O
setor portuário brasileiro poderá receber investimentos da ordem de R$
44 bilhões no período entre cinco e dez anos. O levantamento foi
realizado pela Associação Brasileira dos Terminais Portuários (ABTP), a
pedido do governo federal, com dados das 84 empresas associadas da
entidade. "São investimentos de pequenas, médias e grandes empresas.
Esse investimento poderá ser ainda maior dependendo da reforma
portuária", disse o presidente da ABTP, Wilen Manteli.
O executivo, que participa do Fórum Brasil Competitivo, realizado em
parceria do Grupo Estado e a Confederação Nacional da Indústria (CNI),
afirmou que hoje são dois os principais problemas enfrentados pelo setor
portuário do País: o marco regulatório e gestão dos portos. "Há muita
interferência política. O atual modelo não funciona. E esperamos que
esses problemas sejam efetivamente enfrentados no pacote que está sendo
anunciado", disse.Manteli destacou que o setor possui outros entraves,
que também dificultam o desembolso de investimentos. Segundo ele, os
marcos regulatórios do setor são instáveis, e há um excesso de órgãos e
normas, que geram insegurança jurídica, além da taxação ao setor.O
presidente da ABTP criticou as Companhias Docas, que caracterizou como
um "modelo anacrônico e com mentalidade burocrática". Segundo ele, o
setor está hoje engessado com as atuais normas contábeis, que "impede
que o administrador do porto utilize os recursos como qualquer empresa
privada". "Temos que buscar uma solução para Docas", disse.Para Manteli,
a solução, nesse caso, seria a adoção de parcerias público privada
(PPPs). "O instrumento mais adequado seria esse, onde o capital
predominante é o privado. A União participaria com o poder de veto em
algumas matérias", frisou o presidente da ABTP. Segundo o executivo,
esse modelo daria segurança ao governo e promoveria uma "administração
privada e eficiente dos portos".De acordo com o presidente da ABTP, esse
modelo poderia ser posto em prática sem a necessidade do envio de um
projeto de lei ao Congresso Nacional, fato que atrasaria, ainda mais, o
desenvolvimento dos portos brasileiros. "Há uma grande expectativa e
esperamos que o governo federal anuncie a terceira reforma dos portos,
com a privatização da gestão portuária, para destravar esses nós e
gargalos que impedem o avanço do setor portuário", destacou Manteli.
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