quarta-feira, 14 de setembro de 2011

O grande dragão desperta 14.09.11 "Em troca de socorro, China entrega lista de reivindicações a países rico"



Líder do país para o qual o mundo olha em busca de socorro, o primeiro-ministro Wen Jiabao apresentou ontem uma lista de reivindicações às nações desenvolvidas, que incluem o reconhecimento da China como economia de mercado pela União Europeia e o fim de restrições a investimentos chineses nos Estados Unidos. As nações ricas também devem adotar políticas monetárias e fiscais "responsáveis" e garantir a segurança e a estabilidade dos investimentos em seus mercados, ressaltou o premiê no discurso de abertura da sessão de verão do Fórum Econômico Mundial, na cidade de Dalian. "Os governos devem assumir suas responsabilidades e colocar suas próprias casas em ordem", disse Wen, pouco antes de observar que a economia chinesa está em "boa forma".O primeiro-ministro repetiu que seu país está pronto para ajudar a União Europeia e disposto a aumentar seus investimentos na região. Mas sugeriu que os dirigentes do bloco devem ser "audaciosos" e ter uma visão estratégica de seu relacionamento com a China, dando ao país o status de economia de mercado.Pelos termos de seu acesso à Organização Mundial do Comércio (OMC), a China ganhará automaticamente essa condição em 2016. Wen defendeu que a União Europeia se antecipe e conceda o status de economia de mercado antes do prazo. "Essa é a maneira que um amigo trata outro amigo", ponderou. O primeiro-ministro disse esperar avanços nessa área durante encontro que terá com líderes europeus em outubro.O reconhecimento de economia de mercado dificultaria a imposição de medidas anti-dumping contra a China, já que os preços de exportação teriam de ser comparados aos que são praticados internamente no país. Atualmente, são usados preços de terceiros mercados, normalmente superiores aos chineses.Na avaliação de Wen, as incertezas e fatores desestabilizadores que rondam a economia global estão se acentuando, mas ele ressaltou estar confiante na capacidade da China de manter altas taxas de crescimento por longo prazo.A preocupação com a crise na Europa dominou o painel sobre perspectivas da economia global. Zhu Min, vice-diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), afirmou que os governos da região devem adotar medidas contundentes para evitar que a crise da dívida soberana contagie o sistema bancário. "O mais importante é evitar uma crise bancária."
Zhu disse não acreditar em um cenário de "duplo mergulho" na recessão, mas vê redução do ritmo de crescimento e manutenção da volatilidade experimentada pelos mercados desde o mês passado. William Rhodes, ex-vice-presidente do Citigroup, prevê que os países desenvolvidos terão um período especialmente difícil pela frente, enquanto as nações em desenvolvimento enfrentam o risco de inflação. Entre os desafios globais, está a manutenção do crescimento sem o início de uma guerra cambial ou comercial.O eventual calote da Grécia em sua dívida soberana afundaria a Europa em uma "enorme crise", em razão do risco de contágio de outros países, ressaltou o ministro da Economia e Reforma da Bélgica, Vincent Van Quickenborne.

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