Participação das pequenas e médias empresas na carteira de empréstimos do banco chegou a 40% do total
03 de janeiro de 2012
Alexandre Rodrigues, de O Estado de S. Paulo
RIO - A fatia das micro, pequenas e médias empresas (MPMEs) cresceu no volume de desembolsos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) em 2011, mas o valor médio das operações para o segmento caiu pelo menos 25% em relação a 2010. A política de moderação dos desembolsos no ano passado reduziu a concentração do crédito barato do banco entre as grandes empresas, que já chegou a representar 82% das liberações, em 2009. Hoje, a posição do segmento está mais de 20 pontos porcentuais abaixo.
Mas a alta na quantidade de operações para empresas menores superou o aumento do volume de crédito. Isso pulverizou os recursos, indicando o financiamento de investimentos mais modestos. Entre janeiro e outubro do ano passado, as MPMEs alcançaram uma participação inédita de 40% no total desembolsado pelo BNDES. O montante de R$ 40,6 bilhões emprestados ao segmento em dez meses também foi considerado recorde no banco. Mas foram mais de 677 mil operações e o valor médio dos empréstimos ficou em R$ 60 mil, bem abaixo da média de todo o ano de 2010.
Para o presidente da Associação Nacional de Sindicatos da Micro e Pequena Indústria, Joseph Couri, a maior distribuição dos recursos entre os pequenos empresários é um sinal de que os tomadores estão usando o crédito barato do BNDES mais para capital de giro e investimentos marginais em vez de ampliação de capacidade com a compra de equipamentos de maior porte, o que geraria mais empregos. Para ele, as pequenas empresas precisam de prazos mais longos.
"Alguns prazos do BNDES caíram de 10 para 5 anos. Não estimula o pequeno empresário a investir muito porque ele tem de pagar com o que produz. Se a prestação é alta, ele não toma com medo de não pagar. É preciso dar mais condições para as pequenas aproveitarem melhor o dinheiro do BNDES, que é o mais barato para investimento produtivo", diz Couri. "De qualquer forma, aplaudimos o que o BNDES tem feito até agora em favor das pequenas empresas."
Entre janeiro e dezembro de 2010, o BNDES informou ter desembolsado R$ 45,7 bilhões para micro, pequenas e médias empresas em 568 mil operações, com valor médio de pouco mais de R$ 80 mil. O BNDES ainda não divulgou o seu desempenho em todo o ano de 2011, mas a desaceleração na demanda por crédito verificada no fim do ano, principalmente nas linhas indiretas do banco - as mais procuradas pelos pequenos empresários - deve fazer cair ainda mais o valor médio das operações do BNDES com MPMEs.
Apesar da previsão de uma redução entre 15% e 20% no desembolso total do BNDES em 2011, as liberações para MPMEs deverão figurar no desempenho do ano um pouco acima do patamar de R$ 45,7 bilhões de 2010.
No entanto, o número de operações cresceu bem mais, fechando o ano em torno de 800 mil.
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