sábado, 31 de agosto de 2013

Black Blocs jogam esterco na sede da Globo 31/08/2013

247 - Os meios de comunicação se tornaram um dos alvos preferenciais dos protestos. Na noite de ontem, integrantes do grupo Black Blocs jogaram esterco na sede da TV Globo, em São Paulo. Os manifestantes gritaram palavras de ordem contra o monopólio dos meios de comunicação e a manipulação da informação.
Curiosamente, ontem a Globo foi condenada pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica por práticas anticompetitivas. Segundo o Cade, a política comercial da Globo ajudou a esmagar a concorrência no mercado de jornais do Rio de Janeiro (leia mais aqui). Cada um dos irmãos da família Marinho possui uma fortuna de US$ 7 bilhões, segundo a revista Forbes.
Antes do ato contra a Globo, os Black Blocs já haviam feito uma manifestação contra a Editora Abril, que publica a revista Veja, que os colocou na capa como "o bando dos caras-tapadas".

A importância da filosofia da linguagem para o marxismo 31/08/2013



Mikhail Bakhtin Mikhail Bakhtin (1895-1975)


Hoje em dia convive-se com um novo idealismo que contaminou grandes segmentos da esquerda intelectual e que transformou a língua não só em um campo independente, mas também em uma esfera tão onipresente, tão dominante, que virtualmente extingue a ação humana.

Por Ângela Almeida (*)


Essa concepção e a política que acarreta não são simples curiosidades inofensivas, constituem uma abdicação à responsabilidade política. E também são obstáculos à reconstrução de movimentos políticos e sociais organizados de protesto e resistência.

Marx e Engels não desenvolveram uma teoria sobre a língua. Ainda assim, o pouco que disseram sobre o assunto merece ser destacado em uma época de confusão geral no tocante a alguns dos pressupostos básicos do materialismo histórico.

Para início de conversa, vale relembrar que a concepção materialista da história, exposta em trabalhos antigos como A ideologia alemã, não nega o papel da consciência na vida humana. Ao contrário, procura combater a indiferença da consciência pela produção social. Marx e Engels não condenam o idealismo por levar a sério o pensamento e a língua, mas por lhes dar uma existência independente: “A língua é a realidade imediata do pensamento. Da mesma maneira que deram ao pensamento uma existência independente, os filósofos foram obrigados a transformar a língua em um campo independente”.

Seres humanos, Marx e Engels insistem, produzem ideias como parte da produção da totalidade de suas condições de vida. A produção das ideias e conceitos, portanto, “está diretamente entrelaçada com a atividade e o intercâmbio materiais” entre pessoas. Eles sugerem que isso é “a linguagem da vida real”. Um aspecto definidor da vida humana é o trabalho social, a maneira como organizamos as atividades produtivas interligadas dos indivíduos, a fim de nos reproduzirmos materialmente. Assim como pressupõe consciência, o trabalho humano requer comunicação entre indivíduos. A língua é o meio para tal comunicação, é o próprio material de que é constituída a consciência humana. A língua é a forma de consciência especificamente humana, a consciência de seres singularmente sociais. Segue-se que “a língua é tão antiga quanto à consciência, é a consciência prática, real, que existe também para outros homens”.

Mesmo que seja apenas esboçada, esta é uma descrição indispensável a qualquer opinião que queira levar a língua a sério, sem separá-la da totalidade da atividade humana. Marx e Engels não oferecem mais que um arcabouço para a compreensão da língua. Por sorte, autores posteriores desenvolveram e ampliaram a explicação, deixando-nos de posse de uma teoria materialista sobre a língua bastante enriquecida.

Entre esses esforços, um dos mais importantes é a obra pioneira Marxismo e filosofia da linguagem publicada na Rússia em 1929, assinada por V. N. Voloshinov, e posteriormente atribuída a Mikhail Bakhtin. Não são claras as razões efetivas que teriam levado Bakhtin a escolher o nome de um de seus amigos e discípulos para subscrever a autoria do livro. O fato é que o leitor encontrará nessa obra vários pontos em comum com A Poiética de Dostoievki e Rabelais e a cultura popular, ambas escritas por Bakhtin.

Três proposições são fundamentais para Bakhtin sobre a língua. Em primeiro lugar, todos os signos – de palavras a sinais de trânsito – são materiais, corporificados em uma ou outra forma física. Em segundo, eles são de natureza social, existem nas fronteiras entre indivíduos e não têm significado fora da interação comunicativa. Em terceiro, uma vez que os signos são sociais, toda abordagem abrangente da língua terá que se concentrar na fala, no meio através do qual ocorre a maior parte da interação linguística. Fora da fala, a língua é morta, é um conjunto de meios de comunicação sem o ato de comunicação em si, uma forma sem substância. A vida da língua, seu próprio dinamismo, portanto, reside na fala, na interação verbal entre os indivíduos.

A interação social, no entanto, não é simplesmente discursiva. A fala não é um campo com “existência independente”, mas um aspecto de um nexo multifacetado de relações sociais. Segue-se que os signos estão imersos nas relações que prevalecem entre os seres humanos. “As formas dos signos”, Bakhtin escreve, “são condicionadas, acima de tudo, pela organização social dos participantes envolvidos”. Grupos diferentes tentam marcar palavras de maneira que expressem sua experiência de interação social e suas aspirações sociais. Isso se verifica em especial, mas de modo algum exclusivamente, em relações entre indivíduos de classes diferentes. Como resultado, “o signo torna-se uma arena de luta de classes”.

O que, porém, não significa que as palavras (ou os signos em geral) têm significados inteiramente diferentes para membros de classes sociais diferentes. Palavras, Bakhtin insiste, têm significados razoavelmente constantes e abstratos, como o que encontramos no dicionário. A fala é que implica intenções e temas. Temas têm a ver com entonações e ênfases que membros de grupos sociais específicos tentam dar às palavras, a fim de transmitir suas experiências. Em contextos diferentes, indivíduos participam de “gêneros de fala” diferentes, que possuem melodias, normas, vocabulários, dialetos e assim por diante.

Os discursos oficiais, os sistemas retóricos das classes dominantes, tentam negar a multiacentualidade dos signos. Por meio do discurso, as classes dominantes aspiram traçar uma única visão de mundo. Por isso se esforçam para impor um conjunto unificado de significados e temas, como sendo a única maneira possível de descrever as coisas. “A classe dominante”, Bakhtin escreve, “esforça-se para impor uma supraclasse, um caráter eterno, ao signo ideológico”.

A classe dominante, porém, por mais que tente, não pode reprimir tentativas de marcar os signos de formas diferentes da do discurso oficial. Os signos não são monolíticos. Pelo contrário, transbordam de acentos contraditórios. “Nas condições comuns da vida”, Bakhtin argumenta, “a contradição encerrada em todo signo ideológico não pode emergir plenamente”. Mas em ocasiões de crise ou sublevação revolucionária, quando a legitimidade das classes dominantes está sendo atacada, essas contradições são contestadas por indivíduos que exigem cada vez mais espaço público para discursos alternativos e de oposição.

A filosofia da linguagem de Bakhtin é, sobretudo, histórica. E, como tal, constitui um poderoso corretivo das ideias estáticas e a-históricas predominantes no novo idealismo – que vê a história como uma série de divergências discursivas, uma sucessão desconexa de paradigmas linguísticos, e não um processo dinâmico gerado por interações e conflitos entre pessoas vivas, em relações sociais concretas. Bakhtin transfere-nos para o campo vivo da comunicação, da interação verbal entre pessoas imersas nas tensões e contradições da vida social. E, dessa maneira, recupera a história, a interação social e o conflito de classes no estudo da língua.

(*) Mestre em Direito, Doutoranda em Letras e Analista-Tributário da Receita Federal do Brasil

Bibliografia

Bakhtin, Mikhail (Volochinov). Marxismo e filosofia da linguagem. 6ª ed. São Paulo: Hucitec, 1992.

Marx, Karl; Engels, Friedrich. A ideologia alemã. São Paulo: Boitempo, 2007

Wagner Canhedo (VASP) é preso em Brasília por sonegação de impostos 31/08/2013

Wagner Canhedo é preso em Brasília por sonegação de impostos


O empresário Wagner Canhedo foi preso neste sábado (31) pela Polícia Civil do Distrito Federal. A prisão decorre de sentença da Justiça de Santa Catarina por sonegação fiscal.


De acordo com o delegado Sérgio Henrique de Araújo Moraes, que interinamente está no comando da Delegacia de Captura e Polícia Interestadual, Canhedo foi condenado a quatro anos, cinco meses e dez dias de prisão.

O regime de prisão é semiaberto. Segundo o delegado, o empresário de 77 anos foi preso no início da manhã em casa, em Brasília. Inicialmente, ele ficará na carceragem da delegacia e depois será transferido para o Centro de Progressão Penitenciária.

Wagner Canhedo era dono da Viação Aérea São Paulo (Vasp), que teve falência decretada pela Justiça paulista em 2008. Em junho deste ano, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) confirmou a falência da Vasp, por considerar que não havia como continuar com o processo de recuperação judicial. Atualmente, a família Canhedo controla empresas de ônibus em Brasília.

Fonte: Agência Brasil

Polícia Federal fez Operação Propinão Tucano no TCE-SP 31/08/2013


Deu na revista IstoÉ:

PF entra no trilho

Polícia Federal vai investigar contratos do Metrô de São Paulo, denunciados por ISTOÉ, que já foram analisados pelo Tribunal de Contas e somam R$ 11 bilhões
Alan Rodrigues, Pedro Marcondes de Moura e Sérgio Pardellas

Passava das 14h da quinta-feira 29 quando agentes da Polícia Federal entraram no edifício do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo, centro da capital paulista, e subiram ao quinto andar em busca de documentos relacionados à formação de cartel de empresas ligadas ao transporte sobre trilhos em São Paulo. A ação policial teve como foco 21 contratos com indícios de irregularidades, de acordo com pessoas ligadas à investigação e ao Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica). Os negócios, em valores corrigidos, somam cerca de R$ 11 bilhões. Cinco já foram julgados irregulares pelo Tribunal de Contas. Já três, estimados em R$ 6,3 bilhões, nem sequer foram julgados. Outros 13, como o projeto executivo para o trecho Ana Rosa/Ipiranga da Linha 2 Verde, que custou ao menos R$ 143,6 milhões, foram considerados regulares pelo tribunal.
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A Polícia Federal pretende usar as informações contidas nos procedimentos do TCE para complementar um inquérito que investiga as fraudes cometidas pelas 18 empresas participantes do cartel, que teria abastecido um propinoduto que percorreu as gestões do PSDB em São Paulo nos últimos 20 anos. Há três semanas ­ISTOÉ já havia revelado com exclusividade análises do Tribunal de Contas do tEstado de São Paulo que alertavam as autoridades paulistas sobre a existência de superfaturamentos e direcionamento de contratos. Apesar dos avisos, as tramoias nos certames continuaram a ocorrer. “A auditoria do tribunal, em diversos casos de contratos, mostrou que não havia competição entre as empresas”, disse o presidente do tribunal, Antônio Roque Citadini. “Diante desses novos fatos, os contratos que já foram julgados regulares podem ser reabertos para nova análise”, afirma Citadini.
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O Ministério Público Federal também aprofunda as investigações sobre o escândalo do Metrô em São Paulo. Desde que a PF realizou, em 4 de julho, a operação “Linha Cruzada”, o MPF tenta sem êxito ter acesso ao material recolhido. Os requerimentos encontram-se parados na Justiça há mais de um mês à espera de uma decisão. De acordo com a procuradora da República, Karen Louise Jeanette Kahn, o compartilhamento é necessário para que haja uma força-tarefa na investigação. “Essa troca de informações é condição básica para que o trabalho avance de forma mais rápida e os ilícitos detectados sejam punidos”, analisa Karen.

Nos paraísos fiscais, recessão só arrocha os pobres 31/08/2013

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O que é a recessão num paìs pobre, todos sabemos na carne. Nos paìses ricos, estamos lendo nos jornais e vendo, de alguma forma, no desarranjo econômico do mundo. Mas nenhum de nós tem ideia de que também os chamados “paraísos fiscais” estão sofrendo com ela. Claro que não os ricos, os que lá levam ou lavam seus dinheiros tirados da exploração ou da sonegação. Mas os pobres, que lhes prestam serviços e fazem aquelas pequenas comunidades funcionar.
Rafael Ramos Marín, do jornal espanhol La Vanguardia, foi ver como é. E, como sempre, quem paga são os pobres.

Segredos milionários nas ilhas do tesouro

Não param de chegar refugiados à ilha de Man. Mas não vêm em botes, como os que chegam a Tarifa (cidade andaluz) e à costa andaluza, mas sim em jatos privados. E quem os espera, para lhes dar as boas vindas, não é a Guarda Civil, mas motoristas particulares que lhes abrem a porta de um Bentley, de um Porsche ou de um Ferrari (a ilha tem uma das maiores concentrações de carros de luxo do mundo). Não fogem da fome e da miséria, mas do imposto de 50% sobre os rendimentos mais altos no Reino Unido e da obsessão dos governos em fiscalizar o seu dinheiro.
A recessão não chegou à ilha de Man (goza de um quarto de século de crescimento económico consecutivo, o ano passado cresceu 2,5%), mas os cortes chegaram. Tal como em Jersey e em Guernsey (ilhas do Canal da Mancha), também aqui se nota o impacto da campanha internacional para apertar o cerco aos paraísos fiscais, obrigando-os a uma maior transparência e a cortarem privilégios. Isso traduz-se numa perda de receitas e em déficit orçamentário, que não é pago pelos multimilionários mas sim pelos trabalhadores. É o efeito Robin Wood ao contrário, tirar aos pobres para dar aos ricos.
“Se destruírem o nosso sistema financeiro convertem-nos numa espécie de Liverpool, mas com um clima ainda pior”, diz o primeiro-ministro da ilha de Man, Alan Bell, que na última reunião do G-8 prometeu colaborar na luta contra a fraude fiscal e “ter em conta as preocupações de Londres e da União Europeia”, mas sem se comprometer com nada de concreto. É lógico. O setor financeiro representa um quarto da economia da ilha, graças ao fato de não existirem impostos sobre as empresas e de o imposto máximo sobre o rendimento ser de 10%, com um teto de 125 mil euros anuais, seja qual for o valor total do rendimento. Não há impostos sucessórios nem mais-valias. Para os milionários, é uma verdadeira pechincha.
Paraíso fiscal situado no meio do mar da Irlanda, a ilha de Man é um sítio muito especial, conhecido pelas suas corridas de motas, com dois programas de exploração lunar ativos, um ministro dos Assuntos do Espaço e uma empresa (Excalibur Almaz) que desde a aventura da Apolo 17, há mais de 40 anos, tenta ser a primeira a organizar a próxima viagem à lua. Os aposentados fazem figuração nas numerosas produções de cinema e de televisão que ali são rodadas (meia centena, até hoje), aproveitando o simpático regime fiscal.
Mas trata-se de uma riqueza eletrónica, que tecnicamente está na ilha mas que é gozada em Londres, Nova York ou Saint-Tropez. O passeio marítimo de Douglas, a capital, não é exatamente La Croisette de Cannes. Não há mansões fabulosas, porque os ricaços só “tecnicamente” ali moram. As casas e as lojas não são nem melhores nem piores do que em qualquer outro lugar do norte de Inglaterra. Os salários dos 80 mil habitantes (quase todos brancos) são semelhantes aos do Reino Unido, mas o custo de vida é muito mais alto. Arrendar uma casa é mais caro e os alimentos chegam de barco ou de avião.
E agora, vão ser aplicados a todos os ministérios cortes da ordem dos 35 milhões de euros, exceto na Saúde e Educação, e que afetarão sobretudo os trabalhadores temporários (são necessários cinco anos de residência para ter direito ao Seguro Social). Tudo isto porque Londres decidiu cortar o pedaço do bolo que cabia à ilha em receitas de comércio e de apostas, e que significam quase 500 milhões de euros ao ano (cerca de 60% do orçamento). E subir os impostos dos ricos, nem pensar, evidentemente! “É a pior crise de que me lembro, e olhe que já não sou nova”, diz aaposentada Norma Cassell, num salão de chá do centro de Douglas.
As ilhas anglo-normandas de Jersey e Guernsey, no canal da Mancha, apenas a quinze quilómetros da costa francesa, têm o mesmo estatuto da ilha de Man: não fazem parte nem do Reino Unido nem da União Europeia, não são colónias nem territórios ultramarinos, dependem da coroa britânica e têm hino e bandeira, juram lealdade à Rainha, pagam uma quota a Londres para que se encarregue da sua defesa e da sua diplomacia, mas têm leis próprias, sobretudo em matéria de impostos.
Calcula-se que só em Jersey estejam 600 milhões de euros em dinheiro que fugiu de impostos, oculto nas contas e nos fundos de meia centena de bancos internacionais. Mais de metade dos 98 mil habitantes são bancários, contadores, advogados e assessores financeiros. É como um grande clube de campo, cuja inscrição custa, no mínimo, onze anos de residência, ter bens no valor de oito milhões de euros e comprar uma casa que custe, no mínimo, dois milhões de euros.
Os anúncios no aeroporto de St. Helier oferecem assessoria fiscal e gestão de propriedades, e não restaurantes de comida rápida. Mas, tal como em Douglas, falta-lhe glamour. Casas normalíssimas (algumas bastantes degradadas), as mesmas lojas das mesmas cadeias, como em qualquer outro lado. O rendimento per capita é de 22 mil euros, mais alto que o inglês, mas os camponeses (assim são conhecidas na gíria local as pessoas não são milionárias nem trabalham na área financeira) estão furiosos com a subida de 3% do imposto para compensar a queda das receitas causada pela crescente pressão sobre os paraísos fiscais.
“Se aqui fosse a França já tinha havido uma revolução, é incrível que sejamos nós, os pobres, a subsidiar os milionários”, lamenta-se Edith Newman, empregada de farmácia, ao balcão do pub The Admiral, na James Street. A história é igual à da ilha de Man.
“Há muito blá-blá-blá por causa da crise, mas os paraísos existem porque assim o desejam as classes dirigentes e os governos. É tudo fita. Só Jersey fornece 200 milhões de euros de liquidez ao sistema bancário britânico, uma válvula de segurança que caiu que nem cereja na crise financeira – diz um gestor de fundos com escritório em Royal Square –. Se os Estados precisam de dinheiro, vão buscá-lo nas pensões e nos salários, não às grandes fortunas.”
Um segredo que já todo mundo sabe e que chegou numa garrafa às ilhas do tesouro.
Por: Fernando Brito

Médica brasileira, formada em Cuba: Brasil é “medicalocêntrico” 31/08/2013

Viomundo

por Heloisa Villela, de Nova York, especial para o Viomundo
Conheci Marina Corradi no lobby de um hotel de Havana, em Cuba, no fim de fevereiro de 2010.
Nós duas aguardávamos a chegada do presidente Lula que, de Cuba, seguiria para o Haiti.
Marina não  é jornalista como eu. Ela já era médica, formada pela Universidade Latino Americana que prepara, em Cuba, profissionais de saúde de vários países.
Marina estava a caminho do Haiti a convite dos cubanos, para participar de uma brigada internacional de ajuda ao país recém-devastado por um terremoto.
Eu desembarquei no Haiti pouco mais de 24 horas após o terremoto, em janeiro, e sabia bem o que Marina iria encontrar por lá.
Pensei, na época: “Que coragem e que disposição!”
Ela não tinha obrigação de ir. Inscreveu-se voluntariamente e, quando veio o convite, se afastou do trabalho para participar da missão humanitária.
Agora, Marina está no Brasil. É médica de família no posto de saúde da cidade de Juatuba, em Minas Gerais. Um município que tem 30 mil habitantes onde ela atende a população rural.
Os problemas mais comuns que ela trata são diabetes, hipertensão e gravidez de adolescentes.
Marina disse que está muito satisfeita com o trabalho e, ao mesmo tempo, faz um mestrado na Unicamp em saúde coletiva.
Ela quer se capacitar para ajudar um número ainda maior de pessoas. Por quê?
“Acho que a gente não está aqui à  toa. Acho que a gente veio aqui para contribuir de alguma forma e a forma que eu encontrei foi essa. A medicina”, disse.
Antes de atender a população rural de Juatuba, Marina passou quatro anos trabalhando na área administrativa da Secretaria de Saúde porque o diploma de Cuba não tem revalidação imediata no Brasil, como tem na Espanha.
Ela deu entrada na papelada junto à  Universidade do Ceará e esperou a revalidação, que veio quatro anos depois.
Agora, lá de Juatuba, ela acompanha a discussão a respeito do programa Mais Médicos e o desembarque, no Brasil, dos primeiros colegas cubanos.
– Fico até emocionada. Queria muito que isso acontecesse. O Brasil abrir as portas para médicos de fora, especialmente de Cuba, porque a população brasileira precisa conhecer uma atenção integral de saúde e os médicos cubanos têm essa formação. Eles estão capacitados para isso. E Cuba não difere muito do Brasil em muitos pontos.
Prossegue:
“Por exemplo, lá eles têm uma população que mora na serra, que não tem luz. Algumas comunidades não têm água ou saneamento básico. Os cubanos estão acostumados a atender todo tipo de pessoa, em qualquer situação. Eles não exigem muita tecnologia para fazer os atendimentos. Eu não estou dizendo que a falta de infraestrutura não prejudica o atendimento. Prejudica, sim. Ou melhor, limita. Mas uma infecção urinária que incomoda prá caramba, uma amigdalite, você não precisa de uma infraestrutura super-ultra-excelente para resolver.
Marina estima que é possível fazer 80% do atendimento com o básico.
– Você consegue fazer um controle, um tratamento, iniciar o tratamento com a clínica. O município onde estou hoje faz parte da região metropolitana de Belo Horizonte e não usufruo de nenhum aparelho super-avançado para tratar a maioria dos meus pacientes. É um caso ou outro. Mas, na maioria, com os exames de rotina, com acompanhamento, com diagnóstico, a clínica e o exame físico você consegue encaminhar.
Foi apenas a primeira crítica de Marina aos argumentos das organizações que são contra a vinda dos médicos cubanos.
Ela reclama que os que são contra apenas reclamam, mas não oferecem solução para as populações que não têm atendimento.
– Não há proposta. Há quantos anos esse lugares não tem médico? Isso não é um problema recente. Mas ninguém teve a iniciativa de apresentar uma proposta e pensar numa solução. A cobrança de infraestrutura é uma cobrança, mas já foi provado que lugares com infraestrutura também estão sem médicos. Esse discurso de que só fala da infraestrutura não  é suficiente.
Ela acredita que a simples chegada de um médico pode ser motivadora.
– A maneira de criar infraestrutura é com o médico. Ele pode puxar por isso. Não dá pra esperar a situação ideal para o profissional vir. Traz o profissional e vamos atrás da situação ideal. E a população continua sem atendimento. Não dá  mais. O Brasil está crescendo muito, não pode ficar nessa situação. Tem outras opções. Não dá mais para fechar os olhos para isso. Não dá para esperar um médico decidir ir para a cidade que não tem shopping e onde celular não funciona.
Marina vê exagero na reação das entidades de classe:
– Eu acho que foi uma sacudida para a categoria médica porque eu acho que o lugar tá lá. As pessoas têm direito de optar em não ir. Às vezes as condições não são ideais, não vai ter lazer, não vai ter uma vida pessoal legal, ok. Acho que é  uma opção, tem o direito de não querer ir. Mas não permitir que alguém vá fica meio sem sentido. Acho que essa reação é natural. São mais médicos, mais pessoas que vão ocupar lugares que ninguém está ocupando.
Ela está certa de que o apoio aos cubanos vai crescer depois que eles passarem a trabalhar no Brasil.
– Tenho certeza que esses médicos cubanos  vão conquistar o carinho da população, sem dúvida. Vão cumprir com o papel da atenção básica e acho que isso sacode um pouco a categoria. Acho também que há uma tentativa de reserva de mercado. E acho que essa situação traz uma necessidade para os médicos repensarem seus posicionamentos, as condutas, porque não quer tem quem queira, na verdade. Nós não somos exclusivos. Não somos os únicos. Existem médicos que topam ir prá onde a gente não quer ir.  Eu sou super a favor do programa.
A brasileira acredita, no entanto, que é preciso criar uma carreira para os médicos do SUS.
– Faria algumas ponderações porque acho que o governo poderia pensar em uma carreira dentro da atenção básica. Dentro do SUS, para todas as categorias. Não apenas para os médicos. Com concurso. Uma carreira em que ele vai progredir. Que crie um vínculo também. Que estimule o profissional a não sair daquele lugar. A não sair do SUS. Acho que isso seria positivo. Mas no geral, sou super a favor [do Mais Médicos]. Fico super feliz com essa decisão porque acho que a população realmente precisa.

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Marina apresentou uma palavra que define como ela vê a sociedade brasileira: medicalocêntrica. A população, as autoridades e a cultura são, para ela, medicalocênticas. Marina acha que a profissão é sobrevalorizada.
“Não é que não tenha valor”, esclarece, mas os médicos ocupam um papel de destaque e de importância incomparável e, para essa médica, eles são apenas uma parte da equipe. “Eles alegam: estudamos mais tempo, temos mais responsabilidade. Ok, guardemos as devidas proporções, mas o médico é apenas mais um integrante da equipe. No Brasil os médicos ainda são figuras diferenciadas. Acho que isso é um fator cultural”.
Ela acha que, antes de mais nada, a Medicina no Brasil precisa se reaproximar da população.

Sorocaba - SP: PSDB em crise, e o povo ganha: Prefeitura chama 142 médicos para reforçar atendimento na saúde 31/08/2013

Prefeitura chama 142 médicos para reforçar atendimento na saúde

 Notícia publicada na edição de 31/08/13 do Jornal Cruzeiro do Sul, na página 7 do caderno A - o conteúdo da edição impressa na internet é atualizado diariamente após as 12h.

Com novos médicos, meta é transformar UBSs em centros integrados - Arquivo JCS/Adival B. Pinto

Carolina Santana
carolina.santana@jcruzeiro.com.br

Os médicos aprovados no concurso público da Prefeitura começam a trabalhar no dia 16 de setembro. O edital de convocação dos 142 aprovados foi publicado ontem no jornal oficial Município de Sorocaba. A distribuição dos cargos será feita nos dias 4 e 11 de setembro. De acordo com o secretário de Saúde, Armando Raggio, esses profissionais serão contratados para atender nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs) e nas Unidades Pré-Hospitalares (UPHs) de Sorocaba. Raggio confirmou ainda que, até o final de 2016, serão construídas seis novas UBSs, sendo três para reposição ou ampliação de unidades já existentes e outras três para atender bairros que ainda não contam com atendimentos básicos de saúde.

Todos os candidatos aprovados foram convocados, e por essa razão, não há lista de espera. A lotação dos médicos será de acordo com a colocação no processo seletivo e ordem de chegada nos dias de distribuição das vagas. Os aprovados devem se apresentar nos dias 4 e 11 de setembro à Prefeitura. Raggio informa que a lista de convocação deve ser respeitada. Ela está disponível no jornal Município de Sorocaba, que pode ser acessado pelo site http://www.prefeiturasorocaba.com.br/.

As contratações fazem parte do plano de transformar as UBSs em Centros Integrados de Atenção. Os 142 profissionais convocados são para os cargos de clínico geral (58 médicos); ginecologista (13 médicos); pediatra (6 médicos); plantonista pediatra (2 médicos) e clínico geral plantonista (63 médicos). A jornada mínima será de 75 horas mensais, com ganhos que vão de R$ 4.507 a R$ 11.447,65. O valor mais alto será recebido por aqueles que optarem pelo programa Médico da Família. Os contratados como clínicos gerais ainda poderão atuar dentro de suas especialidades nas UBSs, reforçando assim, a ideia de fortalecer os atendimentos nessas unidades.

Pelo menos 15 das 31 UBSs da cidade devem ser transformadas em Centros Integrados de Atenção até o final do ano. Com isso, cada unidade deve receber um eletrocardiógrafo, aparelho para raio X odontológico e o chamado carrinho de parada, que leva equipamentos para intubação, desfibrilador, cilindro de oxigênio e medicamentos emergenciais. A promessa de Raggio é que até o final do mandato do prefeito Antonio Carlos Pannunzio (PSDB), todas as Unidades Básicas de Saúde tenham sido adaptadas para centros integrados.

Novas UBSs

Parte do plano do governo atual, a ampliação da rede de UBSs deve começar esse ano. Raggio informa que até o final de 2016 seis novas unidades devem ser construídas na cidade. Segundo ele, pelo menos três serão para atender bairros ainda não contemplados com unidades básicas de saúde. "Ainda temos que conversar com o Conselho Municipal de Saúde e procurar terrenos, ainda não temos condições de adiantar mais nada", argumentou o secretário.

As outras três unidades, continua Raggio, serão para substituir unidades já existentes ou ainda permitir a ampliação de outras. Entre os exemplos de UBSs que serão ampliadas, o secretário cita os bairros de Brigadeiro Tobias e Aparecidinha. "Às vezes fica mais barato construir um prédio novo do que reformar e adaptar as já existentes", comentou o secretário sem entrar em detalhes sobre os valores. Ele adianta, porém, que as obras devem contar com recursos vindos do Ministério da Saúde, com contrapartida por parte do Município.