Forças de segurança usaram gás e canhões d'água para dispersão; premiê Erdogan havia dado prazo até domingo
A polícia turca invadiu no início da noite deste sábado (15/06) a Praça Taksim e o Parque Gezi, em Istambul, e retirou os milhares de manifestantes que estavam acampados no local. Eles usaram canhões d'água e bombas de gás para dispersar a multidão. Houve várias prisões, e as barracas foram destruídas. As informações são da agência de notícias France Presse.
A ação ocorreu cerca de duas horas após o primeiro-ministro, Recep Tayyip Erdogan, ter dado um ultimato para que os manifestantes deixassem o local até domingo. "Amanhã temos uma reunião pública em Istambul. Digo claramente: se a Praça Taksim não for evacuada, as forças de segurança do país vão saber evacuá-la", disse Erdogan, em discurso público na capital Ancara.
"Permanecer no local não tem mais sentido algum porque o caso está nas mãos da justiça. Não sei qual será a decisão, mas mesmo que ela decida a favor ou contra (a manutenção do parque, que pode ser destruído para a construção de um centro comercial) haverá uma votação popular em Istambul e nós respeitaremos o resultado dessa votação", acrescentou.
"Se ainda houver irmãos por lá, por favor, saiam porque esse parque pertence à população de Istambul. Isso não é uma área de ocupação para organizações ilegais", disse. "Ninguém pode nos intimidar (...) nós não receberemos ordens ou instruções de ninguém, a não ser de Deus", disse.
Antes da retirada, os ocupantes anunciaram, mais cedo no sábado, a manutenção de seu movimento. "Vamos manter nossa resistência contra toda injustiça em nosso país (...) Isto é apenas o começo, nossa luta continua!", afirma, em um comunicado online, o grupo Solidariedade Taksim, que organiza as manifestações.
"Hoje nós estamos bem mais fortes, organizados e otimistas do que há 18 dias", afirma o comunicado, divulgado no mesmo momento em que um pequeno grupo de militantes ambientalistas começava a acampar no parque para manifestar sua oposição ao projeto de remodelação das autoridades. Este documento foi apresentado após uma noite de debates entre os ocupantes.
Os centenas de irredutíveis do Parque Gezi exigem também a liberação dos manifestantes detidos pela polícia durante a mobilização desencadeado em todo o país, que custou a vida de pelo menos quatro pessoas e deixou 7.500 feridos.
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