quinta-feira, 30 de maio de 2013

Vindo do Iraque, um trágico apelo ao processo dos criminosos de guerra 30/05/2013


por John Pilger
Munição com 302 gramas de urânio empobrecido. A poeira do Iraque invade as longas estradas que são os dedos do deserto. Ela entra pelos olhos, nariz e garganta; rodopia em mercados e pátios escolares, contaminando crianças a chutarem uma bola; e transporta, segundo o Dr. Jawad Al-Ali, "as sementes da nossa morte". Um especialista em câncer reputado internacionalmente que trabalha no Sadr Teaching Hospital, em Bassorá, o Dr. Ali disse-me isso em 1999 – e hoje a sua advertência é irrefutável. "Antes da Guerra do Golfo", disse ele, "tínhamos dois ou três pacientes de câncer por mês. Agora temos 30 s 35 a morrerem a cada mês. Nossos estudos indicam que 40 a 49 por cento da população nesta área contrairá câncer: num período de tempo de cinco anos para começar, a seguir pouco mais. Isso é quase a metade da população. A maior parte da minha própria família contraiu e nós não temos historial da doença. Aqui é como em Chernobil; os efeitos genéticos são novos para nós; os cogumelos crescem enormemente; mesmo as uvas no meu jardim sofreram mutações e não podem ser comidas".

Ao longo do corredor, a Dra. Ginan Ghalib Hassen, uma pediatra, mantém uma colecção de fotos das crianças que estava tentar a salvar. Muitas têm neuroplastoma. "Antes da guerra, em dois anos vimos apenas um caso deste tumor inabitual", disse ela. "Agora temos muitos casos, sobretudo sem historial familiar. Estudei o que aconteceu em Hiroshima. O aumento súbito de malformações congénitas é o mesmo".

Entre os médicos que entrevistei havia pouca dúvida de que as munições de urânio empobrecido (depleted uranium, DU) utilizadas pelos americanos e britânicos na Guerra do Golfo fossem a causa. Um médico militar dos EUA designado para limpar o campo de batalha da Guerra do Golfo ao longo da fronteira no Kuwait afirmou: "Cada rajada disparada por um ataque de avião A-10 Warthog transportava mais de 4.500 gramas de urânio sólido. Bem mais de 300 toneladas de DU foram utilizadas. Foi uma forma de guerra nuclear".

Embora a ligação com o câncer seja sempre difícil de provar absolutamente, os médicos iraquianos argumentam que "a epidemia fala por si mesma". O oncologista britânico Karol Sikora, chefe do programa de câncer da Organização Mundial de Saúde (OMS) na década de 1990, escreveu no British Medical Journal: "Equipamentos de radioterapia, drogas de quimioterapia e analgésicos são sistematicamente bloqueados pelos conselheiros dos Estados Unidos e Grã-Bretanha [no Comité de Sanções ao Iraque]". Ele acrescentou: "Disseram-nos especificamente [por parte da OMS] para não falar acerca de todo o assunto do Iraque. A OMS não é uma organização que goste de se envolver em política".

Recentemente, Hans von Sponeck, o antigo assistente do secretário-geral das Nações Unidas e alto responsável humanitário da ONU no Iraque, escreveu-me: "O governo dos EUA procurou impedir a OMS de inspecionar áreas no Sul do Iraque onde foi utilizado urânio empobrecido e provocou graves perigos de saúde e ambientais".

Hoje, relata a OMS, o resultado de um estudo fundamental efectuado em conjunto com o Ministério da Saúde do Iraque foi "adiado". Cobrindo 10.800 famílias, ele contém "evidência incriminatória", diz um responsável do ministério e, segundo um dos seus investigadores, permanece "top secret". O relatório diz que defeitos de nascimento ascenderam até uma "crise" por toda a sociedade iraquiana onde DU e outros metais pesados tóxicos foram utilizados pelos estado-unidenses e britânicos. Catorze anos depois de soar o alarme, o Dr. Jawad Al-Ali relata "fenomenais" casos de câncer múltiplo em famílias inteiras.

O Iraque já não é notícia. Na semana passada, a morte de 57 iraquianos num dia foi um não acontecimento em comparação com o assassínio de um soldados britânico em Londres. Mas as duas atrocidades estão conectadas. O seu emblema pode ser um dispendioso novo filme de "The Great Gatsby", de F. Scott Fitzgerald. Dois dos principais personagens, como escreveu Fitzgerald, "destroem coisas e criatura e retiram-se de volta para o refúgio do seu dinheiro ou para a sua ampla indiferença... e deixam outras pessoas limparem a sujeira".

A "sujeira" deixada por George Bush e Tony Blair no Iraque é uma guerra sectária, as bombas de 7/7 e agora um homem a agitar um sangrento cutelo de carne em Woolwich. Bush retirou-se para a sua "biblioteca e museu presidencial" Mickey Mouse e Tony Blair para as suas viagens de gralha e o seu dinheiro.

A sua "sujeira" é um crime de proporções monstruosas, escreveu Von Sponeck, referindo-se à estimativa do Ministério de Assuntos Sociais iraquiano de 4,5 milhões de crianças que perderam ambos os pais. "Isto significa que uma horrenda proporção de 14,5 por cento da população do Iraque é constituída por órfãos", escreveu. "Estima-se que um milhão da famílias são dirigida por mulheres, a maior parte delas viúva". A violência doméstica e o abuso de crianças são certamente questões urgentes na Grã-Bretanha; no Iraque a catástrofe inflamada ela Grã-Bretanha trouxe violência e abuso a milhões de lares.

No seu livro "Telegramas do lado escuro" ("'Dispatches from the Dark Side"), Gareth Peirce, a grande advogada britânica de direitos humanos, aplica a regra da lei a Blair, ao seu propagandista Alastair Campbel e ao seu gabinete de ministros coniventes. Para Blair, escreveu ela, "seres humanos que se presume possuírem pontos de vista [islâmicos] deviam ser incapacitados por quaisquer meios possíveis e permanentemente... na linguagem de Blair um "vírus" a ser "eliminado" e exigindo "uma miríade de intervenções [sic] profunda nos assuntos de outras nações". O próprio conceito de guerra sofreu mutação para "nossos valores versus os seus". E ainda assim, afirma Peirce, "as séries de emails, comunicados internos do governo, não revelam dissenção".

Para o secretário dos Negócios Estrangeiros Jack Straw, enviar cidadãos britânicos inocentes para Guantanamo era "o melhor meio de cumprir nosso objectivo contra o terrorismo". Estes crimes, sua iniquidade a par com o de Woolwich, aguardam processo. Mas quem os exigirá? No teatro kabuki da política de Westminster, a violência distante dos "nossos valores" não tem interesse. Será que nós os restantes também viraremos as costas?
27/Maio/2013
Ver também:
Association des Victimes civiles et militaires de la guerre du Golfe

O original encontra-se em http://johnpilger.com/articles/from-iraq-a-tragic-reminder


Este artigo encontra-se em http://resistir.info/

quarta-feira, 29 de maio de 2013

Maior hidrelétrica do mundo será construída no Congo, na África 28/05/2013

Maior hidrelétrica do mundo será construída na África

Redação do Site Inovação Tecnológica - 28/05/2013
Maior hidrelétrica do mundo será construída na África
O projeto, conhecido como Grande Inga, usará a água em vários pontos do Rio Congo, sem precisar fazer represas.[Imagem: Wikipedia/Sémhur]

A maior hidrelétrica do mundo será construída no Rio Congo, o maior rio do mundo depois do Amazonas.
A hidrelétrica Inga, que será construída na República Democrática do Congo, terá uma capacidade de geração de eletricidade duas vezes maior do que a maior hidrelétrica do mundo atualmente, a usina de Três de Gargantas, na China.
Hidrelétrica sem barragem
Mas, além da potência, ela terá uma vantagem imbatível: a hidrelétrica será construída sem a necessidade de construir uma represa.
Isso será possível porque, nas chamadas Cataratas Inga, cerca de 42.000 metros cúbicos de água por segundo descem uma sucessão de corredeiras única na Terra.
Assim, as turbinas da usina de 40 GW serão acionadas pelo próprio fluxo normal do rio Congo, sem represa, sem terras inundadas e sem desalojamento da população.

Aliás, assim que foi anunciado, o projeto já recebeu inúmeras críticas porque, segundo algumas organizações não-governamentais, não irá beneficiar a população do Congo: metade da energia será usada nas minas de cobre do país, cujo metal é exportado para o primeiro mundo, e a outra metade será comprada pela África do Sul.
Segundo seus defensores, com a instalação da infraestrutura adequada de transmissão, a energia gerada na usina de Inga poderá abastecer a Nigéria, o Egito e até a Europa.
O Banco Mundial, que está financiando o projeto, não vê sentido na polêmica, afirmando em nota que a usina vai "catalisar benefícios de larga escala para melhorar o acesso aos serviços de infraestrutura na África.
Segundo o Banco, a usina de Inga terá um dos custos de energia mais baixos do mundo, de cerca de US$0,02/kWh.
As obras deverão começar em 2015.

Jornalista é condenado a pagar R$ 200 mil a Perillo 29/05/2013

Brasil 247



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Radialista Luiz Carlos Bordoni foi sentenciado em ação por danos morais movida pelo governador de Goiás; segundo o despacho do juiz Ricardo Teixeira Lemos, blogueiro não conseguiu provar acusações que fez contra o tucano quanto à existência de caixa dois na contratação de seus serviços para propaganda na campanha política de 2010; feita no auge da CPI da Operação Monte Carlo, acusação tinha potencial para provocar até o impeachment do governador goiano, ao associá-lo ao bicheiro Carlos Cachoeira

Goiás247_ O juiz Ricardo Teixeira Lemos, da 7ª Vara Cível da comarca de Goiânia, condenou, nesta terça-feira (28), o jornalista Luiz Carlos Bordoni a pagar R$ 200 mil ao governador Marconi Perillo, a título de indenização por danos morais. Além disso, o juiz determinou, em caráter liminar, que Bordoni retire as entrevistas concedidas por ele e todas as declarações feitas contra o político contidas em seu blog, que pode ser acessado pelo endereço luizcarlosbordoni.blogspot.com. Em caso de descumprimento, a pena é de suspensão da página na internet e multa diária de R$ 500.
“Cuida-se de lesão seríssima. O autor, na condição de governador do Estado, foi acusado de caixa dois, insinuando-se que estaria envolvido no escândalo Carlinhos Cachoeira, com repercussão no País e no exterior”, ressaltou o magistrado, se referindo à divulgação das declarações na Rádio CBN e Jornal Estado de São Paulo, além de toda a divulgação na internet, o que coloca a questão em nível internacional.
Para o magistrado, o jornalista não conseguiu provar as acusações que fez contra Marconi, quanto à existência de um caixa dois na contratação de seus serviços para propaganda na campanha política de Marconi, em 2010. O custo do serviço, segundo Bordoni, seria de R$ 170 mil, mas apenas R$ 33 mil foram declarados à Justiça Eleitoral.
A diferença, ainda de acordo com as declarações de Bordoni, teria sido paga pelo assessor direto de Marconi Perillo, Lúcio Gouthier Fiúza, diretamente a ele. Parte dela, no valor de R$ 45 mil, foi depositada pela empresa de fachada Alberto e Pantoja – controlada por Carlinhos Cachoeira – na conta de Bruna Bordoni, filha do comunicador.
“Publicou notícia inconclusiva, sem prova de suas alegações, utilizou do direito de imprensa para divulgar declaração não realizada pelo autor, autoridade política de inegável expressão regional e nacional”, afirmou o magistrado, para quem não ficou demonstrado nada que desabonasse Marconi ou Bruna.
Ricardo Teixeira Lemos observou, ainda, que, caso fosse julgada procedente, a conduta tipificada como caixa dois pelo artigo 30-A, da Lei 9.504/97, poderia resultar na cassação de diploma de candidato eleito e inelegibilidade por oito anos. “É fato grave, gravíssimo. Tal alegação, sem provas ou outro fundamento, é ofensiva à honra subjetiva do político”, disse.
Quanto à fixação do valor da indenização, o magistrado entendeu que, apesar de não haver parâmetro para a capacidade econômica de Bordoni, é notório o fato dele prestar serviços de alto valor, como o que deu origem a ação.
(Com informações do Centro de Comunicação Social do TJGO)

http://www.brasil247.com/pt/247/goias247/103477/Jornalista-é-condenado-a-pagar-R$-200-mil-a-Perillo.htm
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terça-feira, 28 de maio de 2013

UE dá sinal verde para países armarem oposição síria e EUA aplaudem decisão 28/05/2013



O Governo dos EUA aplaudiu nesta terça-feira a decisão da União Europeia (UE) de dar sinal verde a seus Estados-membros para que armem a oposição síria e criticou a venda de mísseis por parte da Rússia ao regime presidido por Bashar Al Assad.O Governo americano "dá as boas-vindas à ação da União Europeia", disse aos jornalistas a bordo do Air Force One o porta-voz da Casa Branca, Jay Carney.Fortemente dividida, a UE deu ontem sinal verde para seus Estados-membros para que armem a oposição síria, embora todos tenham se comprometido a não fazer isso antes de agosto, a fim de dar uma oportunidade às conversas de paz preparadas pelos Estados Unidos e Rússia e que prevêem que serão realizadas no próximo mês em Genebra.Perante a falta de um acordo unânimo sobre a medida, o embargo europeu à Síria ficará sem efeito no próximo dia 31, quando vence a última prorrogação adotada há três meses.A partir desse momento, os Governos terão as mãos livres para decidir se querem fornecer armas aos rebeldes, algo que a curto prazo não é colocado por nenhum país, nem mesmo o Reino Unido, que estava há meses insistindo no fim do embargo.Quanto à defesa feita pela Rússia sobre a venda de mísseis ao regime sírio, sob o argumento de que são "um fator estabilizador" contra a intervenção estrangeira, Carney sustentou que isso não contribui para levar o país "mais próximo da desejada transição política".O porta-voz afirmou também que a Casa Branca sabia da viagem à Síria do senador republicano John McCain, o primeiro funcionário de alta categoria dos EUA que visita esse país desde que começou o conflito em março de 2011.McCain, uma das vozes do Congresso que pedem mais intervenção americana na Síria, cruzou ontem a fronteira entre Turquia e Síria junto ao líder do Conselho Militar Supremo do Exército Livre Sírio (ELS), Salem Idris.Ambos se reuniram tanto na Síria como na Turquia com líderes de várias unidades do ELS, o braço armado dos rebeldes.A Casa Branca está esperando o retorno do senador para falar com ele sobre sua viagem à Síria, comentou Carney.Em seu encontro com McCain, os líderes rebeldes pediram aos Estados Unidos que aumentem o apoio à oposição armada e lhes proporcione armamento pesado, uma zona de exclusão aérea e bombardeios aéreos seletivos sobre alvos do regime de Assad e do grupo xiita libanês Hezbollah, segundo o site "Daily Beast".

Israel prepara população para chuva de mísseis 28/05/2013




Israel lançou um exercício destinado a preparar sua população a enfrentar uma chuva diária de centenas de mísseis e foguetes, enquanto aumenta a tensão na região com os temores de um transbordamento do conflito sírio.
Os procedimentos de evacuação e de resgate de vítimas nos escombros de edifícios em caso de ataques, especialmente com armas químicas, estão sendo colocados à prova desde domingo e seguirão até quarta-feira.
Durante este exercício, as crianças em suas escolas e os adultos em seus locais de trabalho ou em suas casas foram convocados a se proteger nos refúgios mais próximos em caso de alerta.Desde o início da guerra civil na Síria (em março de 2011), a situação se tornou mais tensa nas Colinas de Golã, das quais Israel ocupa desde 1967 1.200 km2, enquanto os 510 km2 restantes seguem sob controle sírio.No dia 21 de maio, o exército sírio reivindicou pela primeira vez disparos que atingiram um veículo militar israelense que circulava na parte ocupada de Golã.A tensão com o regime de Bashar al-Assad aumentou após dois ataques aéreos israelenses no início deste mês perto de Damasco. Estes ataques tinham como objetivo, segundo autoridades israelenses, impedir o fornecimento de armas ao Hezbollah libanês.
A Síria reagiu advertindo que responderia imediatamente e de maneira dolorosa a qualquer novo ataque de Israel contra seu território.Segundo especialistas militares citados por meios de comunicação, o Hezbollah, a Síria, o movimento palestino do Hamas - que controla a faixa de Gaza - e o Irã - considerado por Israel como a principal ameaça - teriam no total um arsenal de 200.000 mísseis.

Declaração da delegação das FARC em Havana 28/05/2013

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Havana, Cuba, Sede dos diálogos de paz, 26 de maio de 2013

Compatriotas

Após discutir durante meses nossa problemática rural e de buscar soluções que, efetivamente, reivindiquem e redimam o camponês, as comunidades indígenas e afrodescendentes, e que favoreçam o bem viver dos colombianos, avançamos na construção de um acordo, com exceções pontuais, que necessariamente terão que ser retomadas, antes da concretização de um acordo final.

As reivindicações históricas mais profundas das comunidades rurais e empobrecidas foram bandeira ao vento em nossas mãos, além de argumento para o debate na Mesa de Negociações. Erigimo-nos na voz das pessoas comuns, dos campesinos sem terra frente às cercas das grandes propriedades, das comunidades rurais resolvidas a defenderem seu território ameaçado pela depredação mineral e energética das transnacionais... As Cem Propostas mínimas orientadas ao DESENVOLVIMENTO RURAL E AGRÁRIO PARA A DEMOCRATIZAÇÃO E PELA PAZ COM JUSTIÇA SOCIAL DA COLÔMBIA, são uma mostra irrefutável da profundidade de nosso compromisso. Ali estão colocadas as ideias de justiça que os de baixo querem que sejam escutadas e reconhecidas.

Depois de 22 anos de vigência de uma Carta Magna que consagrou direitos no papel, enquanto iniciou sua política neoliberal geradora de miséria, desigualdade e violência, é hora de exigir que a letra morta de benefício social da Constituição e da Lei ressuscitem, recobrem vida e seja cumprida pelas elites embutidas no Estado.

Em Havana, estamos abrindo uma brecha para que o povo atue, se mobilize na defesa de seus direitos e continue fazendo escutar sua voz como protagonista principal da construção da paz. Porém, preocupa que enquanto as maiorias clamam reconciliação e expressam seus anseios de justiça, o país tenha que permanecer suportando a inclemência das medidas e políticas econômicas, que entregam nosso território à voracidade das transnacionais, se siga aprofundando a desigualdade e continuem caindo compatriotas, de ambos os lados, em uma guerra de meio século que urge uma saída política.

Este ato de encerramento de um ciclo temático é, ao mesmo tempo, a abertura ao transcendental debate em torno da democracia colombiana. Muitas preocupações orbitam nossa consciência de porta-vozes dos anseios populares com relação ao importantíssimo assunto da Participação Política, que abordaremos na Mesa de Negociações de Havana, a partir de 11 de junho.

Mudanças estruturais urgentes estão batendo às portas do Estado, reclamando participação cidadã nas decisões e na adoção de políticas que dizem respeito ao seu futuro de dignidade. Temos que nos voltar às nossas origens, para resgatarmos o ensinamento do Libertador que nos disse que "A soberania do povo é a única autoridade legítima das nações", que "O destino do exército é guarnecer a fronteira. Deus nos livre virar suas armas contra os cidadãos! Basta a milícia nacional para conservar a ordem interna", "as minas de qualquer espécie, corresponde à República", e "O Tesouro Nacional não é quem os governa. Todos os depositários de vossos interesses devem demonstrar o uso que hão feito deles".

Nas atuais circunstâncias nos preocupa, por exemplo, a captura do Estado por parte de grupo de poder que aprova leis e regulamentos, que favorecem somente seu egoísmo, enquanto depreciam o interesse comum e levam a desigualdade e a defesa violenta de seus capitais, mais além dos limites do desumano.

Uma imensidão de "macrocriminalidade", na qual reinam a corrupção e a impunidade, se apoderou do Estado colombiano. Este permanece emaranhado na teia da ilegalidade narco-paramilitar. E, todavia, pululam entre o Estado, empresas legais e a ilegalidade, para lavagem de dinheiro, celebrar contratos, roubar os recursos da saúde e saquear os tesouros da nação.

Todos estes são elementos que hoje obstruem a possibilidade de construir uma alternativa de solução diferente à guerra, porém confiamos na sabedoria das organizações sociais, políticas e populares da Colômbia, que saberão destrinchar o caminho para a paz.

O esforço coletivo pela paz da Colômbia terá que ser compensado com um tratado justo e vinculante, rubricado por uma Assembleia Nacional Constituinte, que funde nossa reconciliação à perpetuidade.

O Estado colombiano espera uma transformação estrutural profunda, que complemente medidas transcendentais similares às que agora acordamos, como a da formalização progressiva de todas as propriedades que ocupem ou possuam os camponeses da Colômbia.

Delegação de paz das FARC-EP
Tradução do Partido Comunista Brasileiro.

Esta declaração encontra-se em http://resistir.info/

Líder rebelde exige retirada do Hezbollah da Síria em 24 horas 28/05/2013


O líder rebelde sírio, Salim Idriss
O líder rebelde sírio, Salim Idriss

O líder rebelde sírio, Salim Idriss, advertiu nesta terça-feira que, se o movimento xiita libanês Hezbollah não interromper nas próximas 24 horas sua "agressão" na Síria, onde seus homens combatem ao lado do regime, as forças insurgentes o perseguirão "até no inferno".
"Se a agressão do Hezbollah contra o território sírio não parar em 24 horas, tomaremos todas as medidas para caçá-los, até no inferno", declarou Idriss à rede de televisão Al-Arabiya.
O chefe do Conselho militar Supremo do Exército Sírio Livre fez essas declarações ao presidente libanês, Michel Sleiman, ao secretário-geral da Liga Árabe, Nabil al-Arabi, e ao secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon.
"Não respeitarei nenhum compromisso assumido se uma decisão de parar a agressão em território sírio não for tomada e aplicada", acrescentou o chefe rebelde.
"Não posso mais conter os combatentes do Exército Sírio Livre", ressaltou.
"Nós somos vítimas de um genocídio praticado pelo Hezbollah (…) e espero que todos perdoem o Exército Livre Sírio" em sua réplica.
Depois de mais de uma semana, o Hezbollah trava uma batalha feroz ao lado do Exército Sírio pela conquista de Qousseir, cidade estratégica que está em poder dos rebeldes no centro da Síria.
No sábado, o líder do Hezbollah, Hassan Nasrallah, havia prometido a vitória na guerra da Síria a seus seguidores.
AFP