quarta-feira, 14 de setembro de 2016

Desespero: Lava Jato acusa Lula de ser o chefe de toda corrupção no governo federal 14/09/2016





Jornal GGN - O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi denunciado pela primeira vez no âmbito da Operação Lava Jato, no caso do Triplex do Guarujá. O anúncio foi feito nesta quarta (14) pela força-tarefa do Ministério Público Federal. A denúncia também inclui a esposa de Lula, Marisa Letícia da Silva, e outras seis pessoas.

Segundo a acusação, Lula recebeu vantagens indevidas referentes à reforma de um triplex feita pela OAS. A reforma foi oferecida a ele como compensação por ações do ex-presidente no esquema de corrupção da Petrobras, dizem os procuradores.

A denúncia também inclui os nomes do presidente do Instituto Lula, Paulo Okamotto, e do ex-presidente da OAS Léo Pinheiro. Os outros quatro denunciados são pessoas ligadas à empreiteira: Agenor Franklin Magalhães Medeiros, Paulo Roberto Valente Gordilho, Fábio Hori Yonamine e Roberto Moreira Ferreira.

Em coletiva de imprensa, o procurador Deltan Dallagnol diz que Lula chefiava o esquema que foi usado por aliados para atingir três objetos: governabilidade, perpetuação no poder e enriquecimento ilícito. "O que vemos é a propinocracia. (...) O PT arrecadando recursos para se perpetuar no poder. (...) O petrolão era parte de um esquema de governabilidade corrompido."

Ainda de acordo com ele, o esquema da Petrobras se repetiu em outros setores e não existiria se Lula não estivesse no comando. "Só o poder de decisão de Lula fazia o governo corrupto viável. Ele estava no topo da pirâmide do poder."

Para Dallagnol, Lula é o culpado por existir a corrupção dentro do esquema de indicações para as diretorias de estatais, a principal delas a Petrobras. "O que a Lava Jato identificou é que como forma de se conseguir formar essa coalisão e de se alcançar governabilidade, um governo que funcionasse pela passagem dos projetos de lei, foi uma troca de favores. Os partidos, em troca de apoio político, exigiam pessoas por ele indicadas assumissem determinados cargos. O presidente da República aceitava aquelas indicações em troca de apoio político", contou.
"Até aí nós temos um sistema de governança corporativa, vamos dizer assim, que não é o mais adequado, mas até aí não tinha nada criminoso", admitiu o coordenador da força-tarefa da Lava Jato. Mas seguiu na sua conclusão, quando entra em questão o que os investigadores chamaram de "propinocracia: o governo regido pela propina".

"O problema é que o que se descobriu é que a disputa por funções públicas é o fato de que as indicações valem dinheiro. Indicações valem propinas, os apadrinhados políticos que assumiam os cargos públicos passariam a exercer suas influências junto aos partidos atuais para arrecadar propina", completou a narrativa, o que fez a Lava Jato chegar à conclusão, seguindo a teoria do domínio do fato, de que o ex-presidente "sabia de tudo" e, portanto, devido à sua influência no meio político, era "o verdadeiro comandante do esquema criminoso", "o verdadeiro maestro dessa orquestra criminosa".
http://jornalggn.com.br/noticia/lava-jato-acusa-lula-de-ser-o-chefe-de-toda-corrupcao-no-governo-federal


Apesar de a apresentação na coletiva de imprensa, com infográficos e desenhos para explicar que Lula era o centro e o "verdadeiro comandante" do esquema, a peça dos procuradores precisa trazer provas materiais, além dos depoimentos de delações contando que o ex-presidente "sabia de tudo".

Para isso, os procuradores sustentam outra tese na denúncia, que não essa narrativa exposta na apresentação à imprensa, para o documento fazer o ex-presidente virar réu de Sérgio Moro. A tese, neste caso, é a de que Lula teria "recebido dissimuladamente R$ 3,7 milhões em propinas que foram dadas pela OAS derivadas de um caixa geral, como a compra e reforma de um apartamento triplex em Guarujá, no litoral de São Paulo".

Mas para também comprovar essa teoria, os procuradores avançaram no campo da narrativa. Dallagnol afirmou que há 14 conjuntos de evidência contra o ex-presidente, que teria sido o "maior beneficiário do esquema". Uma delas é a "reação" de Lula.


"A reação de Lula a todas as investigações do Mensalão ou mesmo da Lava Jato, uma reação de desqualificação ou mesmo de obstrução o que aponta para a sua responsabilidade pelo esquema, como aquele que foge da cena do crime após matar a vítima e busca depois silenciar testemunhas", tentam garantir os procuradores.

Seguindo essa linha de que Lula era o "chefe geral", o procurador afirmou que o esquema criminoso não se restringia à Petrobras, mas essa estatal era a "galinha dos ovos de ouro do esquema", representando 75% dos investimentos federais em determinado momento. Mas além dela, também estariam as outras estatais, como a Eletrobras, os ministérios do Planejamento e da Saúde, a Caixa Econômica, entre outros órgãos públicos.


Ainda na coletiva, segundo o delegado Igor Romário de Paula, membro da força-tarefa da Polícia Federal, a investigação contra o ex-presidente Lula foi "um sucesso", uma vez que "estamos falando de investigações que foram concluídas em três meses".

Ao responder a um jornalista do Metro que questionou como eles comprovam que os recursos no triplex eram ilícitos dos contratos obtidos na Petrobras, o procurador Roberson Pozzobon deu uma resposta generalizada: os crimes de corrupção, cartel, tributários e contra a ordem econômica foram praticados pelas empreiteiras, entre elas a OAS, e geraram o caixa geral, "uma verdadeira poupança de recursos criminosos", que eram repassados a diretores da estatal, partidos políticos e também usados nessas obras que beneficiariam Lula.

Defesa de Lula explica, mais uma vez, o fatídico triplex que é base da denúncia 14-09-2016


 



Jornal GGN - A defesa de Lula e D. Marisa, mais uma vez, explica toda a novela do triplex do Guarujá. O Ministério Público Federal, na função de acusador da Lava Jato, baseou toda a denúncia contra o ex-presidente no apartamento do Guarujá, que não pertence à família de Lula. Mais uma vez levantam a questão e dão voltas e voltas para tentar provar que a culpa existe, só não conseguimos ver com clareza.

A coletiva de hoje foi mais um show para a mídia, a grande mídia, e o power point do procurador demonstrou bem a que veio: para condenar não interessa que não tenha crime.

A defesa de Lula e família, mais uma vez, tenta explicar o que está mais do que evidente, o que já foi exaustivamente explicado e que consta, inclusive, de documentos oficiais, tal como Declarações do Imposto de Renda. Mas não vem ao caso.

Mais uma vez, reproduzimos o comunicado da defesa. Leia a seguir.

NOTA

Denúncia do MPF é truque de ilusionismo; coletiva é um espetáculo deplorável

Luiz Inácio Lula da Silva e sua esposa Marisa Letícia Lula da Silva repudiam publica e veementemente a denúncia ofertada na data de hoje (14/09/2016) pelo Ministério Público Federal (MPF), baseada em peça jurídica de inconsistência cristalina.

A denúncia em si perdeu-se em meio ao deplorável espetáculo de verborragia da manifestação da Força Tarefa da Lava Jato. O MPF elegeu Lula como “maestro de uma organização criminosa”, mas “esqueceu” do principal: a apresentação de provas dos crimes imputados. “Quem tinha poder?” Resposta: Lula. Logo, era o “comandante máximo” da “propinocracia” brasileira. Um novo país nasceu hoje sob a batuta de Deltan Dallagnol e, neste país, ser amigo e ter aliados políticos é crime.

A farsa lulocentrica criada ataca o Estado Democrático de Direito e a inteligência dos cidadãos brasileiros. Não foi apresentado um único ato praticado por Lula, muito menos uma prova. Desde o início da Operação Lava Jato houve uma devassa na vida do ex-Presidente. Nada encontraram. Foi necessário, então, apelar para um discurso farsesco. Construíram uma tese baseada em responsabilidade objetiva, incompatível com o direito penal. O crime do Lula para a Lava Jato é ter sido presidente da República.

O grosso do discurso de Dallagnol não tratou do objeto da real denúncia protocolada nesta data – focada fundamentalmente da suposta propriedade do imóvel 164-A do edifício Solaris, no Guarujá (SP). Sua conduta política é incompatível com o cargo de Procurador Geral da República e com a utilização de recursos públicos do Ministério Público Federal para divulgar suas teses.

Para sustentar o impossível – a propriedade do apto 164-A, Edifício Solaris, no Guarujá – a Força Tarefa da Lava Jato valeu-se de truque de ilusionismo, promovendo um reprovável espetáculo judicial- midiático. O fato real inquestionável é que Lula e D. Marisa não são proprietários do referido imóvel, que pertence à OAS.

Se não são proprietários, Lula e sua esposa não são também beneficiários de qualquer reforma ali feita. Não há artifício que possa mudar essa realidade. Na qualidade de seus advogados, afirmamos que nossos clientes não cometeram, portanto, crimes de corrupção passiva (CP, art. 317, caput), falsidade ideológica (CP, art. 299) ou lavagem de capitais (Lei nº 9.613/98, art. 1º).

A denúncia não se sustenta, diante do exposto abaixo:

1- Violação às garantias da dignidade da pessoa humana, da presunção da inocência e, ainda, das regras de Comunicação Social do CNMP.

A coletiva de imprensa hoje realizada pelo MPF valeu-se de recursos públicos para aluguel de espaço e equipamentos exclusivamente para expor a imagem e a reputação de Lula e D. Marisa, em situação incompatível com a dignidade da pessoa humana e da presunção de inocência. O evento apresentou denúncia como uma condenação antecipada aos envolvidos, violando o art. 15, da Recomendação n.º 39, de agosto de 2016, do Conselho Nacional do Ministério Público, que estabelece a Política de Comunicação Social do Ministério Público.

2- Não há nada que possa justificar as acusações.

2.1 - Corrupção passiva –

O ex-Presidente Lula e sua esposa foram denunciados pelo crime de corrupção passiva (CP, art. 317, caput), no entanto:

2.2.1 O imóvel que teria recebido as melhorias, no entanto, é de propriedade da OAS como não deixa qualquer dúvida o registro no Cartório de Registro de Imóveis (Matricula 104801, do Cartório de Registro de Imóveis do Guarujá), que é um ato dotado de fé pública. Diz a lei, nesse sentido: “Art. 1.245. Transfere-se entre vivos a propriedade mediante o registro do título translativo no Registro de Imóveis”. A denúncia não contém um único elemento que possa superar essa realidade jurídica, revelando-se, portanto, peça de ficção.



2.2.2. Confirma ser a denúncia um truque de ilusionismo o fato de o documento partir da premissa de que houve a “entrega” do imóvel a Lula sem nenhum elemento que possa justificar tal afirmação.

2.2.3. Lula esteve uma única vez no imóvel acompanhado de D. Marisa — para conhecê-lo e verificarem se tinham interesse na compra. O ex-Presidente e os seus familiares jamais usaram o imóvel e muito menos exerceram qualquer outro atributo da propriedade, tal como disposto no art. 1.228, do Código Civil (uso, gozo e disposição).

2.2.4. D. Marisa adquiriu em 2005 uma cota-parte da Cooperativa Habitacional dos Bancários (Bancoop) que, se fosse quitada, daria direito a um imóvel no Edifício Mar Cantábrico (nome antigo do hoje Edifício Solaris). Ela fez pagamentos até 2009, quando o empreendimento foi transferido à OAS por uma decisão dos cooperados, acompanhada pelo Ministério Público do Estado de São Paulo. Diante disso, D. Marisa passou a ter a opção de usar os valores investidos como parte do pagamento de uma unidade no Edifício Solaris – que seria finalizado pela OAS — ou receber o valor do investimento de volta, em condições pré-estabelecidas. Após visitar o Edifício Solaris e verificar que não tinha interesse na aquisição da unidade 164-A que lhe foi ofertada, ela optou, em 26.11.2015, por pedir a restituição dos valores investidos. Atualmente, o valor está sendo cobrado por D. Marisa da Bancoop e da OAS por meio de ação judicial (Autos nº 1076258-69.2016.8.26.0100, em trâmite perante a 34ª. Vara Cível da Comarca de São Paulo), em fase de citação das rés.

2.2.5. Dessa forma, a primeira premissa do MPF para atribuir a Lula e sua esposa a prática do crime de corrupção passiva — a propriedade do apartamento 164-A — é inequivocamente falsa, pois tal imóvel não é e jamais foi de Lula ou de seus familiares.

2.2.6. O MPF não conseguiu apresentar qualquer conduta irregular praticada por Lula em relação ao armazenamento do acervo presidencial. Lula foi denunciado por ser o proprietário do acervo. A denúncia se baseia, portanto, em uma responsabilidade objetiva incompatível com o direito penal

2.3 – Lavagem de Capitais

Lula foi denunciado pelo crime de lavagem de capitais (Lei nº 9.613/98, art. 1º) sob o argumento de que teria dissimulado o recebimento de “vantagens ilícitas” da OAS, que seria “beneficiária direita de esquema de desvio de recursos no âmbito da PETROBRAS investigado pela Operação Lava Jato”.

2.3.1 Para a configuração do crime previsto no art. 1º, da Lei nº 9.613/98, Lula e sua esposa teriam que ocultar ou dissimular bens, direitos ou valores “sabendo serem oriundos, direta ou indiretamente, de crime”.

2.3.2 Além de o ex-Presidente não ser proprietário do imóvel no Guarujá (SP) onde teriam ocorrido as “melhorias” pagas pela OAS, não foi apresentado um único elemento concreto que possa indicar que os recursos utilizados pela empresa tivessem origem em desvios da Petrobras e, muito menos, que Lula e sua esposa tivessem conhecimento dessa suposta origem ilícita.

Cristiano Zanin Martins e Roberto Teixeira

http://jornalggn.com.br/noticia/defesa-de-lula-explica-mais-uma-vez-o-fatidico-triplex-base-da-denuncia

“Não temos como provar, mas temos convicção”, diz procurador que acusa Lula; delegado do caso elogiou Aécio e chamou ex-presidente de “anta” 14-09-2016


 

Ricardo Stuckert / Instituto Lula

Lula é denunciado pela força-tarefa da Lava Jato

Procurador Deltan Dallagnol fala em “propinocracia” e diz que Lula é “comandante máximo do esquema de corrupção”

por Redação de CartaCapital — publicado 14/09/2016

O Ministério Público Federal denunciou, nesta quarta-feira 14, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no caso do tríplex no Guarujá, litoral paulista. Também foram denunciados a ex-primeira dama Marisa Letícia, o presidente do Instituto Lula, Paulo Okamotto, o empresário Léo Pinheiro, da OAS, dois empregados da empreiteira e outros dois investigados.

De acordo com a força-tarefa da Lava Jato emCuritiba, Lula recebeu vantagens indevidas da OAS, uma das empresas que pagava propinas por contratos na Petrobras, na reforma de um apartamento do Edifício Solaris. Construído pela Cooperativa Habitacional do Sindicato dos Bancários (Bancoop), o prédio foi adquirido pela empreiteira.

Se a denúncia for aceita pelo juiz Sergio Moro, da 13ª Vara Federal de Curitiba, o ex-presidente passará à condição de réu pela primeira vez nas investigações conduzidas no Paraná. Pela 10ª Vara Federal de Brasília, o petista já responde a processo por obstrução da Justiça, acusado de participar da tentativa de comprar o silêncio do ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró, um dos delatores do esquema de corrupção na estatal.

Nesta quarta-feira, a apresentação da denúncia contra Lula foi liderada pelo chefe da força-tarefa da Lava Jato, Deltan Dallagnol. O procurador mostrou à imprensa dezenas de slides, que traziam diagramas apontando Lula como centro de um regime nomeado por Dallagnol como “propinocracia” ou, em suas palavras, “o governo regido pela propina”.

De acordo com Dallagnol, Lula era o “comandante máximo do esquema de corrupção” e “elo comum e necessário do esquema criminoso” de desvio de recursos públicos destinados “à perpetuação criminosa no poder”.

Indiciamento

No fim de agosto, às vésperas de viajar para Brasília e acompanhar o julgamento de Dilma Rousseff no Senado, Lula indiciado pela Polícia Federal no inquérito sobre o tríplex. O ex-presidente foi enquadrado pelos crimes de corrupção, lavagem de dinheiro e falsidade ideológica.

“Foi possível apurar que o casal Luís Inácio Lula da Silva e Marisa Letícia Lula da Silva foi beneficiário de vantagens ilícitas, por parte da OAS, em valores que alcançaram R$ 2.430.193,61 referentes às obras de reforma no apartamento 164-A do Edifício Salaris, bem como no custeio de armazenagem de bens do casal”, diz a conclusão da peça.

Quem assina o indiciamento de Lula é o delegado Marcio Adriano Anselmo, um dos principais nomes da Polícia Federal na força-tarefa da Lava Jato. Anselmo ficou famoso em 2014, quando o jornal O Estado de S.Paulo revelou que ele e outros delegados responsáveis pela operação usaram suas redes sociais durante a campanha eleitoral daquele ano para elogiar o senador Aécio Neves, então candidato do PSDB, e criticar Lula.

“Alguém segura essa anta, por favor”, escreveu Anselmo em um grupo fechado de Facebook, segundo o Estadão, em uma notícia com o título “Lula compara o PT a Jesus Cristo”. Em outra postagem, o delegado comentou uma notícia na qual Lula dizia que Aécio não era um homem sério e de respeito. “O que é ser homem sério e de respeito? Depende da concepção de cada um. Para Lula realmente Aécio não deve ser”.

Lula é alvo de perseguição política, diz a defesa

O ex-presidente nega ter cometido qualquer ato ilegal e declara-se vítima de uma perseguição política. Recentemente, encaminhou uma petição ao Comitê de Direitos Humanos da ONU contra Sergio Moro, na qual acusa o magistrado de violar direitos e antecipar juízo em seu desfavor.

Em recente entrevista a CartaCapital, o advogado Cristiano Zanin Martins, que defende Lula, afirma não haver nenhuma prova para amparar a tese de que o tríplex no Guarujá foi adquirido e reformado em benefício de Lula e sua família. “Já demonstramos, com farta documentação, que a dona Marisa Letícia [esposa de Lula] investiu valores, de 2005 a 2009, em uma cota da cooperativa habitacional Bancoop, e depois o empreendimento tocado pela cooperativa foi transferido à OAS”.

“Quando ocorreu essa transferência, os donos das cotas puderam optar entre pedir o resgate do valor investido ou usar o valor como parte do pagamento de uma unidade. A Dona Marisa optou por pedir o resgate do valor investido”, prossegue Martins. “Como se pode atribuir a propriedade do imóvel a ele, sendo que o ex-presidente esteve uma única vez no local? Ele olhou e não teve interesse. Nunca usou, nunca ocupou, nunca usufruiu… É uma propriedade absolutamente diferente do que a legislação prevê e até mesmo o senso comum imagina”.

O advogado de Lula criticou, ainda, o uso político da Lava Jato. “Inverteu-se a lógica da investigação. Já acharam o culpado, agora precisam provar a culpa dele. Promoveram uma devassa na vida de Lula e de seus familiares, e não conseguiram encontrar nada”.

PS do Viomundo: Depois de fazer um discurso eminentemente político, o procurador concluiu que “não temos como provar, mas tenho convicção”. Iniciou-se, em seguida, uma guerra de memes em torno do power point do MPF.

http://www.viomundo.com.br/denuncias/lula-e-denunciado-pela-lava-jato-procurador-acusa-lula-de-ser-o-chefe-de-toda-a-corrupcao.html

A caçada a Lula para completar o golpe 14-09-2016





Por Altamiro Borges

O "golpe dos corruptos", concretizado em 31 de agosto com a aprovação no Senado do impeachment da presidenta Dilma, ainda não está completo. Para ser concluído, os sabotadores da democracia têm urgência de "matar" Lula, inviabilizando a sua candidatura em 2018. Isto explica o circo midiático armado nesta quarta-feira (14) para que o procurador Deltan Dallagnol, coordenador da força-tarefa da Lava-Jato e famoso pelo seu fanatismo messiânico, acusasse o líder petista de ser "o comandante máximo do esquema de corrupção" na Petrobras. A pirotécnica exposição da denúncia contra Lula, sua esposa, Marisa Letícia, e outras seis pessoas não apresentou nada de novo. Foi um requentado das acusações sem provas disparadas no passado, mas confirma a caçada insana e cruel ao ex-presidente.



Logo após o show midiático dos jagunços da Lava-Jato, os advogados de Lula concederam entrevista coletiva para rechaçar a denúncia do Ministério Público Federal. Irônico, o advogado Cristiano Zanin afirmou que o procurador "elegeu Lula como 'maestro de uma organização criminosa', mas 'esqueceu' do principal: a apresentação de provas dos crimes imputados... Um novo país nasceu hoje sob a batuta de Deltan Dallagnol e, neste país, ser amigo e ter aliados políticos é crime". Ele ainda criticou a "conduta política" do carrasco, que "é incompatível com o cargo de procurador da República e com a utilização de recursos públicos do Ministério Público Federal para divulgar suas teses".



Os advogados do ex-presidente também divulgaram uma nota, que reproduzo abaixo:


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Lula e D. Marisa Letícia repudiam denúncia da Lava Jato

Denúncia do MPF é truque de ilusionismo; coletiva é um espetáculo deplorável

Luiz Inácio Lula da Silva e sua esposa Marisa Letícia Lula da Silva repudiam publica e veementemente a denúncia ofertada na data de hoje (14/09/2016) pelo Ministério Público Federal (MPF), baseada em peça jurídica de inconsistência cristalina.

A denúncia em si perdeu-se em meio ao deplorável espetáculo de verborragia da manifestação da Força Tarefa da Lava Jato. O MPF elegeu Lula como “maestro de uma organização criminosa”, mas “esqueceu” do principal: a apresentação de provas dos crimes imputados. “Quem tinha poder?” Resposta: Lula. Logo, era o “comandante máximo” da “propinocracia” brasileira. Um novo país nasceu hoje sob a batuta de Deltan Dallagnol e, neste país, ser amigo e ter aliados políticos é crime.

A farsa lulocentrica criada ataca o Estado Democrático de Direito e a inteligência dos cidadãos brasileiros. Não foi apresentado um único ato praticado por Lula, muito menos uma prova. Desde o início da Operação Lava Jato houve uma devassa na vida do ex-Presidente. Nada encontraram. Foi necessário, então, apelar para um discurso farsesco. Construíram uma tese baseada em responsabilidade objetiva, incompatível com o direito penal. O crime do Lula para a Lava Jato é ter sido presidente da República.

O grosso do discurso de Dallagnol não tratou do objeto da real denúncia protocolada nesta data – focada fundamentalmente da suposta propriedade do imóvel 164-A do edifício Solaris, no Guarujá (SP). Sua conduta política é incompatível com o cargo de Procurador Geral da República e com a utilização de recursos públicos do Ministério Público Federal para divulgar suas teses.

Para sustentar o impossível – a propriedade do apto 164-A, Edifício Solaris, no Guarujá – a Força Tarefa da Lava Jato valeu-se de truque de ilusionismo, promovendo um reprovável espetáculo judicial- midiático. O fato real inquestionável é que Lula e D. Marisa não são proprietários do referido imóvel, que pertence à OAS.

Se não são proprietários, Lula e sua esposa não são também beneficiários de qualquer reforma ali feita. Não há artifício que possa mudar essa realidade. Na qualidade de seus advogados, afirmamos que nossos clientes não cometeram, portanto, crimes de corrupção passiva (CP, art. 317, caput), falsidade ideológica (CP, art. 299) ou lavagem de capitais (Lei nº 9.613/98, art. 1º).

A denúncia não se sustenta, diante do exposto abaixo:

1- Violação às garantias da dignidade da pessoa humana, da presunção da inocência e, ainda, das regras de Comunicação Social do CNMP.

A coletiva de imprensa hoje realizada pelo MPF valeu-se de recursos públicos para aluguel de espaço e equipamentos exclusivamente para expor a imagem e a reputação de Lula e D. Marisa, em situação incompatível com a dignidade da pessoa humana e da presunção de inocência. O evento apresentou denúncia como uma condenação antecipada aos envolvidos, violando o art. 15, da Recomendação n.º 39, de agosto de 2016, do Conselho Nacional do Ministério Público, que estabelece a Política de Comunicação Social do Ministério Público.

2- Não há nada que possa justificar as acusações.

2.1 - Corrupção passiva

O ex-presidente Lula e sua esposa foram denunciados pelo crime de corrupção passiva (CP, art. 317, caput), no entanto:

2.2.1 O imóvel que teria recebido as melhorias, no entanto, é de propriedade da OAS como não deixa qualquer dúvida o registro no Cartório de Registro de Imóveis (Matricula 104801, do Cartório de Registro de Imóveis do Guarujá), que é um ato dotado de fé pública. Diz a lei, nesse sentido: “Art. 1.245. Transfere-se entre vivos a propriedade mediante o registro do título translativo no Registro de Imóveis”. A denúncia não contém um único elemento que possa superar essa realidade jurídica, revelando-se, portanto, peça de ficção.

2.2.2. Confirma ser a denúncia um truque de ilusionismo o fato de o documento partir da premissa de que houve a “entrega” do imóvel a Lula sem nenhum elemento que possa justificar tal afirmação.

2.2.3. Lula esteve uma única vez no imóvel acompanhado de D. Marisa - para conhecê-lo e verificarem se tinham interesse na compra. O ex-Presidente e os seus familiares jamais usaram o imóvel e muito menos exerceram qualquer outro atributo da propriedade, tal como disposto no art. 1.228, do Código Civil (uso, gozo e disposição).

2.2.4. D. Marisa adquiriu em 2005 uma cota-parte da Cooperativa Habitacional dos Bancários (Bancoop) que, se fosse quitada, daria direito a um imóvel no Edifício Mar Cantábrico (nome antigo do hoje Edifício Solaris). Ela fez pagamentos até 2009, quando o empreendimento foi transferido à OAS por uma decisão dos cooperados, acompanhada pelo Ministério Público do Estado de São Paulo. Diante disso, D. Marisa passou a ter a opção de usar os valores investidos como parte do pagamento de uma unidade no Edifício Solaris – que seria finalizado pela OAS — ou receber o valor do investimento de volta, em condições pré-estabelecidas. Após visitar o Edifício Solaris e verificar que não tinha interesse na aquisição da unidade 164-A que lhe foi ofertada, ela optou, em 26.11.2015, por pedir a restituição dos valores investidos. Atualmente, o valor está sendo cobrado por D. Marisa da Bancoop e da OAS por meio de ação judicial (Autos nº 1076258-69.2016.8.26.0100, em trâmite perante a 34ª. Vara Cível da Comarca de São Paulo), em fase de citação das rés.

2.2.5. Dessa forma, a primeira premissa do MPF para atribuir a Lula e sua esposa a prática do crime de corrupção passiva — a propriedade do apartamento 164-A — é inequivocamente falsa, pois tal imóvel não é e jamais foi de Lula ou de seus familiares.

2.2.6. O MPF não conseguiu apresentar qualquer conduta irregular praticada por Lula em relação ao armazenamento do acervo presidencial. Lula foi denunciado por ser o proprietário do acervo. A denúncia se baseia, portanto, em uma responsabilidade objetiva incompatível com o direito penal

2.3 – Lavagem de Capitais

Lula foi denunciado pelo crime de lavagem de capitais (Lei nº 9.613/98, art. 1º) sob o argumento de que teria dissimulado o recebimento de “vantagens ilícitas” da OAS, que seria “beneficiária direita de esquema de desvio de recursos no âmbito da PETROBRAS investigado pela Operação Lava Jato”.

2.3.1 Para a configuração do crime previsto no art. 1º, da Lei nº 9.613/98, Lula e sua esposa teriam que ocultar ou dissimular bens, direitos ou valores “sabendo serem oriundos, direta ou indiretamente, de crime”.

2.3.2 Além de o ex-Presidente não ser proprietário do imóvel no Guarujá (SP) onde teriam ocorrido as “melhorias” pagas pela OAS, não foi apresentado um único elemento concreto que possa indicar que os recursos utilizados pela empresa tivessem origem em desvios da Petrobras e, muito menos, que Lula e sua esposa tivessem conhecimento dessa suposta origem ilícita.

Cristiano Zanin Martins e Roberto Teixeira

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Também reproduzo abaixo um documento elaborado pela assessoria do ex-presidente Lula - que teve versões em português, inglês, espanhol francês - para denunciar ao Brasil e ao mundo a ofensiva arbitrária e fascistóide em curso no país:


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A caçada judicial ao ex-presidente Lula

Em mais de 40 anos de atividade pública, a vida do ex-presidente Lula foi vasculhada em todos os aspectos: político, fiscal, financeiro e até pessoal. Nenhum político brasileiro foi tão investigado, por tanto tempo: pelos organismos de segurança da ditadura, pela imprensa, pelos adversários políticos e por comissões do Congresso durante seus dois mandatos.

Apesar das falsas acusações que sempre sofreu, nunca se demonstrou nada de errado na vida de Lula, porque ele sempre agiu dentro da lei, antes, durante e depois de ser presidente do Brasil. Somente a ditadura ousou condenar e prender Lula, em 1980, com base na infame Lei de Segurança Nacional. Seu crime de “subversão” foi lutar pela democracia e pelos direitos dos trabalhadores.

Desde a reeleição da presidenta Dilma Rousseff, em outubro de 2014, Lula tornou-se alvo de uma verdadeira caçada judicial. Agentes partidarizados do estado, no Ministério Público, na Polícia Federal e no Poder Judiciário, mobilizaram-se com o objetivo de encontrar um crime – qualquer um – para acusar Lula e levá-lo aos tribunais.

Dezenas de procuradores, delegados, fiscais da Receita Federal e até juízes atuam freneticamente nesta caçada, em cumplicidade com os monopólios da imprensa e bandos de difamadores profissionais.

Na ausência de acusações formais, pois Lula sempre agiu dentro da lei, promovem um julgamento pela mídia (trial by media), sem equilíbrio e sem direito ao contraditório. Boatos, ilações e vazamentos seletivos de investigações são divulgados com estardalhaço, num verdadeiro linchamento moral e político.

Está claro que o objetivo da plutocracia brasileira, da mass media e dos setores mais retrógados do País é levar o ex-presidente ao banco dos réus, para excluir Lula do processo político brasileiro.

Quebraram os sigilos bancário e fiscal de Lula, de seus filhos, de sua empresa de palestras e do Instituto Lula. Quebraram o sigilo dos telefonemas de Lula, seus familiares, colaboradores e até de seus advogados. Invadiram e vasculharam a casa de Lula, as casas de seus filhos e o Instituto Lula.

Investigaram todas as viagens internacionais do ex-presidente – quem pagou, que aviões usou, quem o acompanhou, onde se hospedou, com quem conversou, inclusive chefes de estado e de governo. Investigaram as palestras e até os presentes que Lula recebeu quando era presidente.

E não encontraram rigorosamente nada capaz de associar Lula aos desvios na Petrobras, investigados na Operação Lava Jato, ou a qualquer outra ilegalidade. Nenhum depósito suspeito, nenhuma conta no exterior, nenhuma empresa de fachada, nenhum centavo que não tenha sido ganho honestamente e declarado para o pagamento de impostos.

Nem mesmo os réus confessos da Operação Lava Jato, que negociam benefícios penais e financeiros em troca de acusações a agentes políticos, ousaram apontar a participação direta ou indireta de Lula nos desvios da Petrobras. E isso é terrivelmente frustrante para os caçadores do ex-presidente.

Na ausência de provas, evidências ou testemunhos confiáveis, os algozes de Lula submetem o ex-presidente a uma série de constrangimentos e arbitrariedades, que violam não apenas suas garantias, mas os princípios do estado democrático de direito, ameaçando toda a sociedade.

Ao longo destes dois anos, foram violados os seguintes direitos do ex-presidente Lula:

- o direito a tratamento imparcial e à presunção da inocência;

- o direito ao juiz natural e ao promotor natural;

- o direito à ciência de inquéritos e do acesso pleno aos autos, o que chegou a ser reconhecido pelo Conselho Nacional do Ministério Público;

- o direito ao sigilo das comunicações com os advogados; o que chegou a ser reconhecido pelo Ministro Teori Zavaski, do Supremo Tribunal Federal;

- o direito ao sigilo das comunicações telefônicas; também reconhecido pelo Ministro Teori, do STF;

- o direito à preservação do sigilo de dados pessoais, fiscais e bancários confiados a agentes do estado e à Justiça;

- o direito de não ser indefinidamente investigado além dos prazos legais ou razoáveis para a apresentação de denúncia ou arquivamento de feitos;

- o direito à privacidade e à preservação da imagem, previstos no Artigo 5o da Constituição do Brasil.

- o direito de resposta nos meios de comunicação;

- o direito político de exercer função pública, para a qual sempre esteve apto, negado por decisão individual do ministro Gilmar Mendes, do STF;

- e até o direito de ir e vir, sem que houvesse decreto de prisão e sem hipótese prevista em lei para sua condução coercitiva em 4 de março de 2016.

CONTRA LULA, UM TIRO-AO-ALVO JUDICIAL.

As sucessivas arbitrariedades contra Lula ocorrem no âmbito de um ataque judicial e parajudicial em diversas frentes simultâneas, o que configura um movimento orquestrado de perseguição.

Ao longo destes dois anos, o ex-presidente, seus familiares, o Instituto Lula e a empresa LILS palestras tornaram-se objeto de:

- 3 inquéritos abertos por procuradores federais do Paraná, por supostas (e inexistentes) alegações referentes a imóveis que Lula não possui, palestras realizadas conforme a lei;

- 1 ação penal referente aos mesmos fatos, proposta por promotores do Ministério Público de São Paulo;

- 1 inquérito aberto por procuradores federais de Brasília, sobre as viagens internacionais do ex-presidente;

- 1 inquérito do Procurador-Geral da República para apurar fatos relacionados a Operação Lava Jato;

- 1 ação penal proposta pelo Procurador-Geral da República referente a suposta (e inexistente) tentativa de obstrução de Justiça;

- 1 inquérito de procuradores federais de Brasília para investigar suposta (e inexistente) vantagem a um dos filhos de Lula na tramitação de Medidas Provisórias aprovadas pelo Congresso

- 3 inquéritos policiais abertos pela Polícia Federal em Brasília e no Paraná;

- 2 ações de fiscalização da Receita Federal que nada encontraram de irregular no Instituto Lula e na empresa LILS Palestras;

- Quebra do sigilo fiscal e bancário de Lula, do Instituto Lula, da LILS Palestras e de mais 12 pessoas e 38 empresas de pessoas ligadas ao ex-presidente;

- Quebra do sigilo telefônico e das comunicações por internet de Lula, de sua família, do Instituto Lula e de diretores do Instituto Lula; até mesmo os advogados de Lula foram atingidos por esta medida ilegal;

- 38 mandados de busca e apreensão nas casas de Lula e de seus filhos, de funcionários e diretores do Instituto Lula, de pessoas ligadas a ele, executados com abuso de autoridade, apreensões ilegais e sequestro do servidor de e-mails do Instituto Lula;

Os agentes partidarizados do estado promovem um verdadeiro tiro-ao-alvo judicial, atacando Lula simultaneamente em diversas frentes judiciais, pelas mesmas alegações, o que é inconstitucional, além de ferir princípios universais do direito, adotados pelo Brasil em tratados internacionais.

Por exemplo: o Procurador-Geral da República, Rodrigo Janot, incluiu o ex-presidente em um inquérito sobre a Petrobrás no Supremo Tribunal Federal. Quase ao mesmo tempo, solicitou a transferência, para a vara do juiz Sergio Moro, de inquéritos que tratam dos mesmos fatos, o que significa uma dupla investigação do ex-presidente Lula.

PERSEGUIÇÃO, ARBITRARIEDADES E ABUSOS

Nos últimos 12 meses, Lula prestou 5 depoimentos à Polícia Federal e ao Ministério Público e apresentou informações por escrito em 2 inquéritos.

Apesar de ter cumprido todos os mandados e solicitações e de ter prestado esclarecimentos às autoridades até voluntariamente, no dia 4 de março Lula foi submetido, de forma ilegal, injustificada e arbitrária, a uma condução coercitiva para depoimento sem qualquer intimação anterior – um verdadeiro sequestro por parte da Força Tarefa da Lava Jato.

Lula foi alvo de um pedido de prisão preventiva, de forma ainda mais ilegal, injustificável e arbitrária, por parte de promotores de Justiça de São Paulo, que foi negado pela Justiça por sua flagrante ilegalidade.

Agentes do estado vazaram e continuam vazando criminosamente para a imprensa dados bancários e fiscais de Lula, de seus filhos, do Instituto Lula e da LILS Palestras.

O juiz Sergio Moro divulgou ilegalmente conversas telefônicas privadas do ex-presidente Lula, sua mulher, Marisa Letícia, e seus filhos, com diversos interlocutores que nada têm a ver com os fatos investigados, inclusive um diálogo com a presidenta da República, Dilma Rousseff.

Esse vazamento criminoso – expressamente condenado como ilegal pelo ministro Teori Zavaski, do STF – foi manipulado pela mídia de forma a impedir que Lula assumisse o cargo de ministro da Casa Civil, para o qual havia sido indicado poucas horas antes da divulgação ilegal.

Nenhum líder político brasileiro teve sua intimidade, suas contas, seus movimentos tão vasculhados, num verdadeiro complô contra um cidadão, desrespeitando seus direitos e negando a presunção da inocência.

E apesar de tudo, não há nenhuma ação judicial aceita contra Lula, ou seja: ele não é réu, mas seus acusadores, no aparelho de estado e na mídia, o tratam como previamente condenado.

O resultado desse complô de agentes do estado e meios de comunicação é a maior operação de propaganda opressiva que já se fez contra um homem público no Brasil. É o linchamento jurídico-midiático e a incitação ao ódio contra a maior liderança política do País.

Lula é perseguido porque não podem derrotá-lo nas urnas. E apesar da sistemática campanha de difamação jurídico-midiática, continua sendo avaliado nas pesquisas como o melhor presidente que o Brasil já teve, além de liderar as sondagens para uma futura eleição presidencial.

LULA NÃO FOGE DA JUSTIÇA; RECORRE À JUSTIÇA.

O ex-presidente Lula vem recorrendo sistematicamente à Justiça contra os abusos e arbitrariedades praticadas por agentes do estado, difamadores profissionais e meios de comunicação que divulgam mentiras a seu respeito.

A defesa de Lula solicitou e obteve a abertura de Procedimentos Disciplinares no Conselho Nacional do Ministério Público contra dois procuradores da República que atuaram de forma facciosa;

Apresentou ao CNMP e obteve a confirmação de ilegalidade na abertura de inquérito por parte de promotores do Ministério Público de São Paulo;

Apresentou ao STF e aguarda o julgamento de Ação Cível Originária, com agravo, para definir a quem compete investigar os fatos relacionados ao sítio Santa Bárbara e ao Condomínio Solaris;

Recorreu ao Tribunal de Justiça de São Paulo e aguarda julgamento contra decisão da juíza da 4a Vara Criminal sobre o mesmo conflito de competência;

Apresentou ao STF habeas corpus contra decisão injurídica do ministro Gilmar Mendes, corrigida e revogada pelo ministro Teori Zavascki em mandado de segurança da Advocacia Geral da União;

Apresentou ao STF recurso contra decisão do ministro Gilmar Mendes que o impede de assumir o cargo de Ministro de Estado, embora Lula preencha todos os requisitos constitucionais e legais para esta finalidade;

Apresentou ao juiz Sergio Moro 4 solicitações de devolução de objetos pessoais de noras e filhos de Lula, apreendidos ilegalmente pela Polícia Federal.

Apresentou Representação à Procuradoria-Geral da República contra atos abusivos e usurpação de competência por parte do juiz Sergio Moro;

Apresentou Reclamação ao STF contra atos abusivos do juiz Sergio Moro, que usurpam a competência da Suprema Corte;

E apresentou, em cinco de julho, exceção de suspeição em relação ao juiz Sergio Moro, para que este reconheça a perda de imparcialidade para julgar ações envolvendo Lula, por ter antecipado juízos, entre outras razões.

Contra seus detratores na imprensa, no Congresso Nacional e nas redes subterrâneas de difamação, os advogados do ex-presidente Lula apresentaram:

- 6 queixas crime;

- 6 interpelações criminais;

- 9 ações indenizatórias por danos morais;

- 5 pedidos de inquéritos criminais;

- e formularam duas solicitações de direito de resposta, uma das quais atendida e outra, contra a TV Globo, em tramitação na Justiça.

Quem deve explicações à Justiça e à sociedade não é Lula; são os procuradores, delegados e juízes que abusam do poder, são os jornais, emissoras de rádio e TV que manipularam notícias falsas e acusações sem fundamento.

A VERDADE SOBRE AS ALEGAÇÕES CONTRA LULA

Em depoimentos, manifestações dos advogados e notas do Instituto Lula, o ex-presidente Lula esclareceu todos os fatos e rebateu as alegações de seus detratores.

Lula entrou e saiu da Presidência da República com o mesmo patrimônio imobiliário que possuía antes – patrimônio adquirido em uma vida de trabalho desde a infância.

Não oculta, não sonega, não tem conta no exterior, não registra bens em nome de outras pessoas nem de empresas em paraísos fiscais.

E jamais participou ou se beneficiou, direta ou indiretamente, de desvios na Petrobras ou em qualquer ato ilícito, antes, durante e depois de ter exercido a Presidência da República.

Eis um breve resumo das respostas às alegações falsas, com a indicação dos documentos que comprovam a verdade:

Apartamento no Guarujá: Lula não é nunca foi dono do apartamento 164-A do Condomínio Solaris, porque a família não quis comprar o imóvel, mesmo depois de ele ter sido reformado pelo verdadeiro proprietário. Informações completas em: http://www.institutolula.org/documentos-do-guaruja-desmontando-a-farsa

Sítio em Atibaia: Lula não é nunca foi dono do Sítio Santa Bárbara. O Sítio foi comprado por amigos de Lula e de sua família com cheques administrativos, o que elimina as hipóteses de lavagem de dinheiro e ocultação de patrimônio. As reformas feitas no sítio foram custeadas pelos proprietários e nada têm a ver com os desvios investigados na Lava Jato.

Informações completas e documentos sobre Atibaia e o patrimônio de Lula em:

http://www.institutolula.org/o-que-o-ex-presidente-lula-tem-e-o-que-inventam-que-ele-teria

Palestras de Lula: Depois que deixou a presidência da República, Lula fez 72 palestras contratadas por 40 empresas do Brasil e do exterior, recolhendo impostos por meio da empresa LILS Palestras. Os valores pagos e as condições contratuais foram os mesmos para as 40 empresas: tanto as 8 investigadas na Lava Jato quanto às demais 32, incluindo a INFOGLOBO, da Família Marinho. Todas as palestras foram efetivamente realizadas, conforme comprovado nesta relação com datas, locais, contratantes, temas, fotos, vídeos e notícias:

http://institutolula.org/uploads/relatoriopalestraslils20160323.pdf

Doações ao Instituto Lula: O Instituto Lula recebe doações de pessoas e empresas, conforme a lei, para manter suas atividades, e isso nada tem a ver com as investigações da Lava Jato. A Força Tarefa divulgou ilegalmente alguns doadores, mas escondeu os demais e omitiu do público como esse dinheiro é aplicado, o que se pode ver no Relatório de Atividades Instituto Lula 2011-2015:

http://www.institutolula.org/conheca-a-historia-e-as-atividades-do-instituto-lula-de-1993-a-2015

Acervo presidencial: O ex-presidente Lula não desviou nem se apropriou ilegalmente de nenhum objeto do acervo presidencial, nem cometeu ilegalidades no armazenamento. Esta nota esclarece que a lei brasileira obriga os ex-presidentes a manter e preservar o acervo, mas não aponta meio e recursos:

http://www.institutolula.org/acervo-presidencial-querem-criminalizar-o-legado-de-lula

É falsa a notícia de que parte do acervo teria sido desviada por Lula ou que ele teria se apropriado de bens do palácio. A revista que espalhou essa farsa é a mesma que desmontou o boato numa reportagem de 2010:

http://www.institutolula.org/epoca-faz-sensacionalismo-sobre-acervo-que-ela-mesmo-noticiou-em-2010

Obstrução de Justiça: O ex-presidente Lula jamais conversou com o ex-senador Delcídio do Amaral sobre ações para obstruir a Justiça ou sobre qualquer ato ilícito. Em depoimento à Procuradoria Geral da República, em 7 de abril, o ex-presidente Lula esclareceu os fatos e desmentiu o ex-senador. Delcídio não apresentou qualquer prova indício, evidência ou testemunho de suas ilações

O INTERROGATÓRIO DE LULA

Neste link, a íntegra do depoimento de Lula aos delegados e procuradores da Operação Lava Jato, prestado sob condução coercitiva no aeroporto de Congonhas em 4 de março de 2016.


PT: A caçada judicial ao Ex-Presidente Lula – BAIXAR PDF

EN: The judicial hunt for former President Lula – PDF

ES: La caza judicial al Ex Presidente Lula – PDF

FR: La chasse judiciaire a L’ex President Lula – PDF

Postado por Altamiro Borges

http://altamiroborges.blogspot.com.br/2016/09/a-cacada-lula-para-completar-o-golpe.html

terça-feira, 13 de setembro de 2016

Cunha, o delinquente caiu! 13/09/2016





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Hoje, muito tardiamente, o Brasil se livrou da presença nefasta de Eduardo Cunha na Câmara dos Deputados. Por 450 votos SIM, 10 votos NÃO e 9 abstenções, foi aprovado o requerimento do PSOL e a REDE que pedia a cassação do mandato do réu. Começamos essa luta sozinhos — eu mesmo enfrentei Cunha desde muito antes de ele ser presidente da Casa e avisei que ele era um perigo para a democracia! — e, graças à mobilização da sociedade, e especialmente da comunidade LGBT, das mulheres, dos negros e negras e da juventude, finalmente conseguimos derrotar esse bandido. É uma vitória enorme da bancada do PSOL, com apenas seis deputados. E é, sobretudo, uma vitória da sociedade brasileira.

A passagem do réu no legislativo brasileiro será lembrada em livros de história. Não pelos feitos, mas por uma trajetória marcada pelo ataque aos direitos humanos, às minorias, aos trabalhadores, às liberdades individuais e à democracia. Cunha caiu por ter mentido sobre as contas na Suíça. Caiu por mentiroso e ladrão. Mas o dano que ele fez à República e ao povo brasileiro foi muito maior, muito mais grave e terá consequências muito mais profundas.

Ao longo de sua gestão como presidente da Câmara, além de ser o principal articulador do golpe de Estado contra a democracia, Cunha instalou um programa reacionário, conservador, fundamentalista, fascista e de ataque às minorias, aliando-se para isso às bancadas "BBB" (da Bíblia, da bala e do boi), aos fascistas e à direita que perdeu as últimas quatro eleições presidenciais.

Lembremos alguns exemplos:

-) Antes mesmo de chegar à presidência da Câmara, Cunha foi o arquiteto, nos bastidores da Câmara, da chegada do pastor Marcos Feliciano, atualmente suspeito de cometer estupro, à presidência da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da casa.

-) Foi ele o responsável pelo retorno da pauta de redução da maioridade penal no Congresso, uma iniciativa que ignora a dinâmica já prevista no ordenamento para a punição de menores infratores. Pelo seu projeto, as cadeias atualmente superlotadas também deveriam receber jovens a partir dos 16 anos e que estivessem em reformatórios. Um catástrofe social e que só iria aumentar a violência.

-) Cunha é autor de um projeto que criminalizaria qualquer pessoa que ajudasse ou "induzisse" outra pessoa a realizar o aborto, mesmo em casos de estupro (e ele disse que, enquanto fosse presidente da Casa, a legalização do aborto, que eu propus em projeto de lei, jamais seria debatida). Esse mesmo projeto também obrigaria as vítimas a buscarem uma delegacia de polícia antes de receber o antedimento na rede de saúde.

-) Cunha também é autor de projeto que criminalizaria a "heterofobia", uma fantasia ridícula que ninguém sabe dizer o que é. Nunca se teve notícia de alguém discriminado ou vítima de violência física por ser heterossexual. Essa proposta sempre foi uma mera provocação a população marginalizada de pessoas LGBT, população que sofre sim a violência, a discriminação e até o assassinato. Ele também foi um dos principais apoiadores do "Estatuto da Família", que pretendia retirar os direitos já adquiridos pelas famílias formadas por casais do mesmo sexo.

-) Cunha impulsionou e conseguiu aprovar a maioria das propostas de uma contrarreforma política antidemocrática que barrava o PSOL dos debates eleitorais (regra que o Supremo declarou inconstitucional), reduziu o tempo de TV dos partidos que não fazem alianças oportunistas e tentou, também, legalizar a doação de empresas para as campanhas. Ele tentou mudar as regras das eleições para favorecer os partidos corruptos e fisiológicos e prejudicar, principalmente, a esquerda.

-) Também foi ele um dos principais articuladores de emenda que permitiria a construção de um shopping center no Congresso. O 'parlashopping', como ficou conhecido, custaria no mínimo 1 bilhão de reais e teria como principal finalidade dar mais conforto aos deputados que votaram em Cunha para a presidência da Câmara. Foi uma das tantas bizarrices que ele inventou para ganhar apoio do "baixo clero" do parlamento.

-) Além dessas iniciativas, outras foram tocadas por Cunha através de aliados, como a transferência para o poder legislativo das discussões de demarcações de terras indígenas, a revogação do estatuto do desarmamento e outras pautas nefastas para o país.

São por essas propostas e pela ampla capacidade de cooptar o apoio de outros deputados investigados que Eduardo Cunha foi o candidato que mais recebeu "doações" de campanha na última eleição: quase SETE MILHÕES DE REAIS! É o poder da grana que está por detrás do seu discurso falso e moralista. Essa velha política deve morrer com o mandato que será cassado hoje. Uma nova política deve chegar para que essa velha prática não permaneça nunca mais entre nós.

Cunha caiu, que caiam agora, com ele, a política suja, a roubalheira de dinheiro público, o oportunismo, a canalhice, o fundamentalismo religioso, o fascismo, o ataque às liberdades individuais e aos direitos humanos, o preconceito, a discriminação, a criminalização da pobreza, o lobby das grandes empresas pautando as leis da República, os ataques contra os direitos dos trabalhadores, a mentira, a traição, a hipocrisia. Que caia a política que Cunha representa! Que caia o governo golpista que ele ajudou a empossar, cassando 54 milhões de votos!

Cunha caiu e isso é muito bom. Festejemos, mas a luta continua!



http://www.brasil247.com/pt/colunistas/jeanwyllys/254864/O-delinquente-caiu!.htm

A polícia militar e sua natureza repressiva 13/09/2016

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Foto: Mídia NINJA
por Marcelo Tadeu dos Santos
A polícia militar é um instituição perversa, que atua dentro dos marcos do autoritarismo que caracteriza a constituição do conservadorismo brasileiro. Ela forma seus agentes dentro de uma perspectiva de afirmação da violência como mecanismo eficiente de controle social, e sua prática cotidiana nas grandes periferias é marcada pela tirania que desrespeita o cidadão. No dia a dia, adotam um comportamento preconceituoso, afrontam direitos, desprezam a legitimidade do indivíduo e são conhecidos pelo descaso à integridade dos moradores dessas comunidades, espalhando o medo e o terror.
Nas manifestações, esses policiais têm demonstrado que o seu papel é o de agir como mecanismo de repressão e intimidação, se impondo através da lógica do medo que se ampara na violência desmensurada contra qualquer manifestante que ouse desafiar as medidas que estão sendo implementadas pelo governo ilegítimo do golpista Michel Temer. A natureza da corporação vem à tona, e nesse momento delicado, nos deparamos com uma instituição que exprime, através de seu comportamento, a natureza que determina (e legitima) a sua existência no marco da constituição histórica do Estado brasileiro.
As polícias militares atuam de acordo com a tradição autoritária de uma dada cultura política que se estruturou em torno de uma sequência de golpes e da repressão permanente aos movimentos sociais. Sua obrigação, em última instância, é garantir uma política de segurança que atende as demandas de uma elite política, econômica e cultural que faz do privilégio o fundamento da sua existência social. O aparato repressivo que se corporifica no alicerce das forças de segurança (especialmente as polícias militares) não atua de forma despreparada, como afirmam alguns dos críticos da repressão que vem tomando conta, de forma dramática, das manifestações de resistência ao golpe. O apelo (e apego) a violência é consequência da própria estrutura determinante da corporação, que surgiu para assumir o papel de uma instituição que entende o seu papel como responsável por impor lógicas de silenciamento daqueles que foram historicamente marginalizados e que ensaiam movimentos de rebeldia que não devem ser tolerados. É bom não se esquecer que nas periferias dos grandes centros urbanos as polícias (especialmente a polícia militar) sempre demonstraram um desprezo enorme pelos marginalizados, e sua forma de garantir “a ordem” está ancorado num conjunto de ações extremamente violentas, demonstrando um desprezo aos valores que determinam o funcionamento de qualquer sociedade minimamente democrática.
Esperar que a polícia militar seja uma polícia cidadã, que respeite os direitos humanos e esteja disposta a garantir o diálogo e a integridade dos cidadãos é parte de um discurso ingênuo que desconsidera o caráter excludente da nossa formação social, ou, então, faz parte de uma narrativa cínica, bem aos moldes do nosso liberal conservadorismo, que pretende acobertar a natureza autoritária e conservadora do Estado brasileiro com uma narrativa comprometida com a desqualificação das políticas de inclusão que valorizam o protagonismo dos excluídos.

http://www.ocafezinho.com/2016/09/13/a-policia-militar-e-sua-natureza-repressiva/

sexta-feira, 2 de setembro de 2016

PT: Nota Oficial: Resolução política contra o Golpe 02/09/2016



Comissão Executiva Nacional do PT divulgou nota sobre oposição ao governo usurpador, após reunião nesta sexta-feira (2) em sua sede em SP
02/09/2016 16h03 - atualizado às 17h32




Foto: Paulo Pinto/AGPT

A Comissão Executiva Nacional do Partido dos Trabalhadores, reunida nesta sexta-feira (2) em sua sede oficial em São Paulo, capital, divulgou resolução onde trata do cenário político atual.

Leia abaixo na íntegra:
RESOLUÇÃO POLÍTICA SOBRE O GOLPE E A OPOSIÇÃO AO GOVERNO USURPADOR

1. A decisão adotada pela maioria do Senado Federal, de afastar ilegalmente, em caráter permanente, a presidenta Dilma Rousseff, violou a Constituição e provocou a ruptura do regime democrático.

2. O processo de impeachment, sem crime de responsabilidade, mesmo disfarçado por ritos institucionais, tem nome: golpe de Estado. A conspiração parlamentar impõe-se sobre o resultado democrático das urnas e um grupo de senadores, muitos dos quais investigados por corrupção, surrupiam os votos de 54,5 milhões de brasileiros e brasileiras.

3. Esta foi a saída encontrada pelos setores hegemônicos do capitalismo brasileiro para interromper e reverter o processo de mudanças iniciado em 2003, com o qual conviveram enquanto a expansão de mercados e do investimento público compensaram o aumento dos salários, a reorientação dos fundos orçamentários para a inclusão social e a elevação da classe trabalhadora a novos padrões de vida.

4. A desaceleração da economia, a partir de 2011, serviu como pano de fundo para o reagrupamento das oligarquias empresariais e financeiras ao redor de um programa que ampliasse sua margem de lucros através da compressão de conquistas trabalhistas, do crescimento da renda financeira, de novas privatizações, de concessões maiores aos centros imperialistas.

5. Esta agenda ultraliberal pressupunha a derrubada da presidenta Dilma Rousseff, pois somente seria viável sem o crivo do voto popular. O que interessa ao grande capital é impor uma contrarreforma capaz de demolir o sistema de bem-estar em construção pelas administrações petistas.

6. As medidas tramadas pelos usurpadores desvelam a natureza de classe do golpe, entre as quais se destacam: eliminação de direitos trabalhistas; reforma regressiva da Previdência Social; desvinculação do salário-mínimo do reajuste dos benefícios previdenciários; liberação da venda de terras para estrangeiros; privatização de estatais e do patrimônio publico -– Petrobrás à frente–; esvaziamento do Sistema Único de Saúde e corte dos programas sociais.

7. O mais emblemático dos retrocessos patrocinados pelo golpismo é a PEC do Estado Mínimo, a 241/2016, que congela por vinte anos os investimentos em educação e saúde, quebrando a espinha dorsal da Constituição de 1988. Trata-se de reversão geral das prioridades orçamentárias, que passam a estar completamente determinadas pelo pagamento dos juros extorsivos da dívida interna, principal instrumento de concentração de renda do país.

8. O governo usurpador também se associa, como sócio menor, à reorganização da hegemonia norte-americana na América Latina. Sua consolidação integra a ofensiva conservadora na região, cuja lógica é a recuperação de território econômico, político e ideológico pelo principal país imperialista, os Estados Unidos. O fim do regime de partilha e a entrega do Pré-Sal às petroleiras do exterior, que precisamos combater com afinco, é prova cabal da política de rapina patrocinada pelos entreguistas do governo golpista.

9. O abandono da política externa independente, altiva e ativa, favorece o enfraquecimento da integração regional e de suas instituições. A política de alinhamento automático também concorre para fragilizar os BRICs, facilitando os novos tratados de desregulamentação comercial e financeira, como o Tratado de Serviços (TISA), o Tratado Transpacífico (TTP) e o Tratado Transatlântico (TTIPS), que fundamentam a estratégia de retomada da acumulação capitalista em escala global.

10. A via antidemocrática, contudo, não se limita à forma como os usurpadores lograram chegar ao comando do Estado. A aplicação de seu programa, bem como a reconstrução da direção conservadora sobre as instituições e a sociedade, tende a promover uma escalada repressiva contra os partidos de esquerda, os movimentos populares e as manifestações de protesto. Os fatos que vêm se sucedendo nas primeiras 24 horas depois da votação do impeachment, com violenta ação policial em diversas cidades – em especial os graves fatos ocorridos em São Paulo, revelam o caráter repressivo e autoritário que visa a instalar o medo e o terror como método dos usurpadores. O PT repudia a edição de decreto pelo governo ilegítimo que, a pretexto de garantir a passagem da tocha paralimpica, convoca a participação das Forças Armadas para impedir a manifestação popular contra o golpe, domingo na Av. Paulista, em São Paulo.

11. A violência do Estado igualmente inclui a sistemática perseguição do PT e de suas principais lideranças, especialmente o ex-presidente Lula, por setores do aparato judiciário e policial, que transformaram a Operação Lava Jato em um dos aríetes do movimento golpista, através da apropriação do justo combate à corrupção como biombo para a supressão de garantias fundamentais e para uma cruzada contra o principal partido de esquerda. Vários de seus protagonistas, reivindicam publicamente a extinção do PT e a interdição política e eleitoral do maior líder popular do país.

12. Setores do Ministério Público Federal e da magistratura, com apoio da mídia monopolizada, milita incansavelmente por uma reconfiguração constitucional que elimine garantias democráticas, operando um arcabouço de estado de exceção no interior do estado democrático de direito. Pregam abertamente que se se aceitem provas mesmo que obtidas ilegalmente. Esta, entre outras providências, pode amputar o devido processo legal e conceder ainda maior autonomia ao sistema repressivo, na lógica de um Estado policial que sirva como cerceador da vida política e da luta de classes.

13. Fica evidente, pois, que o golpe em curso, para além de manobra parlamentar ou institucional destinada a derrubar o governo constitucional da presidente Dilma Rousseff, é uma alternativa estratégica do grande capital. A coalizão patrocinada pelas oligarquias financeiras, industriais, agrárias e midiáticas, representada pelos partidos golpistas, tem obtido sucesso até o momento em forjar maioria nas camadas médias e arrastar as forças de centro para um projeto que interdita o campo popular e estreita fortemente as fronteiras democráticas demarcadas na luta contra a ditadura.

14. A postura do Partidos dos Trabalhadores, diante desse cenário, não poderá ser outra que não aquela enunciada pela companheira Dilma, quando anunciou “a mais firme, incansável e enérgica oposição que um governo golpista pode sofrer.” Nosso objetivo central é colocar fim ao governo do usurpador Temer Golpista e conquistar o direito do povo eleger, direta e imediatamente, um novo presidente da República.

15. Se antes havia divergências sobre a proposta de antecipação de eleições presidenciais, agora a situação é outra, pois o Estado tem à frente um governo usurpador, ilegítimo, sem votos, com um programa antipopular e antinacional. A recuperação da legalidade e o restabelecimento da democracia, nessas condições, somente se efetivarão quando as urnas voltarem a se pronunciar e o povo decidir os caminhos da Nação. O que exige construir uma ação conjunta e iniciativas práticas com partidos e entidades populares, capazes de mobilizar e dar efetividade a este objetivo rumo à normalização democrática, como a DIRETAS JÁ.

16. A resistência contra o golpe também passa pela defesa intransigente dos direitos e conquistas sociais, unificando ações parlamentares com a mobilização social em aliança prática para barrar as medidas antipopulares do governo usurpador, ocupando as ruas e as instituições do país contra o retrocesso.

17. A Comissão Executiva Nacional do Partido dos Trabalhadores, nestas circunstâncias, convoca sua militância para, junto ao movimento sindical, contribuir e participar da resistência às medidas neoliberais de retirada de direitos, materializadas nas reformas previdenciária e trabalhista, além da PEC do Estado Mínimo. A mobilização da classe trabalhadora por sua pauta é parte integrante e fundamental do movimento contra o governo usurpador e por novas eleições presidenciais. Nesse sentido, convocamos companheiros e companheiras a engrossarem as manifestações do 7 de setembro, o Grito dos Excluídos, em defesa dos direitos sociais e da soberania nacional.

18. Também conclamamos todos (as) os (as) petistas a continuarem a reforçar a Frente Brasil Popular, como o principal espaço de unidade e organização da resistência ao golpe, impulsionando também nessa direção as organizações nas quais atuam. Devemos nos empenhar pela construção da FBP nos estados e cidades, sempre trabalhando pela unidade com as demais correntes do campo progressista, particularmente aquelas que se inscrevem na Frente Povo sem Medo. Nosso esforço deve ser pela unificação das palavras de ordem e agendas de mobilização, ampliando o caráter de massa dos protestos e das ações contra o governo usurpador.

19. As bancadas parlamentares do PT estão orientadas a enfrentar a agenda do golpismo, com todos os recursos e possibilidades disponíveis, agindo para dividir a base usurpadora sempre que for possível derrotar os projetos palacianos. A batalha imediata mais importante é pela recusa da PEC do Estado Mínimo, bem como da PLP 257. Nossas bancadas devem atuar de forma ampla, mas implacável, nessa e em outras batalhas, contra o governo usurpador.

20. A Comissão Executiva Nacional conclama os (as) deputados (as) federais petistas para entrarem em acordo com as demais bancadas democráticas a fim de exigirem, já no dia 12 de setembro, a cassação do mandato do corrupto Cunha Golpista.

21. O Partido dos Trabalhadores orienta todos seus candidatos e candidatas nas eleições municipais a defenderem o legado de nossos governos, a denunciar o governo usurpador, a mobilizarem os eleitores na luta contra o golpismo, Naturalmente, sem descurar da busca do voto que possa nos assegurar governos locais e presença forte nas câmaras de vereadores.

22. A Comissão Executiva Nacional conclama os petistas e demais democratas a prestarem solidariedade ativa ao ex-presidente Lula e demais lideranças de nosso partido injustamente atingidas pela Operação Lava Jato. É preciso rechaçar mais amplamente, aqui e no Exterior, as ilegalidades e arbitrariedades perpetradas pelas forças reacionárias, empenhadas numa abjeta cruzada político-ideológica.

23. O Partido dos Trabalhadores renova sua admiração, solidariedade e respeito à presidenta Dilma Rousseff, cujo combate intrépido pela democracia já está inscrita na história brasileira. Sua coragem serve de inspiração para todos os homens e mulheres comprometidos na luta contra o golpe.

24. O Partido dos Trabalhadores saúda nossos senadores e senadoras e seus colegas de diferentes partidos que desmascaram os golpistas em plenário, pronunciando-se em defesa do mandato da companheira Dilma e da democracia. Rende homenagens também a todos os movimentos populares e partidos progressistas — em particular ao Partido Comunista do Brasil, nosso aliado histórico — pela incansável mobilização contra o impeachment.

Em homenagem aos que dedicaram a vida à democracia, que ocuparam as ruas por eleições diretas, resistiremos!

Em defesa dos milhares que ascenderam socialmente com as políticas instituídas pelos governos Lula e Dilma, combateremos!

Lado a lado com os que sonham por um país justo, livre, democrático e soberano, historicamente negado pelas elites, lutaremos!

Fora Temer!
Nenhum direito a menos!
Diretas Já!

Comissão Executiva Nacional do Partido dos Trabalhadores
São Paulo, 2 de setembro de 2016



http://www.pt.org.br/nota-oficial-resolucao-politica-contra-o-golpe/