina Kirchner, e do Brasil, Dilma Rousseff, são vistas durante cúpula do Mercosul em Mendoza


"O Mercosul suspende temporariamente o Paraguai até que seja realizado o processo democrático que novamente instale a soberania popular no país", disse Cristina ao encerrar a reunião celebrada na cidade argentina de Mendoza (oeste).
Anfitriã do evento, a presidenta da Argentina, Cristina Kirchner, anunciou que a Venezuela se tornará membro pleno do grupo a partir de 31 de julho. A Venezuela, um membro associado do bloco, tentava conseguir o status pleno há anos, mas a iniciativa vinha sendo bloqueada pelos congressistas paraguaios.
"A data e lugar será 31 de julho no Rio de Janeiro, quando a República Bolivariana da Venezuela será incorporada como membro pleno do Mercosul", disse Cristina ao resumir o conteúdo da declaração firmada pelos governantes do bloco.
Ao discursar, a presidenta Dilma Rousseff disse esperar "que a Venezuela formalize a adesão buscada com esforço". Em menção indireta ao Paraguai, Dilma disse que o Mercosul tem "o compromisso democrático" e rejeita "ritos sumários", em uma referência ao rápido impeachment de Lugo. Segundo Dilma, o Mercosul está aberto para a adesão de novos sócios plenos do bloco.
Em Caracas, o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, comemorou a decisão e afirmou que o ingresso do país no Mercosul, após sete anos de espera, representa "uma derrota para o imperialismo americano e as burguesias lacaias da região".
Lugo foi cassado em um processo de impeachment relâmpago pelo Congresso do Paraguai após uma reintegração de posse violenta que deixou 17 mortos entre policiais e sem-terra em uma reserva florestal perto da fronteira do Brasil em 15 de junho.
Na avaliação dos presidentes do Mercosul, "a ordem democrática foi quebrada" no Paraguai porque Lugo não teve tempo hábil para sua defesa. "(Mas o grupo) não acredita em sanções econômicas, porque elas não prejudicam os governos. Elas sempre prejudicam a população", disse Cristina.
O Paraguai é um dos países mais pobres da América do Sul e qualquer sanção econômica teria sido desastrosa, já que metade de seu comércio é com os outros membros fundadores do Mercosul - Argentina, Brazil e Uruguai.
O Mercosul proibiu o sucessor de Lugo, o ex-vice-presidente Federico Franco, de participar do encontro. Franco diz que a transição de poder no Paraguai foi feita de acordo com a lei e que a atual proibição de comparecer aos encontros já é punição suficiente.
A princípio, Lugo disse que compareceria à cúpula para apresentar seu caso para os líderes regionais, mas mais tarde mudou de ideia. Depois declarou-se contrário às sanções econômicas, afirmando que só prejudicariam os paraguaios comuns.
Reuters
Partidários paraguaios e brasileiros do presidente cassado Fernando Lugo reivindicam que ele retorne à presidência em protesto na Ponte de Amizade, que liga Brasil e Paraguai
Apesar da pequena importância geopolítica do Paraguai, a cassação do mandato de Lugo, cuja presidência foi marcada por um diagnóstico de câncer e vários escândalos de paternidade, mergulhou o país em uma profunda crise política e o tornou uma prioridade para os outros líderes da região.
Adesão da Venezuela
A Venezuela fez seu pedido formal de adesão ao bloco em 2005. O pedido foi analisado pelos Congressos dos quatro países-membros. Apenas o Senado paraguaio ainda não havia aprovado a adesão, sob o argumento, de alguns senadores, de que a Venezuela não respeita os valores democráticos exigidos pelo bloco.
Ironicamente, esse foi o mesmo argumento usado pelos sócios do bloco para suspender o Paraguai após o impeachment de Lugo.
Mais cedo, em Assunção, o presidente Franco lamentou a suspensão temporária do Paraguai do Mercosul e não descartou que o país firme um Tratado de Livre Comércio (TLC) com os EUA. “Ao ser suspenso, o Paraguai está liberado para tomar decisões e faremos o que for melhor para os interesses paraguaios”, disse segundo a imprensa paraguaia.
Quando questionado sobre a possibilidade de “negociar acordos comerciais com EUA, China ou outros países”, o presidente paraguaio respondeu: “É uma possibilidade.”
*Com AP, EFE e BBC

quinta-feira, 28 de junho de 2012

DEFESA - R$ 1,527 bilhão do PAC Equipamentos 28/06/2012





Quarenta unidades da Viatura Blindada Guarani foram autorizadas a aquisição pelo PAC Equipamento, serão R$ 342 milhões Foto - DefesaNet




Para a íntegra da apresentação em pdf acesse o link  1,7MB

Brasília, 27/06/2012 –
O Ministério da Defesa terá R$ 1,527 bilhão do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) Equipamentos. Os recursos serão para compra de 4.170 caminhões, 40 carros de combate Guarani e 30 veículos lançadores de mísseis Astros 2020. O repasse do dinheiro foi autorizado, hoje (27), por meio de Medida Provisória assinada pela presidenta Dilma Rousseff em cerimônia ocorrida no Palácio do Planalto. Este programa destinará R$ 8,43 bilhões em 2012 e tem por objetivo estimular a economia brasileira com a ampliação dos investimentos e  geração de emprego e renda.
A MP encaminhada ao Congresso Nacional libera R$ 6,611 bilhões do orçamento que estavam contingenciados. Os detalhes do PAC Equipamentos foram divulgados pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, ao justificar que o governo federal toma tais medidas para estimular a economia nacional. De acordo com o ministro, em função da crise europeia, que tem efeitos imediatos na economia mundial, o governo toma “um conjunto de medidas para ampliar os investimentos, estimular a demanda, aumentar a confiança e acelerar o crescimento”.
Conjuntura econômica

Em discurso, a presidenta Dilma lembrou a conjuntura econômica conturbada pela qual o mundo atravessa e a comparou o momento econômico de 2008, iniciado no setor imobiliário dos Estados Unidos. Ela frisou que a crise do fim da década passada perdura e assume novas formas no momento atual.
“Agora, esse cenário nos preocupa, mas não nos amedronta. É importante ter consciência dele para evitar que nesse momento sejam feitas aventuras fiscais. Nenhum país do mundo, hoje, se permite uma política fiscal que não leve em conta, sobretudo, investimentos. Aventuras fiscais é a gente se comportar como se não estivesse acontecendo nada. Nós não nos amedrontamos, mas não podemos fingir que nada está acontecendo”, disse.
E para fazer frente ao momento atual, segundo destacou, o governo vem tomando medidas que incrementem o mercado interno. No discurso, Dilma Rousseff destacou também a importância do programa na destinação de recursos ao Ministério da Defesa para a compra de equipamentos para as Forças Armadas.
“Todas as compras que nós lançamos antes vão atender às necessidades do povo brasileiro. Eu vou citar: os ônibus para transporte escolar; os caminhões e veículos para as Forças Armadas, que têm de ser reequipadas, na medida em que cumprem um papel essencial; as ambulâncias para expandir o Samu; os caminhões e perfuratrizes para poços artesianos, facilitando o combate à seca; as retroescavadeiras, como eu disse, para manutenção das estradas vicinais; os mobiliários para as escolas públicas”, contou.
Compras da Defesa
O Ministério da Defesa receberá R$ 1,527 bilhão para equipamentos militares desenvolvidos a partir de projetos nacionais fabricados no Brasil. Deste total, R$ 342,4 milhões serão para a compra de 40 blindados Guarani. Como o Exército já tinha encomendado 21 unidades do tanque para este ano, o PAC Equipamentos permitirá que outros 19 Guarani sejam acrescidos à lista.
O plano também prevê R$ 246 milhões para adquirir 30 unidades do Veículo Lançador de Míssil – Astros 2020. Os R$ 939,6 milhões restantes serão para compra de 4.170 caminhões de diferentes tipos e modelos destinados ao transporte de tropas e de cargas, baú, basculante, pipa, combate a incêndio e de uso geral. Esses veículos se somarão aos 900 inicialmente previstos, totalizando encomenda de 5.070 caminhões em 2012.
Sobre os equipamentos:
Blindados - O Guarani é um projeto do Exército Brasileiro. Trata-se do primeiro modelo de uma família de blindados a ser produzida no país, em Minas Gerais, pela empresa Iveco. Esses carros de combate anfíbios sobre rodas substituirão, gradualmente, os atuais blindados utilizados pelo Exército (Urutu, Cascavel), que foram fabricados pela Engesa e estão com mais de 30 anos de utilização.
Astros 2020 - Trata-se de um sistema nacional de lançamento de foguetes e mísseis desenvolvido pelo Exército e fabricado pela empresa Avibrás, de São José dos Campos. Sucesso comercial, o lançador sobre rodas já foi exportado para vários países e vai aparelhar unidades de combate da artilharia do Exército. O 2020 é o modelo mais atual do lançador de foguetes terra-terra.
Benefícios - Os dois projetos (blindados e Astros 2020) são projetos estratégicos e estão em consonância com a Estratégia Nacional de Defesa (END). Deverão constar também no Plano de Articulação e Equipamento de Defesa (PAED), que está em fase de conclusão no Ministério e orientará as aquisições de equipamentos e produtos de defesa até 2030.
Ambos os projetos funcionarão como estímulo à inovação e à produção nacional de meios tecnologicamente avançados. Ou seja, têm o viés de promover efetividade da capacidade de defesa e também de impulsionar a competitividade da indústria nacional nos mercados interno e externo, contribuindo para o desenvolvimento econômico e social do Brasil.
A compra dos caminhões reforçará a mobilidade e a logística das Forças Armadas. Os veículos incrementarão a capacidade das Forças de atuar em situações dentro e fora do meio militar, tais como auxílio da população civil em catástrofes naturais (enchentes, secas etc).

Colômbia é o sexto país a tirar embaixador de Assunção após golpe no Paraguai - do Opera Mundi 28/06/2012



Governo de Juan Manuel Santos convocará chefe da missão diplomática para consultas, como já fizeram Chile, Brasil e Uruguai; Venezuela e Argentina cortaram relações

O governo da Colômbia anunciou neste domingo (24/06) que chamará para consultas seu embaixador em Assunção, Alberto Barrantes, em função do descumprimento do "devido processo" no impeachment do ex-presidente do Paraguai Fernando Lugo.

A chancelaria da Colômbia informou sobre a decisão, que também foi tomada por vários países vizinhos, por meio de um comunicado de cinco pontos no qual também expressou sua preocupação com a forma como o Congresso paraguaio destituiu Lugo do governo sem dar a ele "tempo suficiente para sua defesa".

Na sexta-feira passada, o Senado do Paraguai condenou Lugo por mau desempenho de suas funções. Em seu lugar, assumiu o até então ex-presidente, Federico Franco

O comunicado afirmou que os chanceleres da Unasul (União de Nações Sul-Americanas) realizaram "esforços com os representantes dos partidos políticos do Paraguai para assegurar as garantias necessárias para a realização deste julgamento político consagrado na Constituição do país".

A nota acrescentou que a Colômbia "considerará as medidas correspondentes" a serem tomadas depois das reuniões da Unasul e do Mercosul, de acordo com as cláusulas democráticas assinadas por estes organismos regionais.

Por último, o comunicado afirmou que "Colômbia em nenhum caso adotará medidas que afetem o povo paraguaio".

A Colômbia se uniu ao Chile, Brasil, e Uruguai, que já convocaram seus diplomatas no Paraguai. Já Venezuela e Argentina retiraram seus embaixadores do país.

Link:

http://operamundi.uol.com.br/conteudo/noticias/22653/colombia+e+o+sexto+pais+a+tirar+embaixador+de+assuncao+apos+golpe+no+paraguai.shtml

Cómo las élites culturales acabaron con el hombre común 28/06/2012


Confidencial.com

Alli estaba Paul Poiret, con la cimitarra en la mano, vestido como si fuera un sultán, al lado de la gran jaula de oro en la que estaba encerrada su mujer (“su favorita”). La fiesta llevaba por nombre La milésimo segunda noche y se celebraba en una gran carpa cuya entrada custodiaban seis negros (“como el ébano”) desnudos de cintura para arriba y con bombachos de muselina de seda. Había bandas con música oriental, acróbatas y odaliscas que se desenvolvían en un enorme decorado realizado por prestigiosos artistas de la época. Fueron eventos como ese, explica Peter Wollen en El asalto a la nevera (Ed. Akal), los que hicieron que Poiret se ganase el sobrenombre de Le magnifique. El modisto, conocido por acabar con el corsé como vestimenta típica femenina, utilizaba para las presentaciones de sus colecciones escenarios espectaculares, construidos desde el derroche, que entroncaban a la perfección con el consumo conspicuo de la época. Frente a un mundo racionalizado, sometido a los cálculos de costes y beneficios típicos del capitalismo, Poiret sabía atraer como nadie a esas clases adineradas de principios del siglo XX que utilizaban el lujo como elemento diferencial y como demostración de potencia social.
Negros musculosos y semidesnudos
Para ese tipo de fastos, que constituían la esencia de la gran burguesía de la época, el orientalismo era un tema muy pertinente. En una sociedad de rígidas convenciones y en la que la religión tenía un gran peso, Oriente aparecía como una suerte de mundo irreal en el que se proyectaban todo tipo de fantasías políticas y científicas. Oriente era como la noche, un espacio en el que lo temido se hacía presente, pero también el tiempo en que se cumplían los deseos. La escenografía propuesta por Poiret ligaba con las ensoñaciones de una época en la que obras que no pretendían concluir con enseñanzas morales y donde el sexo aparecía sin tapujos, como era el caso de Las mil y una noches, se estaban poniendo rápidamente de moda.
Dicho de otro modo, ese exotismo del que Poiret se aprovechó recogía aquello que la vida cotidiana negaba incorporándolo como elemento estético, como adorno de un tiempo económicamente racionalizador y sujeto a la ley del beneficio. Puede que el lujo y el placer debieran estar ausentes del día a día social, pero algo de ese exceso de vez en cuando no venía mal (para quien pudiera permitírselo). Esos negros musculosos y semidesnudos, esas bailarinas excitantes y esa continua incitación al goce de los sentidos era lo que le faltaba a los tiempos, y por eso, como bien sabía Poiret, era pertinente sumarlos al decorado.
Y uno piensa en un giro exótico similar cuando percibe la dirección que ha tomado la producción cultural contemporánea. En la última semana se ha hablado mucho de Wes Anderson, un cineasta amante de los personajes freaks, que se ha convertido en un icono de la modernidad fílmica y hemos visto cómo el escritor Mario Bellatin ha ocupado la portada del suplemento cultural Babelia, dos buenos indicios de que los criterios de calidad bajo los que se juzgan las producciones culturales tienen especialmente en cuenta esos elementos de rareza y exotismo que antes les relegaban a la marginalidad.
Románticos modernos
Bellatin, por ejemplo, en su novela El libro uruguayo de los muertos habla de sí mismo (o de una versión de sí mismo medianamente real) definiéndose como “un hombre tarado por haber crecido en una familia malvada, funesta, miserable, en la que su madre recogía hormigas por la mañana para dárselas a sus hijos de desayuno y donde abundaba la deformidad”. Bellatin, entre otras cosas, escribe novelas sobre un travesti que dirige una peluquería y acaba de filmar una ópera en Ciudad Juárez sobre la violencia en la que no aparece una gota de sangre, y que está basada en un cuento suyo que trata de “un entomólogo japonés que se come a sí mismo”.
El ascenso en la consideración de este tipo de autores, que es notable, tiene mucho que ver con unas élites culturales que apuestan por lo extraño, por lo inasible y lo inexpresable, y que disfrutan con aquello que empuja la razón a sus límites. Si los románticos del pasado amaban las obras que describían el extravío del hombre moderno en la sociedad preindustrial, los contemporáneos gozan con las creaciones que muestran al ser humano perdido en una cotidianidad siempre extraña y hostil.
La crítica es una pérdida de tiempo
Una visión que ha expulsado al hombre común de la cultura de nuestro tiempo. Si gran parte de las creaciones para masas del siglo XX trataban de personas normales en circunstancias inusuales, ahora es justo a la inversa, mostrándonos a personas extrañas en circunstancias comunes. Para estas élites culturales, los autores que importan son aquellos en los que vida y obra van muy unidos. La novela (o en el ensayo) en sí es lo de menos, lo importante es la personalidad de su creador. Quieren contar historias de personajes interesantes, no hablar de obras formalmente logradas. Quieren personalidades indómitas para utilizarlas como hacía Poiret con aquellos negros desnudos de cintura para arriba; aportan un plus excesivo a las fiestas de un tiempo también sometido a la racionalidad del beneficio.
De modo que a lo mejor dan colorido a la vida, pero detraen más que aportan. La cultura se caracterizaba por introducir elementos de crítica y análisis en sus obras que hoy parecen haber sido sepultados por lo exótico. En un entorno en el que la crítica racional tiende a ser vista como una pérdida de tiempo, poco más que palabrería emitida por burócratas universitarios, lo intuitivo, lo excesivo y lo carnal, se han convertido en el centro de la creación. Pero esa visión no es más La milésimo tercera noche, una versión moderna de aquellos fastos diseñados por Poiret. Ensoñaciones para hacer más atractivos los tiempos, ecos de un romanticismo que ha recabado para sí el centro de la escena cultural.
http://www.elconfidencial.com/alma-corazon-vida/blogs/confidencial-social/2012/06/26/como-las-elites-culturales-acabaron-con-el-hombre-comun-100762/

El Gobierno boliviano consigue un acuerdo con policías y anuncia una “limpieza” de golpistas 28/06/2012


Telam

La ministra de Comunicación de Bolivia y portavoz presidencial, Amanda Dávila, dijo este miércoles que, al margen del acuerdo en el conflicto con los policías de baja graduación, “se hará una reforma profunda” de esa fuerza, porque durante las negociaciones, los mismos representantes de los uniformados “denunciaron a algunos sectores internos con afanes golpistas”. “El gobierno ha decidido iniciar en la policía una reforma profunda, luego de un diagnóstico de la situación”, afirmó a Télam la ministra Dávila en el Palacio Quemado, sede del gobierno, luego de una reunión de gabinete que se inició a las 6 de la mañana (las 7 de Argentina) y concluyó cerca del mediodía.
La ministra señaló que sectores golpistas intentaron “subirse al movimiento de reclamo salarial de la policía” y dijo creer que “la misma policía pudo darse cuenta, porque lo denunciaron en las reuniones con el gobierno”.
Agregó que “desde adentro se logró neutralizar un poco a esos sectores, pero hay una preocupación todavía, porque aún no sabemos cuál va a ser la reacción de estos sectores”.
Dávila explicó que la institución policial “es muy compleja y no ha tenido nunca una reforma; funciona a veces con una estructura medieval, feudal, con malos tratos a las tropas, por ejemplo, con violaciones a los derechos humanos, y la mayoría de ellos son indígenas, hijos de indígenas, son nuestros votantes, los votantes del presidente Evo Morales”.
También sostuvo que el apoyo decidido de los movimientos sociales ayudó a “neutralizarlos (a esos sectores golpistas), por lo menos por ahora”, y que hay que “estar atentos”, porque “hemos tenido similares intentos en el 2008, (con el plan secesionista) del oriente”.
Aludió así al movimiento que encabezó el departamento de Santa Cruz y que junto a las gobernaciones de “la media luna”, como se las denominaba (Tarija, Santa Cruz, Beni y Pando), intentaron un verdadero golpe de Estado que llevó al gobierno a expulsar al embajador de Estados Unidos en La Paz, Philip Goldberg.
Desarmado política y electoralmente ese bloque, sólo se mantiene como opositor Rubén Costas, gobernador de Santa Cruz, el único jefe de gobierno departamental que el martes no participó en una declaración de defensa de la democracia y que sí suscribieron los otros ocho mandatarios regionales.
La ministra aseguró, además, los grupos que se montaron sobre los reclamos, “tenían un plan, con fases, empezando por crear condiciones para el golpe, incluso, en ese sentido, buscando articularse con la marcha (del Territorio Indigena Parque Nacional Isiboro Sécure -Tipnis-)”.
“Felizmente, la marcha indígena, con absoluta conciencia democrática, no se prestó a esa acción, y esperó hasta la resolución del conflicto con la policía para ingresar (este miércoles) a La Paz”, precisó.
Según la ministra, “ese fue el pedido expreso que hizo el gobierno a la Defensoría del Pueblo” y que ésta trasmitió a la marcha.
Destacó que, entre los planes desestabilizadores de los sectores golpistas estuvo, muy poco difundido por la prensa, “la toma, ayer (martes), de dos aeropuertos por parte de ex policías dados de baja por problemas de corrupción o indisciplina, y algunos suboficiales”.
También destacó que “hay un grupo muy vinculado a la embajada de Estados Unidos, que todavía no se resigna a perder sus privilegios, que eran los sueldos extras que recibía cierta oficialidad comprometida” con esa sede diiplomática.
“Algunos, incluso, lo hacían con buena intención, porque recibían capacitación, tecnología, y equipos de primera, y eso, ciertamente, se ha perdido, porque el gobierno ha tenido una política de no colaboración con Estados Unidos en estos temas”, reconoció.
Dávila sostuvo que “este sector, algunos son jefes nacionales de la policía, están comprometidos en volver a tener nuevamente el apoyo de la embajada de Estados Unidos, y son permanentes opositores al gobierno”.