No aniversário de 20 anos do Tratado de Assunção, Expedições iG mostra os efeitos do melhor momento econômico da região em décadas
Na semana em que se completam 20 anos da assinatura do Tratado de Assunção, que consolidou a criação do Mercosul, o iG convida o leitor a descobrir como paraguaios, uruguaios e argentinos estão saboreando o melhor momento econômico das últimas décadas. Na primeira série de reportagens do projeto Expedições iG, você entenderá como o controle da inflação, a democracia e o crescimento contínuo do Brasil estão mudando a vida de pessoas e empresas dos nossos mais próximos vizinhos.Exatos 20 anos após a criação do bloco econômico, o Brasil se tornou a grande locomotiva que puxa o crescimento de toda a região. Segundo estimativas da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe das Nações Unidas (Cepal), apenas quatro países da América Latina cresceram mais que o Brasil em 2010. Deles, três são os parceiros do Mercosul, com o Paraguai na liderança: alta de 9,7% no ano. O país foi seguido por Uruguai (9%) e Peru (8,6%). A Argentina, segundo dados oficiais do país, cresceu 9,2%. O Brasil, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, teve expansão de 7,5%.
Os números impressionam. Segundo projeções da agência de classificação de risco Moody’s, a América Latina teve, no ano passado, a maior expansão dos últimos dez anos. “O gigante brasileiro domina a região. Se vai bem, os demais também vão bem”, diz Alfredo Coutinho, economista da Moody’s. Para ele, o Brasil teve um peso entre 70% e 80% da evolução de Paraguai, Uruguai e Argentina. “A mesma expansão deve acontecer este ano. E o inverso também é verdade. Se o Brasil tiver retração econômica, os vizinhos vão sentir.”
Números do Banco Central (BC) mostram que o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro cresce há quase 20 anos, desde 1992. A exceção foi 2009, quando a queda de 0,64% refletiu, ainda que de leve, a crise mundial. O Brasil, com seus quase 200 milhões de habitantes, ajudou a dinamizar a economia dos 40 milhões de argentinos, 6,5 milhões de paraguaios e 3,3 milhões de uruguaios. Um passeio pelas capitais do Mercosul mostra cidades vibrantes, canteiros de obras e desafios em infraestrutura por toda a parte.
As exportações de commodities, produtos agrícolas e pecuária foram o grande motor do Mercosul, que vendeu sua produção sobretudo à China. Segundo os números mais recentes da Cepal sobre o grupo de livre comércio, em 2009 os principais produtos exportados pelo bloco foram soja, minério de ferro, massas, petróleo, automóveis e açúcar. A criação do bloco parece ter dado certo, sobretudo quando se olha a exportação dos principais produtos, os bens primários. Do total das vendas externas da Argentina em 2009, 68% eram produtos primários. E seus principais parceiros comerciais foram os vizinhos: dos produtos primários importados pelo Brasil, 61% vieram da Argentina. No Uruguai esse índice atingiu 71,3%. E 92% das importações de bens primários do Paraguai.
No comércio intrarregional de bens, os vizinhos vendem mais entre si, segundo a Cepal. Do total de R$ 61 bilhões exportados pela Argentina em 2009, quase metade ficou com América Latina e Caribe. O Paraguai vendeu aos vizinhos 46% dos R$ 10 bilhões exportados e o Uruguai deixou na região 43% de seus R$ 12,7 bilhões. Entre todos, o Brasil é o menos dependente: vendeu aos vizinhos apenas 15%, dos R$ 220 bilhões exportados. É por índices assim que o Brasil ajuda a puxar o desenvolvimento dos outros países, numa escala até maior do que o benefício que obtém com as vantagens fiscais do Mercosul.
Apesar dessa força exportadora, é impossível não incluir na conta do desenvolvimento uma componente política. Desde que a Argentina conseguiu a proeza de ter sete presidentes em três anos, entre 1999 e 2002, o Mercosul nunca viveu tamanho período de normalidade democrática. Além disso, as influências de políticas internas fiscais e estímulos dos governos de cada país, com medidas anticíclicas e de distribuição de renda, ajudaram a manter um ritmo de consumo interno que não foi visto em países desenvolvidos, dizem os analistas.
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