Com fazendas em 13 dos 17 estados paraguaios, Favero é o maior dos produtores brasiguaios, responsáveis por 90% da soja do país
Foto: Divulgação
Quer me castigar, me chama para ir para a praia, diz o rei da soja
“Os brasileiros podem se orgulhar do crescimento do Paraguai no ano passado”, diz, em seu escritório novinho, na avenida que leva ao aeroporto. O do centro estava ficando pequeno e há pouco a empresa mudou de endereço. Segundo Favero, 80% do crescimento do Paraguai veio da exportação de grãos e carne. Desse porcentual, 90% dos grãos são produzidos pelos “brasiguaios”.
Império da soja
Favero tem nove empresas, todas ligadas ao agronegócio. “Desde pequeno, quando não tinha nada e minha família era pobre, pensava em produzir alimentos”, afirma. “Roupa, sapato, carro são supérfluos, mas até a rainha da Inglaterra tem de comer todo dia.”
Louco por trabalho, diz que tem jornada de 15 horas diárias e é o estraga-prazeres da família quando o assunto é férias. “Quer me castigar, me chama para ir para a praia” afirma, rindo. Seu império tem 40 mil hectares de terras cultivadas, 40 mil cabeças de gado, 1,5 mil funcionários diretos e 5 mil indiretos. Possui terras em 13 dos 17 departamentos (estados) paraguaios.
Foto: Aline Cury Zampieri/iG Ampliar
No escritório de Favero, uma tv sempre ligada no canal do tempo
“Mas precisa lembrar que o Paraguai é o maior produtor de soja per capita do mundo”, faz questão de frisar Favero. Em suas contas, a produção paraguaia é de cerca de 1,3 tonelada por pessoa. No Brasil, é de 0,3 tonelada. Do total paraguaio, Favero espera produzir 120 mil toneladas. Na safra passada, foram 90 mil toneladas.
De olho na China
Favero, que se diz interessado em ouvir e aprender, tem agora voltado seus olhos para a China. Pretende abrir um pequeno escritório de representação em território chinês este ano e quer uma filial maior naquele país em 2012. Hoje, ele vende para multinacionais. Com a filial na China, pretende eliminar intermediários. "Talvez eu monte também uma empresa no Brasil para exportar carne” diz, sem dar mais detalhes.
Enquanto conversa, Favero fica de olho em uma televisão gigante instalada em seu escritório, ligada todo o tempo no mapa meteorológico do Weather Channel (canal do tempo). Diz: “vai chover bastante esse ano, isso é muito bom”. Durante a entrevista, é interrompido algumas vezes por funcionários ou por um de seus netos, que estava na região de Alto Paraná visitando umas terras. Pergunta se chove, se faz sol, como estão as plantações.
O rei da soja do Paraguai tem três filhas. Todas moram no Brasil e nenhuma seguiu os caminhos do pai. Com ele, trabalham dois dos três netos homens (há mais três mulheres), um deles é economista e, o outro, engenheiro agrônomo. Há pouco parentes em volta porque, diz ele, não é muito bom colocar muita família nos negócios. “Se um funcionário não trabalha direito, posso mandar embora. Agora, se é da família...”
Meu pai nasceu no oceano
A saga de Favero começou na Italia, quando seus avós deixaram um país que passava dificuldades para tentar a sorte em outro lugar. Sua avó estava grávida e seu pai nasceu no navio, três dias antes da chegada a Porto Alegre (RS). O filho Tranquilo nasceu em Videira (SC) e estava na pequena Chopinzinho, no Paraná, quando recebeu o convite para viajar ao Paraguai.
“Naquela época, 10 mil hectares no Paraguai equivaliam a 100 hectares no Paraná”, diz. Ele conta que foi devagar, com medo das ditaduras do país vizinho, de instabilidades. “Conforme o tempo passava, eu via que o bicho não era tão feio.” Foi ficando tão bonito até que Favero vendeu o que tinha no Brasil e se mudou de vez. Naturalizou-se paraguaio há 22 anos.
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