quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

O pré-sal e o belicoso dueto franco-americano 05/01/2012


A extrema direita republicana, o claudicante Obama e até o desidratado Sarkozy se escoram no discurso da guerrra contra o Irã para contornar o desgaste de uma liderança pífia, incapaz de enfrentar o verdadeiro inimigo responsável pelo empobrecimento, o desemprego e a insegurança que afetam a vida dos seus eleitores.

Desta vez, é o programa nuclear iraniano que desempenha o papel exercido pelas "armas de destruição em massa", em 2003, principal cabo eleitoral de Bush na invasão do Iraque e em sua posterior reeleição, em 2004, quando os democratas, a exemplo do tíbio Obama, não tiveram a coragem de afrontar o engodo belicista diante de um eleitorado manipulado pelo terrorismo da direita.

Hoje, como ontem, a marcha da guerra explica também, em boa parte, a pressão sobre os preços do petróleo. As cotações mantém-se acima de US$ 100 o barril em plena desaceleração mundial, adicionando explosividade a uma economia minada em seus alicerces estruturais.

O Brasil assiste à espiral bélica de um mirante privilegiado. Embora a mídia tenha dado pouco destaque, a Petrobrás bateu seu recorde de produção em novembro último: 2,1 milhões de barris/dia. Mas não é apenas o suprimento imediato que está garantido. Até 2015, a estatal investirá S$ 224,7 bi( 390 bi de reais) em exploração e produção.

Quase a metade desse total, mais de 45%, vai acelerar a exploração dos grandes reservatórios do pré-sal. Nos próximos oito anos caberá a eles assegurar 40% da oferta brasileira, garantindo o suprimento de uma demanda de 3,3 bilhões de barris/dia no final da década.

A regulação soberana dessa riqueza, anunciada pelo governo Lula em 2009 - e demonizada pelo dispositivo midiático demotucano - consolidou a reversão de boa parte do processo de privatização do petróleo brasileiro.

Passados 14 anos da quebra do monopólio feita em 1997, pelo governo FHC, a Petrobrás é responsável por 90% da produção nacional. Das 49 descobertas marítimas registradas nesse período, 39 foram feitas pela estatal, entre elas o pré-sal, em 2007. Ademais da segurança energética, a hegemonia pública nessa área faz das encomendas vinculadas ao ciclo do pré-sal --condicionadas por elevados índices de nacionalização-- um dos maiores impulsos industrializantes da história do país.

Quanto vale isso em plena recessão mundial,combinado com a marcha da guerra no Irã? Com a palavra, os privatistas e seu dispositivo de imprensa.
Postado por Saul Leblon às 07:28

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