Da Agência Brasil
Heloisa Cristaldo - Repórter da Agência Brasil
Brasília – A agricultura familiar faturou R$ 2 bilhões com a venda de
matéria-prima para a produção de biodiesel em 2012, informou hoje (20) o
coordenador de Biocombustíveis do Ministério do Desenvolvimento Agrário
(MDA), André Machado, durante a Semana de Bioenergia promovida pela
Global Energy Partnership (Gbep) - entidade ligada a Organização das
Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO).
Atualmente, cerca de 104 mil estabelecimentos da agricultura
familiar, que envolvem mais de 300 mil pessoas, produzem para 41 usinas
distribuídas por todo país. Segundo Machado, o Selo Combustível Social
tem ajudado os pequenos agricultores. Isso porque o selo garante
alíquotas reduzidas de PIS/Pasep e Cofins, que varia de acordo com a
matéria-prima e região de aquisição, para quem comprar um percentual
mínimo de matéria-prima dos agricultores familiares e assegurar
capacitação e assistência técnica.
Machado ressalta que a medida permite acesso dos agricultures
familiares ao mercado brasileiro.“A Região Sul é a área com mais
participação da agricultura familiar, representando 35% de toda
capacidade nacional. Em seguida, estão as regiões Nordeste e Sudeste,
com 30%, seguida por Centro-Oeste e Norte, com 15%. As culturas mais
adquiridas são soja, mamona, girassol, dendê e canola”, detalha.
Além da atuação da agricultura familiar, as divergências sobre
produção de alimentos e bioenergia foram discutidas durante o encontro.
De acordo com o chefe adjunto de Transferência de Tecnologia da Embrapa
Agroenergia, José Cabral Sousa Dias, o estímulo ao plantio de
cana-de-açúcar para fabricação de etanol fez aumentar em 50% a produção
do açúcar no período de 2000 a 2010.
“O Brasil é um dos poucos países em que esse conflito de alimento
versus energia não é um problema, dadas as dimensões que o país tem e a
distribuição fundiária e populacional”, disse.
Cabral destacou que o etanol também pode ser produzido a partir de
resíduos, como o bagaço da cana-de-açúcar, entretanto ainda não é viável
economicamente. “Há uma etapa que ainda encarece o processo e várias
pesquisas já estão sendo feitas. Para o Brasil, é de grande importância,
pois sem aumentar a área plantada, pode-se aumentar até 40% a produção
do etanol”, explicou.
Outra forma de bioenergia é o biodiesel com sebo bovino.
“Historicamente, o sebo bovino sempre foi um causador de poluição, pois
era jogado fora. Atualmente, 15% de todo biodiesel feito no Brasil vêm
do sebo bovino. A bioenergia resolveu um problema, da poluição e
desperdício, e aumentou a produção do combustível”.
Atualmente, o Brasil é o segundo maior produtor mundial de etanol,
atrás apenas dos Estados Unidos, e um dos maiores de biodiesel. De
acordo com a Embrapa Agroenergia, estima-se que, entre 1975 e 2011, o
consumo de etanol tenha evitado o uso de aproximadamente 330 bilhões de
litros de gasolina. O uso do etanol também evitou a emissão de mais de
550 milhões de toneladas de gás carbônico no mesmo período. Atualmente, a
participação de combustíveis renováveis na matriz brasileira de
transportes chega a cerca de 22%.
Segundo Cabral, a bioenergia é um termo amplo que se refere a
qualquer forma de energia renovável produzida a partir de materiais
derivados de fontes biológicas. O biodiesel é produzido a partir de
óleos ou gorduras com várias matérias-primas possíveis: gorduras
animais, óleos vegetais, soja, pinhão manso, girassol e óleo de palma.
Como combustível pode ser utilizado em qualquer motor diesel, quando
combinado com diesel mineral.
Edição: Carolina Pimentel
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