quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

Em cenário com petróleo em baixa e sanções, moeda russa perde 20% do valor em um dia 17/12/2014

Rafael Targino
Banco Central da Rússia chegou a elevar taxa de juros, mas efeitos foram limitados; ações dos dois maiores bancos do país despencaram


O rublo, a moeda russa, prosseguiu nesta terça-feira (16/12) a trajetória de queda (livre) registrada nos últimos dias e, em comparação com ontem, perdeu cerca de 20% do valor em relação ao dólar, fechando a 66,89. O movimento ajudou a puxar outras moedas de países emergentes para baixo, como o real brasileiro e os pesos mexicano e argentino.

Na segunda-feira (15/12), para tentar conter o movimento, o Banco Central do país elevou a taxa de juros em 6,5 pontos percentuais, para 17%. O efeito não foi, no entanto, duradouro: o rublo chegou a se valorizar, mas começou a cair pouco depois de os mercados abrirem. Desde o início do ano, o rublo já perdeu quase 60% do valor em relação ao dólar.

Fotos: Agência Efe

Mulheres passam em frente a casa de câmbio em Moscou; rublo perdeu quase 20% do valor face ao dólar nesta terça

As ações dos dois principais bancos do país – o Sberbank e o VTB – chegaram a cair 18% e 14%, respectivamente, na Bolsa de Valores de Moscou. Outras empresas russas, como a gigante de energia Gazprom (controlada pelo Estado russo) também tiveram queda nesta terça. A Apple fechou a loja virtual que mantinha no país por causa da volatilidade da moeda.

Em Moscou, houve filas no Sberbank para a troca de rublos por dólar.


O mercado russo está sendo diretamente afetado pela redução do preço do petróleo no mercado internacional – girando atualmente em US$ 60, o menor desde 2009 – e pelas sanções impostas pela comunidade internacional após a crise na Ucrânia e a anexação da Crimeia, que dificultam para bancos do país o acesso a crédito externo, por exemplo.

Com a queda do valor do petróleo, que estava ajudando a manter a economia do país, os efeitos do bloqueio começam a ser sentidos com mais intensidade. Analistas estimam que o crescimento da Rússia será ainda mais afetado com o derretimento do rublo e esperam uma queda de cerca de 5% para o PIB do país em 2014, em um ritmo que deve seguir em 2015.


Equipe econômica da Rússia vê rublo se descolando da situação do petróleo; PIB deve ser afetado

Por sua vez, o ministro de Desenvolvimento Econômico da Rússia, Aleksey Ulyukaev, afirmou o valor do rublo está se descolando da situação do petróleo. “Nós acreditamos que, claro, a cotação não é consistente com a situação macroeconômica, e pode-se vê-la se deslocando das dinâmicas do mercado de petróleo”, afirmou à agência RT, após sair de uma reunião com o presidente Vladmir Putin.

Segundo ele, não estão em discussão, por exemplo, medidas de controle de capitais, mas se propõe tentar aumentar a quantidade de moeda estrangeira no mercado local.

http://operamundi.uol.com.br/conteudo/noticias/38857/em+cenario+com+petroleo+em+baixa+e+sancoes+moeda+russa+perde+20+do+valor+em+um+dia.shtml

Petróleo como arma geopolítica de destruição em massa 17/12/2014

O preço do petróleo bateu mais um mínimo histórico. Os analistas acreditam que muito em breve ele chegará ao fundo e que se seguirá uma recuperação.

Por Serguei Duz, na Voz da Rússia





Na terça-feira (16), o preço do petróleo bruto Brent do mar do Norte caiu abaixo de 60 dólares por barril. Na opinião de alguns analistas, os preços caíram mais baixo do que as leis do mercado exigiriam. No entanto, para esta situação existem pelo menos duas razões, diz um dos principais especialistas da União de Industriais de Petróleo e Gás da Rússia, Rustam Tankaev.

“Infelizmente, aqui existem fatores que são difíceis de controlar de fora. O primeiro deles é o Estado Islâmico que está lançando petróleo no mercado mundial a preços muito baixos. Os militantes estão vendendo petróleo por armas e munições. No entanto, em seguida, o petróleo passa por várias mãos para esconder evidências de contrabando. Mas, mesmo assim, ele chega ao mercado a um preço inferior a 50 dólares por barril”, diz o analista.

“O segundo fator é a guerra de preços da Arábia Saudita contra o petróleo de xisto nos Estados Unidos. Estes processos definem o nível baixo dos preços. Quanto ao Estado Islâmico, os norte-americanos, aparentemente, irão parar o contrabando de petróleo de áreas capturadas por militantes. E os sauditas não podem manter os preços baixos durante muito tempo. É de esperar que no futuro próximo os preços irão crescer. Especialmente porque, com o baixo preço do petróleo, o seu consumo está aumentando, o que altera a relação entre oferta e a demanda”.

A situação atual afeta diretamente as chamadas petromoedas, entre as quais está também o rublo russo. As economias de alguns países em desenvolvimento, incluindo além da Rússia o Irã, a Venezuela, o Equador, a Nigéria e a Argélia, dependem diretamente de preços altos do “ouro negro”. Eles estão pedindo às monarquias do Golfo Pérsico que diminuam sua produção. Mas elas, aparentemente, não pretendem desistir. Em geral, elas também são inteiramente dependentes do petróleo. Mas só que o custo de mineração do petróleo no Oriente Médio ronda os 10 dólares.

Na opinião de representantes da Arábia Saudita, o preço de 40 dólares por barril não é o limite. Eles não vão cortar a produção mesmo com esse preço, porque o mercado conseguirá se estabilizar por si próprio. Na opinião de analistas da Agência Internacional de Energia, a tendência de queda dos preços do petróleo ainda não se esgotou. A Opep também prevê uma diminuição da demanda por petróleo em 2015. No entanto, o presidente do conselho de administração do banco russo Sberbank, German Gref, expressa um otimismo cauteloso.

“A dinâmica do preço do petróleo é negativa. Em algum momento acontecerá um ponto de viragem. Muito provavelmente, isso vai acontecer no segundo semestre do próximo ano. Mas, mesmo assim, o preço não vai ser transcendental”.

Segundo a maioria dos analistas russos, o petróleo começará a voltar ao nível de 80 dólares já no próximo ano. Pode-se argumentar sobre o ritmo desse processo, mas o petróleo no mundo de hoje não pode ser barato, diz o chefe do departamento de economia do Instituto de Energia e Finanças, Marsel Salikhov.

“A tendência de longo prazo é de aumento do preço. Simplesmente partindo do custo de produção de novos projetos em plataformas continentais e em outras condições geoclimáticas difíceis. Tais projetos não poderão ser realizados a um preço de 70 dólares por barril. E se eles não forem realizados, não haverá petróleo suficiente para uma economia em crescimento. E o preço irá aumentar logo duas vezes. A extração não reage a estes processos imediatamente. Podem passar uns cinco anos até que ela recupere. A falta do produto é sempre equilibrada pelo seu preço”.

O mercado de energia, bem como quaisquer outros mercados, passa por ciclos. E ele é certamente influenciado por fatores geopolíticos. Hoje em dia, o curso econômico é definido pela política. Os principais jogadores atuam deliberadamente contra o mercado. Mas dentro em breve o instinto de autopreservação irá forçá-los a dar prioridade ao fator sensatez e racionalidade.

http://www.vermelho.org.br/noticia/255506-9

A crise mundial do petróleo como você NÃO ver na imprensa 17/12/2014


Diário do Centro do Mundo



Postado em 16 dez 2014 por : Paulo Nogueira



Em sua eterna luta para jogar mais sombras onde já não existe luz, a imprensa brasileira está ignorando o fato mais importante do ano na economia mundial: a dramática queda do preço do petróleo.

É um fato que terá impactos brutais no mundo globalizado, mas a mídia nacional prefere centrar seus holofotes na Petrobras, como se se tratasse de um caso único de depressão num ambiente de extrema alegria.

Desde junho, quando atingiu o pico de 115 dólares o barril, o preço do petróleo caiu pela metade. Nesta semana, o barril está sendo vendido na casa dos 60 dólares.

Vários fatores se somaram para que isso acontecesse, mas você pode resumir a explicação na tradicional lei da demanda e da oferta.

A produção de petróleo, hoje, supera amplamente o consumo.

Isso está ligado à crise econômica mundial. Com sua economia se desacelerando, a China consome hoje muito menos petróleo do que fazia. O mesmo ocorre com outra potência, a Alemanha.

Os Estados Unidos, tradicionalmente os maiores importadores, está quase auto-suficiente, graças ao “shale oil” — saudado como uma revolução no campo energético.

Trata-se, essencialmente, da extração de gás e petróleo do xisto, um tipo de rocha.

Reduzida a demanda, era esperado que a OPEP, a organização que congrega os maiores exportadores, baixasse sua produção, para defender o preço.

Mas não.

Para surpresa generalizada, a OPEP, numa reunião em novembro, decidiu manter a produção nos mesmos níveis.

Foi quando o universo do petróleo entrou em convulsão.

Mas por que os produtores tomaram essa decisão?

Especialistas acham que o objetivo maior é matar o “shale oil” americano. A extração é muito mais cara. Caso o barril fique barato, a indústria do “shale oil” tende a se inviabilizar, e esta seria uma excelente notícia para os países da OPEP.

Mas efeitos muito mais imediatos da baixa da cotação estão já sendo sentidos em países como a Rússia, o Irã e a Venezuela. Todos eles dependem visceralmente das exportações de petróleo.

Para o orçamento russo se manter equilibrado, o barril deve estar na faixa dos 100 dólares.

Economistas já preveem uma queda de 5% do PIB russo em 2015. O sofrimento russo deu margem a que fosse ventilada a teoria de que por trás de tudo estariam os Estados Unidos, empenhados em criar problemas para Putin.

Faz sentido? Faz. Ou pode fazer. Mas o custo, para os americanos, é elevado. Sua florescente indústria de “shale oil” pode simplesmente se desintegrar.

E o Brasil, no meio disso tudo?

O quadro ainda não é totalmente claro. Há alguns benefícios: apesar de produzir como nunca, o Brasil ainda é um grande consumidor de petróleo.

Isso significa que as despesas de importação se reduzirão substancialmente. É, também, um alívio financeiro para a Petrobras, que subsidia os consumidores brasileiros.

A Petrobras vende a gasolina no Brasil por um preço inferior àquele pelo qual ela compra. O subsídio se destina, primeiro e acima de tudo, a controlar a inflação.

A ameaça mais séria, para o Brasil, vem do pré-sal. Como o “shale oil” americano, a extração do pré-sal é mais cara que a convencional.

Alguns estudos sugerem que com o barril a 40 dólares o pré-sal se inviabilizaria. Mas antes disso a vítima seria a indústria americana de óleo alternativo.

É razoável supor que o barril não descerá muito além dos 60 dólares.

A OPEP disse que ia esperar uns meses para ver o que ocorria. Um preço muito baixo, por um tempo longo, poderia ser fatal para a OPEP.

Assim, é presumível que, em algum momento nos primeiros meses de 2015, a produção seja reduzida para que o preço se recomponha.

Enquanto isso, as companhias petrolíferas são ferozmente castigadas. Nos últimos seis meses, as ações da Goodrich Petroleum caíram 86%. As da Oasis Petroleum, 75%.

A Petrobras é um caso entre muitos, e não um caso único, ao contrário do que a imprensa brasileira noticia.

Nada na economia mundial, em 2014, foi tão importante quanto o colapso dos preços do petróleo – mas a mídia brasileira, no afã de bater na Petrobras e consequentemente no governo, parece que não percebeu.



http://www.diariodocentrodomundo.com.br/como-a-queda-do-preco-do-petroleo-pode-afetar-o-brasil/

Algumas considerações sobre as ações da Petrobras 17/12/2014


SOBRE AS AÇÕES DA PETROBRAS - 

Diogo Costa

Tem coisas que me deixam intrigado. Uma delas é o papo furado da imprensa marrom a respeito das ações da Petrobras.

No último pregão do governo FHC, em 30 de dezembro de 2002, as ações da Petrobras estavam cotadas em R$ 4,31.

Desde o início do governo Lula houve uma intensa valorização destas ações, até o pico de R$ 45,46 em 21 de maio de 2008.

Depois de maio de 2008 o valor das ações não parou de cair, em especial após o Crash de 15 de setembro do mesmo ano, quando a cotação ficou em R$ 25,80.

Dilma Rousseff iniciou o seu mandato com as ações da companhia valendo R$ 24,71 e hoje a cotação ficou em R$ 9,38.

Digo tudo isso porque é a partir daí que se pode extrair algumas conclusões:

1) No fim do período tucano as ações da Petrobras valiam menos da metade do que valem hoje;
2) Com Lula houve uma imensa valorização, até o mês de maio de 2008;
3) De maio de 2008 em diante, passando pelo Crash de setembro do referido ano, as ações só fizeram cair;
4) O processo de queda no valor de mercado da companhia começou, portanto, em maio de 2008. Não começou agora nem com Dilma.

Percebam que qualquer discussão séria sobre o mercado acionário brasileiro ou mundial tem que passar obrigatoriamente pela questão do Crash de 2008.

Os impactos desse evento se fazem sentir até hoje em todas as bolsas de valores do mundo, não só do Brasil.

De resto, é de uma futilidade total essa conversa de 'valor de mercado'.

Ao fim e ao cabo o que importa não é o capital fictício que não produz um único e mísero prego, mas sim a produção real de uma ou outra empresa.

Isto se mede através do faturamento e do lucro líquido.

E é aí, no mundo concreto, da produção, que devemos concentrar esforços analíticos.

O faturamento da Petrobras no último ano tucano, em 2002, foi de R$ 69 bilhões. No ano passado o faturamento ficou em R$ 304 bilhões e a projeção deste ano é de um faturamento de mais de R$ 330 bilhões.

Quanto ao lucro líquido, a média nos 08 anos de FHC/PSDB ficou em R$ 4,2 bilhões. Nestes primeiros 11 anos de governos de Lula/Dilma/PT (2003 a 2013), a média do lucro líquido ficou em R$ 25 bilhões.

Para falar nessa questão das ações da Petrobras, com um mínimo de respeito pelos fatos, também é preciso tocar no assunto da desvalorização recente das commodities.

O petróleo, por exemplo, fechou cotado hoje a US$ 60 o barril do tipo brent (menor cotação desde julho de 2009).

O resto, com todo o respeito, é apenas perfumaria e sensacionalismo barato da imprensa marrom e militante.

http://jornalggn.com.br/comment/534847#comment-534847

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

Colapso do petróleo e do sistema financeiro ameaçam expropriar os fundos de pensões 16/12/2014



O otimismo do fracking e a ilusão de um preço do petróleo em 110 dólares o barril mobilizou enormes recursos financeiros para a produção de crude que acabaram por saturar o mercado. A nova bolha especulativa acabou por entrar em colapso, à luz do enfraquecimento da procura. Por Marco Antonio Moreno, El Blog Salmón
13 de Dezembro, 2014 - 22:27h



Produção de petróleo nos Estados Unidos não para de crescer.


Os preços do petróleo caíram 40 por cento desde junho, ao ritmo do colapso dos títulos lixo do sector energético dos Estados Unidos, que apostou desmedidamente no apogeu do dispendioso fracking. Desde que, em julho de 2008, o petróleo atingiu os 145 dólares por barril, a indústria do fracking dos EUA disparou e a produção de petróleo passou de 4 milhões de barris diários (mbd) a 9 mbd, competindo, em volume de produção, com a Arábia Saudita e a Rússia (10 e 9 mbd, respetivamente). Isto foi feito com base na especulação financeira, que agora será coberta com o confisco dos fundos de pensões.

Como afirmamos em julho do ano passado, amanipulação do preço do petróleo levou o ouro negro a um nível artificialmente alto; nesse artigo afirmávamos que esse valor, se não fosse manipulado, andaria em torno dos 80-60 dólares o barril. Esta manipulação foi claramente fabricada pelos interesses financeiros que procuravam impulsionar a indústria do fracking. O excesso de oferta da indústria petrolífera está agora a levar a liquidar em 80 centavos de dólar as alavancadas posições destas empresas, instalando novamente o epicentro da crise no sistema financeiro, pela sua facilidade para especular com os preços. Desta vez, no entanto, e graças a Jean-Claude Juncker, é o dinheiro do contribuinte que vai salvar estas empresas.

A bolha do fracking

Apesar de haver uma tendência para se pensar que a queda dos preços é sinónimo de baixa dos custos de produção e que o temido "pico do petróleo" se está a afastar, a verdade é que os preços de muitos recursos básicos estão a diminuir ao mesmo tempo pela queda da procura global. As commodities caem a pique, acentuando assim os problemas deflacionários que darão uma nova estocada a esta crise, no seu sétimo ano de desenvolvimento.

Os preços do petróleo foram manipulados longamente para dar folga e permitir o auge do fracking, até que esta bolha rebentou. Enquanto o custo da extração de petróleo "normal" é de 30 dólares o barril, o custo do barril de petróleo obtido através da fraturação hidráulica é de 60 dólares. O estouro da bolha do fracking confirma a falácia de que a fraturação hidráulica constitui uma fonte energética para cem anos, como declarou o presidente Obama em 2012. Um artigo publicado na semana passada na revista Nature põe em dúvida o desmedido otimismo desta indústria.

O otimismo do fracking e a ilusão de um preço do petróleo em 110 dólares o barril mobilizou enormes recursos financeiros para a produção de crude que acabaram por saturar o mercado. O fracking não fez mais do que criar uma nova bolha especulativa que acabou por entrar em colapso, à luz do enfraquecimento da procura. O colapso do preço do petróleo levou o seu valor ao nível mais baixo dos últimos cinco anos e a uma queda que pode arrastá-lo para os 50 dólares e até para os 40 dólares o barril, obrigando ao encerramento das extrações por fracking que operam com custos de 60 dólares.
Queda dos preços do petróleo é impulsionada pelo aumento de produção via "fracking" e pela redução do consumo

O novo risco para o sistema financeiro

Os alavancados empréstimos semeados no período da euforia do fracking provocam agora novos temores nos mercados financeiros pelos incumprimentos de dívidas que podem afetar todo o comércio internacional. Os baixos preços que se obtêm hoje por cada barril de petróleo levam as companhias petrolíferas a terem dificuldades de pagar os juros dos empréstimos financeiros contraídos no período de auge. E como os fluxos de caixa se reduziram, esta situação também põe a banca em apuros, começando a sofrer um estrangulamento financeiro, e ver-se-á obrigada a elevar as taxas de juro destes empréstimos pelo aumento do risco, acelerando o incumprimento da dívida. Desta forma, a enorme quantidade de dívida que as companhias petrolíferas adquiriram para investir na onerosa tecnologia do fracking converteu-se no novo risco do conjunto do sistema financeiro.

No entanto, o que está em risco agora não é só o fraudulento sistema financeiro mas também as poupanças e os fundos de pensões de milhões de contribuintes em todo o mundo. Desde os resgates bancários do ano de 2008 que houve um grande debate sobre a necessidade de mudar o sistema e evitar esses monstros bancários "demasiado grandes para cair" que tinham de ser resgatados pelos governos. Agora quer-se obrigar os depositantes e os fundos de pensões a cobrir as perdas do sistema financeiro, tal como se fez no Chipre. Como advertimos na altura, o Chipre foi o laboratório para pôr à prova o confisco dos depósitos dos poupadores e dos fundos de pensões.

Esta nova regra foi aprovada na cimeira do G-20 realizada na Austrália no passado mês de novembro e pode ser posta em prática a qualquer momento. Por isso não devemos descartar que a violenta queda dos preços do petróleo seja uma estratégia destinada à apropriação, quanto antes, desses recursos. Se o preço foi manipulado com astúcia e precisão na subida, também pode ser manipulado na baixa para fazer uso quanto antes da nova disposição de Angela Merkel e Jean-Claude Junker. As contas bancárias e os fundos de pensões estão em risco de serem confiscados por esta nova agonia do sistema financeiro, ocasionada desta vez pela excessiva cobiça das empresas petrolíferas.

9 de dezembro de 2014

Tradução de Luis Leiria para o Esquerda.net

http://www.esquerda.net/artigo/colapso-do-petroleo-e-do-sistema-financeiro-ameacam-expropriar-os-fundos-de-pensoes/35125

O Brasil e a Petrobrás 16/12/2014


15/12/2014 [*] Adriano Benayon
Texto enviado pelo autor
Ilustrações catadas na internet pela redecastorphoto





1. O Brasil vive batalha decisiva de sua História: a da sobrevivência da Petrobrás como empresa nacional. E isso com qualquer resultado, pois a eventual derrota poderá ser o marco, a partir do qual o povo brasileiro resolva partir para o basta e reverter o lastimável processo dos últimos 60 anos em que praticamente só acumula derrotas do ponto de vista estrutural.


2. Principalmente desse ponto de vista, porque, mercê da estrutura que se formou na Era Vargas, ainda foram colhidas − por muito tempo e até os dias de hoje − grandes vitórias em termos de desenvolvimento de tecnologia e capacidade produtiva no País.


3. O progresso estrutural do Brasil ocorreu, até 1954, não apenas em função de investimentos do Estado, mas também por ter este agido como promotor da indústria privada, tendo, antes daquele ano fatídico, surgido firmas nacionais de ótima qualidade, algumas das quais já se tinham tornado grandes.


4. Essas foram as primeiras e grandes vítimas do modelo de dependência financeira e tecnológica adotado desde 1955 e no quinquênio de JK, quando o Estado foi usado como promotor da desnacionalização da indústria, o que gradualmente levou à da dos demais setores da economia.


5. Os governos militares (1964-1984), embora se tenham submetido às regras e imposições do sistema financeiro mundial − criaram estatais importantes, como a EMBRAER, em 1969, possibilitada pela criação do Centro Técnico Aeroespacial (CTA), em 1946, e do Instituto Tecnológico da Aeronáutica (ITA), em 1950.


6. A EMBRAER foi uma das inúmeras grandes estatais criminosamente privatizadas pela avalanche de corrupção dos anos TUCANOS (principalmente nos anos 1990s), que atingiu também a TELEBRÁS, fundada em 1972, a qual igualmente gerara excelentes resultados em produções realizadas com tecnologia nacional, e foi totalmente esvaziada pelas concessões entreguistas do sistema de telecomunicações.



EMBRAER- Instalação de S. J. dos Campos

7. Em 1990, Collor, o primeiro presidente eleito pelo voto direto – de resto, mediante incríveis manipulações, negadoras da essência da democracia – encaminhou a Lei de Desestatização, juntamente com denso pacote de legislação antibrasileira, formulado em Washington e meteoricamente aprovado pelo complacente Congresso.


8. Interessante que os governos militares – não só haviam mantido as estatais da Era Vargas - mas criaram várias outras. Entretanto, os indivíduos ideologicamente amestrados atribuem comunismo ou esquerdismo aos que, em favor do desenvolvimento, reconhecem a importância de empresas e de bancos estatais.


9. Se não estivessem mentalmente controlados pelo sistema de poder mundial veriam que as estatais, além do que realizam diretamente, são fundamentais para viabilizar, ao abrir concorrências, encomendas e financiamento a empresas privadas nacionais, que, com isso, geram empregos qualificados e elevam o padrão tecnológico do País.


10. Ademais, acabar com as estatais significa deixar à mercê dos carteis e grandes grupos privados o grande espaço estratégico – como é o caso da indústria do petróleo e derivados – inevitavelmente ocupado por empresas de grande porte, nos quais a dimensão inviabiliza a concorrência honesta entre empresas privadas.


11. Antes de explicar por que a corrupção não é inerente à natureza das estatais – ao contrário do que imaginam os impressionados pelos inegáveis escândalos de corrupção que têm assolado a Petrobrás – convém lembrar a incoerência dos que se escandalizam com a brutal concentração de renda, cada vez mais acentuada em todo o mundo, e propõem privatizações, cujo efeito tem sido tornar a concentração econômica ainda mais aguda e sociamente insuportável.


12. De fato, todos estão tendo acesso a informações de que, neste mundo de mais de seis bilhões de habitantes, pouco mais de cinquenta grupos financeiros controlam praticamente todas as transnacionais em atividade no Planeta. Fosse isso pouco, o analista da moda, Thomas Piketty, tem observado que a concentração de riqueza tem sido grandemente subestimada, mesmo nos países sedes da oligarquia financeira mundial.


13. E por que foi implantada a corrupção na Petrobrás? Porque a estrutura de poder político já se tornara dominada pelos interessados em desmoralizá-la e eventualmente privatizá-la e/ou liquidá-la. Amiúde, o primeiro passo dos agentes imperiais é minar e desmoralizar a administração estatal, para justificar a privatização.


14. De fato, a corrupção foi intensificada durante governos aqui instalados (Collor e FHC) com o projeto de tornar definitivo e irreversível o atraso do Brasil e sua submissão aos centros de poder mundial, na vil posição de fornecedor de recursos naturais, presidindo a abertura de buracos no lugar das estupendas reservas de minerais estratégicos e preciosos, sem que isso sequer impedisse o crescimento vertiginoso dos déficits de comércio exterior e do endividamento público.




Desnacionalização da economia

15. A desnacionalização predadora não começou com os dois que foram os primeiros eleitos sob o novo regime pretensamente democrático. Mas eles fizeram profundas reformas na estrutura de mercado − com o usual beneplácito do Congresso − para torná-la ainda mais talhada de acordo com os interesses dos carteis transnacionais. E o PT não fez reverter essa tendência.


16. Em relação à Petrobrás, FHC promoveu a aprovação da Lei 9.478, de 06.08.1997, que eliminou, na prática, a norma constitucional do monopólio da União na produção, refino e transporte do petróleo, não formalmente revogada.


17. Essa lei permitiu, assim, a exploração de imensas jazidas descobertas pela Petrobrás na plataforma continental, por carteis transnacionais, liderados pelas gigantes empresas angloamericanas que − há mais de um século − têm preponderado no produto de maior expressão no comércio mundial.



Pedro Celestino

18. Ademais, dita Lei criou a Agência Nacional do Petróleo (ANP) no esquema de esvaziar a administração do Estado, terceirizando-a para agências ditas públicas, dotadas de autonomia e postas sob a direção de executivos e técnicos ligados à oligarquia financeira angloamericana.


19. Um desses − genro de FHC − David Zylberstajn, foi nomeado diretor-geral da ANP. Como lembrou o engenheiro Pedro Celestino, em excelente artigo, teve início, sob o comando de Zylberstajn,


(...) o leilão das reservas de petróleo brasileiras, em modelo que não se aplica no mundo desde o primeiro choque do petróleo, permitindo à concessionária apossar-se do petróleo produzido, remunerando o Governo com royalties, ao invés de receber por prestação de serviços.


20. As constatações de corrupção nas encomendas da Petrobrás − em inquérito da Polícia Federal, ainda não terminado − estão servindo de tema para a campanha de desestabilização e impeachment da Presidenta da República e, também, de argumento favorável à privatização.




Petrobrax - o sonho tucano

21. Nenhum desses objetivos sustenta-se em bases justificadas, pois o autor da delação premiada tornou-se diretor da Petrobrás no governo de FHC, mentor do partido que se pretende beneficiar com a derrubada de Dilma Rousseff ou sua transformação em títere completo do capital estrangeiro, o qual tem no PSDB seus principais serventuários locais.


22. Ademais, o delator Paulo Roberto Costa praticou, ele mesmo, os crimes que denuncia, em prejuízo do patrimônio público e em ofensa à moralidade da Administração, como também cometeram políticos de diversos partidos que têm exercido cargos diretivos na Petrobrás.


23. Paulo Metri, outro competente e experiente engenheiro da Petrobrás, reafirma ser indispensável investigação profunda na estatal. Ressalva, porém, que a exposição antecipada de fatos investigados pode ter tido por meta somente derrubar as intenções de votos pró-Dilma.


24. Assinala que a presidenta não tolheu as ações da Polícia Federal, nem tem um engavetador para sumir com os processos. Nota: alusão ao PGR de FHC −Geraldo Brindeiro − conhecido como Engavetador−Geral da República.



Paulo Metri

25. Metri considera imprescindível punir, com rigor, os agentes públicos comprovadamente corruptos e também os esquecidos corruptores. Até porque, mais que o desvio de dinheiro, a corrupção com a Petrobrás atinge a auto-estima de que o País precisa para realizar seu projeto nacional.


26. Em relação à Petrobrás, é fundamental corrigir os vícios nela implantados e viabilizar seus investimentos, cuja enorme rentabilidade está assegurada em função das colossais descobertas que a estatal obteve na plataforma continental e no pré-sal.


27. A Petrobras – aduz Metri - tem vencido obstáculos, como extrair, de grandes profundidades e a distâncias da costa cada vez maiores, petróleo escondido abaixo de camadas incomuns, mercê de tecnologias especiais desenvolvidas por técnicos da estatal.


28. A qualidade destes depende da motivação e de que não sejam preteridos por políticos em cargos de direção nem por terceirizados.


29. Celestino e Metri lembram que FHC elevou desmesuradamente o salário de gerentes e superintendentes, o que os fez, por demais, temerosos de perder seus empregos, e omissos em resistir contra decisões suspeitas, tal como ocorre com terceirizados. Ademais, FHC liberou a Petrobrás de cumprir a Lei de Licitações, apoiado por decisão do ministro Gilmar Mendes, no STF.



30. Não basta para reverter o descalabro, evitar que Dilma seja substituída por alguém mais propenso a aceitar as imposições imperiais. Há que dar passos na restauração da soberania nacional, ferida inclusive pela alienação, quase graciosa, de 40% das ações preferenciais da Petrobrás, após a promulgação da Lei 9.478/1997, e pelos leilões do petróleo da plataforma continental e do pré-sal, nos governos do PT.


Outros artigos do professor Adriano Benayon:


24/11/2014, redecastorphoto em: “Golpe, Modelo e Dívida
12/11/2013, redecastorphoto em: “O estratégico nióbio
7/5/2013, redecastorphoto em: “A crescente desnacionalização da indústria no Brasil
10/11/2014, redecastorphoto em: “País dividido?
1/9/2014, redecastorphoto em: “Brasil. Como sobreviver?
20/10/2014, redecastorphoto em: “Posso saber em quem votei?
3/6/2014, redecastorphoto em: “Para sobreviver, sair do dólar
30/1/2014, redecastorphoto em: “É a estrutura, enroladores!
11/3/2014, redecastorphoto em: “UCRÂNIA E Brasil
22/2/2014, redecastorphoto em: “A oligarquia internacional deseja a depressão e o caos político
1/12/2011, redecastorphoto em: “A crise acaba com o capitalismo?
12/9/2012, redecastorphoto em: “Três aniversários
18/7/2012, redecastorphoto em: “Por que o Brasil se atrasa
3/4/2012, redecastorphoto em: “O cartório dos bancos
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15/10/2012, redecastorphoto em: Sair da “crise”
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[*] Adriano Benayon: Consultor em finanças e em biomassa. Doutor em Economia, pela Universidade de Hamburgo, Bacharel em Direito, pela Universidade Federal do Rio de Janeiro - UFRJ. Diplomado no Curso de Altos Estudos do Instituto Rio Branco, Itamaraty. Diplomata de carreira, postos na Holanda, Paraguai, Bulgária, Alemanha, Estados Unidos e México. Delegado do Brasil em reuniões multilaterais nas áreas econômica e tecnológica. Consultor Legislativo da Câmara dos Deputados e do Senado Federal na área de economia. Professor da Universidade de Brasília (Empresas Multinacionais; Sistema Financeiro Internacional; Estado e Desenvolvimento no Brasil). Autor de Globalização versus Desenvolvimento, 2ª ed. Editora Escrituras, São Paulo.


POSTADO POR CASTOR FILHO

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quarta-feira, 12 de novembro de 2014

País dividido? 12/11/2014



[*] Adriano Benayon − 10.11.2014
Texto enviado pelo autor
Ilustrações catadas na internet pela redecastorphoto


País dividido...



1 − Só insensatos duvidam que a união faz a força. Quanto mais dividido um país, mais fraco ele fica. Por isso, os impérios, sempre usaram a estratégia de dividir os povos a conquistar.


2. “Divide et impera” foi o lema da Roma Antiga, durante os setecentos anos em que dominou o mundo, e de outros, antes dela. Tem sido seguido, com semelhante perfídia e brutalidade, pelo império britânico e por seu sucessor e associado, o Império Anglo-americano-sionista, nestes 350 anos.


3. O Brasil é vítima da predação imperial, desde quando exportava suas mercadorias sob direção das casas comerciais britânicas e tinha as finanças externas e a infra-estrutura controladas por bancos e empresas estrangeiras.


4. Ao aparecer, com capitais nacionais, a promissora industrialização, na 1ª metade do século XX, antes, durante e depois da Revolução de 1930, o império, descontente com isso, fomentou o divisionismo em nosso País, justamente em São Paulo, onde despontara a industrialização, e de onde saía o café e outros produtos exportados.


5. No início dos anos 1930s, tendo as receitas da exportação caído 2/3 em relação a 1929, sobreveio a falsamente denominada revolução constitucionalista de 1932. De fato, o governo chefiado por Vargas já organizava eleições e o processo varguista culminou na Constituição de 1934.



País dividido...

6. O movimento de 5 de julho de 1932, de conotações separatistas, visava, na realidade, sustar a industrialização e reamarrar o comércio exterior à finança e à direção imperiais.


7. Foi liderado pelos barões da pseudo-elite agrária da Av. Paulista, econômica e culturalmente vinculados a Londres, juntamente com a grande mídia já prostituída.


8. Atitude irracional, pois o retrocesso ao modelo colonial prejudicaria os industriais e até os cafeicultores, que estavam sendo salvos da ruína pela política do presidente Vargas, através da compra pelo governo dos invendáveis estoques de café e de sua queima.


9. Esse é um dos antecedentes do presente tsunami de ignorância, que leva os pró-imperiais de hoje a alimentar mentiras, como a que atribui as misérias do País ao Nordeste e ao Norte, quando elas provêm do modelo dependente, adotado a partir da queda de Vargas, em 1954, quando a política passou a favorecer os carteis transnacionais.


10. É por causa desse modelo que a economia do Brasil se desnacionaliza e se desindustrializa, que as transferências de renda das transnacionais para o exterior só aumentam e que se criaram mecanismos para fazer crescer, sem parar, a dívida pública.


11. Para poder encobrir os fatos importantes, o império, desde os anos 50, investe bilhões de dólares, em contracultura, desinformação e aviltamento dos padrões éticos e culturais, além de cooptação de pessoas em todas as instituições públicas e privadas de maior porte.



País dividido...

12. Essa é a corrupção da grossa, incrementada aceleradamente nos mandatos de FHC (1995-2002), que a mídia sequer menciona. É a que faz dezenas de milhões de brasileiros crerem que um governo do PSDB, vinculadíssimo aos interesses imperiais reduza, e não aumente, a corrupção.


13. Apesar do tsunami de ignorância gerado pelo império e das fraudes eleitorais, o povo brasileiro escapou da radicalização do entreguismo. Entretanto, não escapou de seu avanço, impregnado que está na estrutura econômica e nas instituições.


14. A presidente é alvo de intensa campanha de desestabilização, visando, no mínimo, acuá-la a fazer concessões mais radicais que as que têm feito a banqueiros e transnacionais.


15. As influências imperiais estão dentro do próprio Executivo e suas agências reguladoras, e também no PT, que nunca mostrou consciência clara da questão nacional em face das transnacionais e das potências que as representam.


16. Além disso, o Congresso e os executivos e legislativos estaduais têm composições cada vez menos favoráveis aos interesses do País, e os demais poderes e instituições da República estão grandemente infiltrados pelos esquemas pró-imperiais.


17. Ilustrativa de não ter cessado a campanha de desestabilização da presidente, sequer no dia das eleições, foi a balela proclamada nas grandes redes de TV, na mesma noite do resultado, segundo a qual o País estaria dividido, diante do apertado o resultado das urnas.


18. Logo a seguir, comentaristas e pseudocientistas políticos passaram a difundir a estória de que a divisão do País se manifesta ao longo de linhas de classes sociais e de áreas geográficas.



País dividido...

19. Mais relevante do que fomentar a divisão entre as regiões Norte e Nordeste e o Sul, seria reconhecer a falta de acesso do grosso da população do País inteiro a condições de vida condizentes com os excelentes recursos naturais do País e com as possibilidades tecnológicas dele, se não tivesse sido alijado do real desenvolvimento, devido ao modelo econômico dependente.


20. Esse modelo causa o endividamento, os juros absurdos, as transferências de renda ao exterior, o atraso tecnológico e tudo mais que enfraquece o País.


21. Ele vem de meados dos anos 1950s, sendo, pois, ridículo atribuir suas mazelas só ao presente Executivo federal. Cabe, condenar, em primeiro lugar, governos que mais contribuíram para acentuá-las.


22. O ridículo chega ao absurdo, quando os entreguistas acusam o Executivo de que sua política econômica afugenta os investidores. Ora, o montante dos investimentos, mormente os estrangeiros, nunca foi tão alto. Entretanto, mais que proporcionalmente crescem as transferências de renda e de supostas despesas para o exterior, e mais ainda as de recursos reais.


23. É o modelo de dependência financeira e tecnológica que faz minguar verbas para os investimentos produtivos e sociais, e também direcionar erradamente boa parte deles.



País dividido...

24. Ora, quanto maior o espaço geográfico do mercado nacional, mais cada região tem a ganhar com o comércio e a interação financeira internos.


25. De todo o exposto, decorre que o império, primeiramente tratou de desestruturar o País como um todo. Isso o amoleceu para a etapa seguinte: desmembrá-lo, como se delineia, em face das demarcações de supostas terras indígenas, sobretudo na Amazônia, entregando-as ao controle de fundações, ONGs e igrejas controladas pelos oligarcas donos dos carteis mineradores de âmbito mundial.


26. Outra vertente do projeto separatista parece ser a radicalização da ignorância política e econômica, que investe nas diferenças regionais e de classes de renda.


27. Essa está imbricada com o divisionismo ideológico direita/esquerda. O Império Anglo-Americano-Sionista o tem fomentado, em todo o mundo, desde os tempos da revolução francesa. No Brasil, muito contribuiu para acirrá-lo, como a tentativa de golpe comunista em 1935.


28. Especialmente em função da geopolítica, nunca foram altas as chances de o partido comunista chegar ao poder, mesmo em curtos períodos pós-IIª Guerra Mundial, em que contou com recursos e teve apreciável penetração eleitoral. De qualquer forma, a suposta ameaça comunista encaixou-se como uma luva na estratégia imperial para fazer abortar o desenvolvimento do Brasil.


29. Assim, qualquer coisa que implicasse modificar a arcaica estrutura social e que não fosse favorável aos carteis econômicos e financeiros transnacionais, passou a ser associada ao comunismo, na versão da grande mídia e dos demais instrumentos da intervenção imperial anglo-americana-sionista.



País dividido...

30. Não só empresas transnacionais, mas também industriais e outros empresários nacionais investiram para derrubar os governos voltados para o desenvolvimento industrial e tecnológico.


31. Mas os proprietários brasileiros foram expropriados - não como temiam, pelos comunistas - mas, sim, pelo capital estrangeiro, privilegiado com favores inacreditáveis por governos egressos de golpes cuja direção, como, em 1954, era orientada de fora do País.


32. Esse resultou da armação por serviços secretos estrangeiros de atentado para supostamente matar um adversário do presidente, no qual foi morto um oficial da Aeronáutica. Os comunistas não apoiavam Vargas e até o criticavam.


33. Em 1964, a par das provocações suscitadas para envolver o governo em atos de indisciplina de militares, houve intensa campanha para que fossem vistos como de molde comunista os projetos de reforma econômica e social de Goulart.


34. Apesar de o PT não representar resistência séria à intensificação do modelo dependente, ele nasceu sob falsas bandeiras vermelhas, para dividir a esquerda e, em última análise, participar dos golpes do sistema para cortar as chances de Leonel Brizola.


35. Apesar, também, da política externa simpática a governos vizinhos de inclinação bolivariana, embora não partilhando dela, a retórica e os clichês do PT e sobre ele oferecem campo fértil ao Império Anglo-Americano-Sionista para pressionar a presidente e intensificar as ações para a sua desestabilização.




[*] Adriano Benayon: Consultor em finanças e em biomassa. Doutor em Economia, pela Universidade de Hamburgo, Bacharel em Direito, pela Universidade Federal do Rio de Janeiro - UFRJ. Diplomado no Curso de Altos Estudos do Instituto Rio Branco, Itamaraty. Diplomata de carreira, postos na Holanda, Paraguai, Bulgária, Alemanha, Estados Unidos e México. Delegado do Brasil em reuniões multilaterais nas áreas econômica e tecnológica. Consultor Legislativo da Câmara dos Deputados e do Senado Federal na área de economia. Professor da Universidade de Brasília (Empresas Multinacionais; Sistema Financeiro Internacional; Estado e Desenvolvimento no Brasil). Autor de Globalização versus Desenvolvimento, 2ª ed. Editora Escrituras, São Paulo.

POSTADO POR CASTOR FILHO




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