Nos EUA, classe média tem imposto de 35%; ricos, de 15%
12 de setembro de 2011 | 13h47
Sílvio Guedes Crespo
Uma reportagem do jornal “The Washington Post” publicada nesta segunda-feira, 12, mostra que a crise nos Estados Unidos pode derrubar uma ideia que vinha sendo defendida, em maior ou menor grau, pelo menos desde os anos 1920, a de que as taxas sobre os ganhos de capital – que afetam principalmente o grupo do 0,1% mais rico do país – deveriam ser mais baixas do que aquelas que incidem sobre outros tipos de renda.
O ganho de capital é o lucro obtido quando o investidor vende um ativo por preço superior ao que pagou na compra. Normalmente, quem vive desse tipo de operação está nas faixas mais altas de renda. Nos EUA, de todos os ganhos de capital, metade fica com a camada de 0,1% mais rica da população, cuja renda é de mais de US$ 1,5 milhão por ano, segundo um gráfico publicado no “Washington Post”. Visto de outro modo, 75% de tudo o que se lucra com ganhos de capital nos EUA pertencem ao grupo do 1% mais rico.
Hoje, a taxa sobre ganhos de capital nos EUA é de 15%; já o maior porcentual de tributação sobre outros tipos de renda é de 35%. Com isso, diz o “Post”, um profissional que ganha US$ 34,5 mil paga mais imposto do que um bilionário que obtém incontáveis milhões por meio de ganhos de capital.
Não se trata de afirmar que existe uma tributação sobre a classe média e outra sobre a alta, nem que sobre os ricos incide apenas o imposto sobre ganho de capital. Tampouco se pode afirmar que todos os profissionais abastados vivem apenas de ganhos de capital. Os dados servem apenas para constatar que uma atividade normalmente desempenhada pelos mais ricos é menos tributada do que os salários da classe média.
Vários foram os expoentes do pensamento econômico que defenderam a redução das taxas sobre o ganho de capital. A lógica seria a de que, ao tributar essas operações, o Estado desestimularia uma atividade chave na economia. Alan Greenspan, ex-presidente do Federal Reserve, chegou a dizer que “o maior impacto” desse tipo de tributo era “impedir a atividade empreendedora”, de maneira que tal taxa deveria ser reduzida a zero.
O jornal conta que em 1921 o governo baixou a taxa sobre ganhos de capital e, desde então, esse imposto sempre se manteve abaixo daquele que incide sobre outros tipos de renda, a não por um breve momento, de 1986 a 1990.
No entanto, a ideia de taxar os mais ricos tem ganhado apoio de parlamentares, da população e mesmo de alguns milionários, o que abre espaço para rever o pensamento de que os ganhos de capital não devem ser tributados.
Uma pesquisa recente do Public Religion Research Institute mostrou que dois terços dos americanos consideram que seria justo se os mais ricos pagassem mais impostos.
Há inclusive congressistas republicanos que pensam nessa proposta. “Essa questão tem que ser colocada na mesa. Não existe uma lógica econômica forte no enorme abismo que existe hoje entre a taxa sobre salários e a sobre ganhos de capital”, disse ao “Post” um senador republicano que faz parte do comitê criado para resolver o problema do déficit nas contas públicas dos EUA.
O “Post” lembra que o investidor Warren Buffett, segundo homem mais rico dos EUA e um dos principais defensores de uma taxa sobre a população mais abastada, disse recentemente em entrevista à Bloomberg: “Eu nunca estive tão bem em termos de impostos. Estou pagando as menores taxas que já paguei em toda a minha vida. Isso é uma loucura, você sabe”.
O ganho de capital é o lucro obtido quando o investidor vende um ativo por preço superior ao que pagou na compra. Normalmente, quem vive desse tipo de operação está nas faixas mais altas de renda. Nos EUA, de todos os ganhos de capital, metade fica com a camada de 0,1% mais rica da população, cuja renda é de mais de US$ 1,5 milhão por ano, segundo um gráfico publicado no “Washington Post”. Visto de outro modo, 75% de tudo o que se lucra com ganhos de capital nos EUA pertencem ao grupo do 1% mais rico.
Hoje, a taxa sobre ganhos de capital nos EUA é de 15%; já o maior porcentual de tributação sobre outros tipos de renda é de 35%. Com isso, diz o “Post”, um profissional que ganha US$ 34,5 mil paga mais imposto do que um bilionário que obtém incontáveis milhões por meio de ganhos de capital.
Não se trata de afirmar que existe uma tributação sobre a classe média e outra sobre a alta, nem que sobre os ricos incide apenas o imposto sobre ganho de capital. Tampouco se pode afirmar que todos os profissionais abastados vivem apenas de ganhos de capital. Os dados servem apenas para constatar que uma atividade normalmente desempenhada pelos mais ricos é menos tributada do que os salários da classe média.
Vários foram os expoentes do pensamento econômico que defenderam a redução das taxas sobre o ganho de capital. A lógica seria a de que, ao tributar essas operações, o Estado desestimularia uma atividade chave na economia. Alan Greenspan, ex-presidente do Federal Reserve, chegou a dizer que “o maior impacto” desse tipo de tributo era “impedir a atividade empreendedora”, de maneira que tal taxa deveria ser reduzida a zero.
O jornal conta que em 1921 o governo baixou a taxa sobre ganhos de capital e, desde então, esse imposto sempre se manteve abaixo daquele que incide sobre outros tipos de renda, a não por um breve momento, de 1986 a 1990.
No entanto, a ideia de taxar os mais ricos tem ganhado apoio de parlamentares, da população e mesmo de alguns milionários, o que abre espaço para rever o pensamento de que os ganhos de capital não devem ser tributados.
Uma pesquisa recente do Public Religion Research Institute mostrou que dois terços dos americanos consideram que seria justo se os mais ricos pagassem mais impostos.
Há inclusive congressistas republicanos que pensam nessa proposta. “Essa questão tem que ser colocada na mesa. Não existe uma lógica econômica forte no enorme abismo que existe hoje entre a taxa sobre salários e a sobre ganhos de capital”, disse ao “Post” um senador republicano que faz parte do comitê criado para resolver o problema do déficit nas contas públicas dos EUA.
O “Post” lembra que o investidor Warren Buffett, segundo homem mais rico dos EUA e um dos principais defensores de uma taxa sobre a população mais abastada, disse recentemente em entrevista à Bloomberg: “Eu nunca estive tão bem em termos de impostos. Estou pagando as menores taxas que já paguei em toda a minha vida. Isso é uma loucura, você sabe”.
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