Não
é apenas trabalhadores que desembarcam na Alemanha por conta da crise
em seus países de origem. Nos últimos dois anos, o mercado alemão atraiu
bilhões de euros. Temendo uma quebra de bancos ou mesmo a saída da
Grécia da zona do euro, os investidores optaram por levar seu dinheiro
para o local mais seguro da Europa. Empresários e banqueiros alemães
comemoram.
Desde
2009, 1 trilhão saiu dos bancos dos países do sul da Europa, seja por
conta de correntistas em busca de um local seguro para suas economias ou
por conta de investidores que buscavam novas oportunidades.
Na Espanha, 67 bilhões deixaram os bancos do país apenas em março. No
primeiro trimestre, a sangria chegou a 97 bilhões. Nos últimos nove
meses, a fuga atingiu 200 bilhões.
Na Itália, a fuga de capital dos
bancos chegou no fim de março a 240 bilhões, em comparação ao mesmo
período do ano passado, segundo dados do banco central italiano.
Desde
que a crise eclodiu na Grécia no fim de 2009, correntistas e
investidores já retiraram dos bancos do país 72 bilhões.
Em Portugal, o
auge da crise nos bancos foi em meados do ano passado. Entre janeiro e
outubro, 11 bilhões foram retirados do país.Parte dessa fortuna tomou o
rumo do bancos alemães e da Bolsa de Frankfurt. O efeito é sentido em
vários segmentos. De um lado, o governo de Angela
Merkel nunca teve tanta facilidade para se financiar. Na semana
passada, pela segunda vez, investidores pagaram para estacionar seu
dinheiro na Alemanha. Ao emitir títulos da dívida, Berlim viu que os
juros estipulados estavam negativos, enquanto na Espanha batia novos
recordes.Banqueiros não disfarçam a satisfação. No fim de abril, os
depósitos em bancos alemães cresceram 4,4% em comparação ao mesmo
período de 2011, para um total de 2,1 trilhões.
"Centenas de bilhões de
euros entraram na Alemanha. Quem é que vai querer manter o capital
depositado por anos em um banco que simplesmente
pode quebrar", questionou o banqueiro alemão, Robert Halver. Para ele, a
entrada de capital tem ajudado a economia alemã a resistir à crise.
"Isso está sendo um dos elementos da solidez alemã."Quem também comemora
são as empresas do
setor da construção. A chegada de capital do exterior tem se traduzido
na busca cada vez maior por imóveis, principalmente no segmento de luxo,
no momento em que o governo alemão desacelera os gastos com obras
públicas. "Mansões de 10 milhões estão sendo compradas pelo telefone", revelou
Rainer von Borstel, gerente para a região de Hessen da Confederação de
Construção da Alemanha, uma das entidade de maior poder no país. "É uma
loucura. Empresas têm recebido ligações da Grécia e de outros países do sul simplesmente pedindo ofertas de casas e fechando negócios por telefone."
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