Resquícios neoliberais são pendências para segundo mandato de Cristina Kirchner após controle da dívida, redução do desemprego e crescimento econômico; Confira quadro comparativo
Publicado em 12/12/2011, 10:40
Desafios econômicos ficaram em segundo plano no discurso de posse de Cristina Kirchner, no sábado (Foto: Divulgação)
A vitória obtida em outubro, com 54% dos votos válidos, permite supor que a maioria da população vê o atual caminho como correto. O governo que tomou posse já encontra situação diferente. Nas semanas que antecederam o triunfo eleitoral e nas que se seguiram, Cristina e seus ministros abordaram principalmente as questões econômicas, que consideram prioritárias para um momento em que se agrava a crise internacional – a redução de subsídios, o rastreamento do trajeto do dólar cuja cotação era ascendente por causa da especulação e a reabertura do diálogo pacífico com os produtores rurais entram nessa conta.
| 2001 | 2003 | 2010 | |
|---|---|---|---|
| Desemprego | 23,6% | 20,4% | 7,4% |
| Taxa de pobreza na Grande Buenos Aires | 25,5% | 39,4% | 8,2% |
| Dívida pública em relação ao PIB | 166,4% | 46,3% |
As heranças são a Carta Orgânica do Banco Central, formulada por Domingo Cavallo, ministro da Economia de Carlos Menem (1989-99), e a Lei de Entidades Financeiras, de Martínez de Hoz, titular da mesma pasta durante a ditadura (1976-83). Ambas manifestam uma crença no livre-mercado e na desregulação do capital. “A proposta de Cristina é um capitalismo racionalmente organizado”, diz Borón, que acredita que esta tentativa de ordem desembocou em uma concentração com características de monoólio. “Por mais que se queira um capitalismo sério e nacional, resulta debochado e transnacional.”

- PIB Argentino em US$ bilhões (fonte: Banco Mundial)
A inflação foi o grande problema de credibilidade dos governos kirchneristas. Pesa a suspeita de manipulação sobre o Instituto Nacional de Estatísticas, uma visão reforçada pelo dia a dia, em que os preços sobem com rapidez. Desde fevereiro deste ano, a alta de preços oficial apresentada é de 0,8% ao mês, sem variação – comportamento que dá contornos definitivos à acusação de maquiagem de dados. Institutos privados fazem estimativas de inflação de 20% a 25% ao ano, dependendo da fonte.
| Inflação média anual | % |
|---|---|
| de 1975 a 1991 | 788% |
| de 1992 a 2001 | 4% |
| de 2002 a 2010 | 13% |
| Investimento bruto em % do PIB | Investimento bruto em máquinas e equipamentos em % do PIB | |
|---|---|---|
| 1993 | 19,1% | 5% |
| 1999 | 18% | 4,6% |
| 2000 | 16,2% | 4,3% |
| 2001 | 14,2% | 3,6% |
| 2002 | 12,0% | 3,4% |
| 2003 | 15,1% | 4,2% |
| 2004 | 19,2% | 5,4% |
| 2010 | 22,0% | 5,5% |
Direitos humanos
Foi em 2003 que Néstor Kirchner tomou a decisão de exigir a revogação das leis de Obediência Devida e Ponto Final, que garantiam a anistia a torturadores da ditadura. Segundo dados atualizados até novembro, são 381 causas, 71 delas julgadas (18,5%). Há 1.226 colaboradores do regime prontos a serem levados a júri. O Centro de Estudos Legais e Sociais contabiliza ainda:- 1.778 pessoas acusadas por crimes de lesa-humanidade – 856 de 2007 em diante
- 229 condenados
- 20 absolvidos
- 336 processados sem prisão preventiva
- 398 processados com prisão preventiva
- 285 falecidos, dos quais 5 condenados antes da morte
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