Opera Mundi
De acordo com a agência Reuters, milhares de pessoas se reúnem em frente à sede do governo egípcio
Cercado por milhares de manifestantes em torno do palácio presidencial, no Cairo, o presidente do Egito, Mohamed Mursi, decidiu deixar nesta terça-feira (04/12) a sede do governo, de acordo com a agência Reuters. Não há a confirmação, porém, de que ele teria abandonado o governo.
A manifestação, realizada em frente ao palácio presidencial, pode ser vista ao vivo no vídeo abaixo:
Respondendo ao chamado de líderes da oposição no Egito, milhares de manifestantes compareceram nesta terça-feira a marchas contra o decreto que expande os poderes do presidente e contra o projeto da nova Constituição do país.
Ainda de acordo com a Reuters, ao menos oito pessoas ficaram feridas no protesto, onde centenas de pessoas tentaram remover barreiras de arame farpado e soltaram fogos de artifício contra agentes de segurança. A polícia respondeu com bombas de som, granadas de gás lacrimogêneo e tropas de choque e tenta dispersar a multidão aglomerada em frente à residência oficial da presidência.
Mais cedo, jornais e emissoras no Egito cumpriram a promessa de entrar em greve em protesto contra o decreto de Mursi. Ao menos 12 diários não circularam e cinco canais de TV prometeram ficar fora do ar na quarta-feira. Centenas de jornalistas se reuniram em frente à sede do sindicato da classe no Cairo, em ato contra o governo islamista.
O projeto da Constituição, que foi aprovado em 30 de novembro pela Assembleia Constituinte - dominada por partidários de Mursi - será votado em um referendo popular no dia 15 de dezembro. O documento não inclui artigos contra a prisão de jornalistas em casos de defesa à liberdade de expressão.
Tal proteção era exigida pelo conselho executivo do Sindicato de Jornalistas. O órgão decidiu retirar seus representantes da Assembleia Constituinte em meados de novembro depois que suas recomendações e sugestões foram ignoradas, segundo o site do jornal al-Ahram.
Entre os jornais que entraram em greve nesta terça-feira estão al-Masry al-Youm, al-Watan, al-Tahrir, al-Wafd, al-Youm 7, al-Dostour, al-Shorouk, al-Sabah, al-Ahaly, al-Ahrar, al-Fagr e Osbooa. As emissoras de TV que devem sair do ar na quarta-feira são os canais ONTV, CBC and Modern, al-Hayat e Dream TV.
Na segunda-feira, alguns diários deram indícios de que levariam a ameaça de greve a sério. Os jornais al-Wafd, al-Youm 7, al-Watan, al-Masry al-Youm e o Tahrir publicaram em suas capas a mesma imagem e a mesma manchete: "Não à ditadura", com a ilustração de um prisioneiro envolto em jornal dentro de uma cela escura.
* Com informação da agência Reuters e Efe
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