quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Brasil alcança maior safra da história, diz ministro da Agricultura 09/08/2012

Da Folha

KELLY MATOS
O Brasil deve ter a maior safra de grãos da história do país na safra 2011/2012, com 165,92 milhões de toneladas colhidas, em uma área plantada de 50,81 milhões de hectares.
A estimativa consta no 11º levantamento feito pela Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), realizado entre 22 e 28 de julho, e representa um crescimento de 1,9% em relação à safra 2010/2011 --quando a produção atingiu 162,8 milhões de toneladas-- e 3,1 milhões de toneladas a mais no volume total.
"Atingiremos, talvez, os 170 milhões de toneladas ainda este ano. Essa é uma notícia que fortalece ainda mais o produtor brasileiro, fortalece aqueles que trabalham no campo, que produzem e mostram que o Brasil está cada vez mais caminhando para uma política agrícola com resultados objetivos para a produção", afirmou o ministro Mendes Ribeiro (Agricultura) ao anunciar os números.
Entre os destaques da safra, o ministro apontou a produção de milho segunda-safra (safrinha), cuja estimativa subiu 71,7% --ou 16,10 milhões de toneladas sobre a última safra--, alcançando 38,56 milhões de toneladas.
"A safrinha do milho se tornou safrão. Foi surpreendente e sem dúvida contribuiu de forma decisiva para que elevasse esses números", afirmou.
No ano passado foram colhidas 22,46 milhões de toneladas da cultura, segundo a Agricultura. A pasta informou que os resultados se devem a condições favoráveis da cultura nas áreas de maior produção.
A estimativa para as safras consolidadas de milho (primeira e segunda safras) é de 72,78 milhões de toneladas, um crescimento de 26,8% (ou 15,37 milhões de toneladas) sobre o ano anterior.
RETRAÇÃO
As safras de soja e arroz, por sua vez, tiveram retração de 8,9 milhões e 2,01 milhões de toneladas, respectivamente, segundo as estimativas da Conab.
"As reduções se devem, principalmente, às condições climáticas não favoráveis, principalmente nas fases de desenvolvimento das culturas, quando as mais prejudicadas foram as lavouras de milho e de soja nos Estados da região Sul, parte do Sudeste e no sudoeste de Mato Grosso do Sul. A forte estiagem nos Estados nordestinos também contribuiu para as perdas e levou a região a uma queda de 22 % em relação à safra passada, ou seja, 3,53 milhões de toneladas de produtos", informou a companhia.
ECONOMIA
O ministro Mendes Ribeiro também informou que os números da safra poderão contribuir para a retomada do crescimento da economia do país no segundo semestre. Recentemente, diversos órgãos reduziram a projeção de crescimento do PIB do país para 2% em 2012. Para o ministro, os baixos números da agricultura nos primeiros meses do ano não surpreenderam.
"No primeiro trimestre, sempre o dado é ruim no que diz respeito a agricultura. Porque pega o início, pega as coisas começando a acontecer. Então, ao ministro não surpreendeu. Surpreenderá a todos o número que vier a acontecer agora. O Brasil é um país agrícola, um país que tem na sua agricultura um grande fator de desenvolvimento. A mola propulsora do desenvolvimento brasileiro foi e tem sido a agricultura, que não vai deixar de ser e não vai deixar de dar a sua contribuição para o momento difícil que o país possa estar, de uma forma ou de outra, enfrentando diante das crises mundiais", disse.
A presidente Dilma Rousseff foi comunicada nesta manhã, no Palácio do Planalto, sobre os resultados.
"A presidente disse "Que beleza"!", informou o ministro Mendes Ribeiro. "Ela mostrou uma satisfação muito grande, destacou a pujança do agronegócio brasileiro, comentamos inclusive a criação do conselho do agronegócio que está sempre presente nessa situação ajudando, apontando caminhos, alertando para situações", completou o ministro.
CÓDIGO FLORESTAL
O ministro não quis comentar as negociações conduzidas pelo Planalto para votação da MP do Código Florestal no Congresso.
"Não vou falar sobre Código. O Código é uma questão política, a articulação política está a cargo da ministra Ideli [Salvatti, ministra das Relações Institucionais]. Os acordos e encontros que tinham de ser feitos, foram feitos, inclusive conversei com o Henrique [Alves, líder do PMDB na Câmara] ontem. Agora, vamos tocar, vamos votar. Do meu ponto de vista, o Código é uma coisa que passou. Nós tinhamos uma legislação de 1965 e estamos adequando uma legislação aos tempos de hoje. Isso é importante", afirmou.
Questionado sobre a falta de quórum na comissão criada no Congresso para analisar o novo Código Florestal, o ministro desconversou: "Vai ver que teve gente que não acordou em tempo".
Com São Paulo

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