sexta-feira, 7 de outubro de 2011

"Renault-Nissan quer conquistar classe C brasileira" 07.10.1

Le Monde

Vista de cima, São Paulo parece um grande engarrafamento. Todos os dias, nessa megalópole de 17 milhões de habitantes, o tráfego fica saturado: 7 milhões de motoristas passam em média duas horas e 42 minutos ao volante de seus carros. Os engarrafamentos são tamanhos que o segundo meio de transporte é agora... o helicóptero.Essa situação também reflete o dinamismo do mercado automobilístico brasileiro, o quarto do mundo, atrás da China, dos Estados Unidos e do Japão. Todas as grandes montadoras querem um espaço nesse mercado, dominado pela Fiat, Volkswagen, Chevrolet e Ford, instaladas ali há várias décadas.O potencial é enorme: de 190 milhões de habitantes, somente 10 milhões podem comprar um carro. São 149 carros para cada mil habitantes, contra 814 nos Estados Unidos e 245 na Rússia. Mas uma nova classe social chamada “C”, cujo salário se situa entre R$ 900 e R$ 2 mil por mês, aspira consumir. Ela representa metade da população, contra 36% em 2000. Mais de 60% desses brasileiros não possuem carro.É a eles que a Renault quer se dirigir. Mas ela precisará primeiro criar um carro mais popular. Seu veículo mais barato, o Clio Campus, é vendido por cerca de R$ 23 mil. “Nenhuma montadora colocou no mercado um carro que corresponda à capacidade de compra dessa clientela”, explica Maristela Castanho, diretora de produto da Renault para as Américas. “Então, estamos procurando produtos que possam lhe agradar”.Em seu novo plano estratégico, chamado de “2016 Drive the Change”, a Renault prevê lançar treze novos produtos. Entre eles, um pequeno carro popular. Enquanto isso não acontece, a montadora quer tirar participação de mercado de suas concorrentes. Em 2011, ela deverá vender 200 mil carros, o que fará do Brasil seu segundo maior mercado, atrás da França.Diante dos funcionários da fábrica de Curitiba, Carlos Ghosn, presidente da Renault e da Nissan, anunciou, na quarta-feira (5), um investimento de 200 milhões de euros (R$ 478 milhões) destinado a aumentar a capacidade de produção dessa unidade. Em 2016, a fábrica produzirá 38 mil veículos, contra os 28 mil de hoje. Já a Nissan abrirá sua primeira fábrica no Brasil. O investimento total chegará a 1,1 bilhão de euros (R$ 2,63 bilhões).Segundo Ghosn, o mercado brasileiro atingirá 4 milhões de unidades em 2016. O objetivo é até lá deter uma participação de mercado mínima de 8% para a Renault, contra 5,1% atualmente, e de 5% para a Nissan (contra 1,5% hoje).A Renault parece ter encontrado a fórmula do sucesso no Brasil após anos de decepções. “Não trabalhamos bem”, reconhece Ghosn. “Entre 1997 e 2005, gastamos US$ 1,5 bilhão e nos arruinamos! No total, perdemos cinco ou seis anos. Foi preciso começar do zero, remobilizar as tropas.”Bastou um modelo para reverter a tendência: a Sandero, carro da família Logan, idealizada primeiramente para a clientela brasileira, lançada em dezembro de 2007. “Esse veículo representa 50% de nossas vendas”, comemora Ghosn. Ele espera que seu utilitário Duster, cujo lançamento deve ser em breve, também seja um sucesso.A Renault não é a única a apostar no Brasil. Deve-se contar também com as chinesas Chery e JAC (Jianghuai Automobile Co.), que anunciou, em agosto, um investimento de US$ 900 milhões (R$ 1,6 bilhão) para instalar uma fábrica. A BMW também tem considerado a ideia. Já a PSA Peugeot Citroën pretende investir 30 milhões de euros (R$ 72 milhões) para desenvolver novos modelos e aumentar a capacidade de produção de sua fábrica em Porto Real.

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